Educação

Confira as revisões no Fies que derrubam as educacionais em 2015

Em meio às mudanças, o BB cortou o preço-alvo das ações da Anima, Estácio, Kroton e Ser Educação

SÃO PAULO – As ações do setor de educação estão em ladeira abaixo desde o final do ano passado, quando foram divulgadas portarias sobre mudanças no Fies (programa de financiamento estudantil). O anúncio pegou o mercado de surpresa, deixando papéis que fecharam 2014 como campeões de ganhos do Ibovespa no vermelho este ano. Mas, de fato, quais foram essas alterações?

Foram duas mudanças significativas para o setor e que vêm determinando a forte queda das ações do setor em 2015, comentou o BB Investimento. São elas: 1ª) a portaria 21, que limita a solicitação dos benefícios por estudante. A partir de 2015, o aluno que for beneficiário do Fies não poderia aderir ao Pro-Uni e vice-versa. Adicionalmente, todos que optarem por aderir ao financiamento estudantil deverão apresentar pontuação mínima de 450 pontos no Enem e não poderão zerar na redação; e a 2ª) que tem relação com a portaria 23, que muda os prazos de pagamento, prorrogando de 30 para 40 dias o repasse dos valores do Fies às empresas. 

Diante das alterações, o BB revisou o preço-alvo das ações das companhias do setor: o da Anima (ANIM3) passou para R$ 33,50 (antes R$ 48,00); da Estácio (ESTC3) para R$ 26,50 (antes R$ 37,80); da Kroton (KROT3) para R$ 15,20 (ante R$ 18,50); e Ser Educação (SEER3) para R$ 24,40 (ante R$ 36,20). No ano, esses papéis caíram 33,21%, 31,36%, 18,13% e 47,96%, respectivamente. 

Segundo os analistas Gabriela Cortez e Mario Bernardes Júnior, que assinam o relatório, no curto prazo, essas determinações podem diminuir o número de novos alunos, considerando que, de acordo com o Ministério da Educação, no Enem 2014, houve uma queda nas médias de matemática e redação, sendo que mais de 500 mil alunos zeraram na redação. 

Já em relação à portaria 23, eles comentaram que os efeitos serão danosos às companhias no curto prazo, lembrando que a partir de abril deste ano o governo repassará apenas oito dos doze pagamentos anuais previstos para as instituições, prorrogando assim a liquidação total de um curso de 48 meses para 72 meses. Segundo os analistas, a mudança afetará diretamente a necessidade de capital de giro das companhias, que precisarão de outras fontes de renda para honrar seus compromissos no curto prazo até que seu caixa se estabilize. 

Por sua vez, para o longo prazo, eles entendem que o mercado de educação superior se mantém aquecido no País, citando que o percentual da população que possui ensino superior no Brasil ainda é baixa comparado a países desenvolvidos. Além disso, os analistas reforçaram que, no discurso de posse da presidente, Dilma Rousseff anunciou o setor de educação como um dos pilares de sua plataforma de governo.