Comentário

Comentário Semanal – 19/5 a 23/5

Comentário Semanal - 19/5 a 23/5

Em uma semana ditada por interpretações sobre a minuta do Federal Reserve e pelo preço do petróleo em níveis recordes, os mercados financeiros viram-se novamente às voltas com um clima turbulento. A bolsa brasileira fechou o período no vermelho e o dólar registrou alta.

Em seu tradicional documento justificando as decisões de política monetária, o Banco Central dos EUA sinalizou que o ciclo de cortes na Fed Funds Rate provavelmente está chegando a um ponto de saturação. O comentário dividiu as opiniões de mercado entre um intervalo de estabilidade para a taxa de juro norte-americana ou o imediato retorno à contração.

O Fed também reduziu suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, considerou a hipótese de deterioração do mercado de trabalho, e reforçou seu comprometimento com o controle dos preços.

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A preocupação inflacionária ganhou repercussão extra após o núcleo do PPI (índice de preços ao produtor) apresentar variação positiva de 0,4% em abril e referências análogas no resto mundo apontarem para a mesma direção. O ex-chairman do Fed, Alan Greenspan, deu um recado aos bancos centrais: neste momento, é preciso estar especialmente atento à ameaça de inflação.

Petróleo caro
Uma das principais pressões inflacionárias em pauta vem do mercado energético. O barril do petróleo voltou a testar patamares recordes durante a semana, aproximando-se de USS 135.

Entre desequilíbrios de oferta e demanda, desvalorização do dólar, aportes de fundos e estratégias da Opep, sobram explicações para uma commodity que ocupa o centro das atenções. Analistas começam a ponderar se os movimentos observados não refletem exageros, a despeito dos fundamentos convincentes.

No Brasil
A inflação continua marcando presença no cenário doméstico, despertando alertas. A segunda prévia de maio do IPC-Fipe registrou alta de 0,89% nos preços. E o IGP-M referente ao segundo decêndio do mês apontou inflação de 1,54%. Ambos superaram suas bases de comparação, sugerindo um agravamento do quadro inflacionário.

De fato, as projeções contidas no relatório Focus incorporam, semana a semana, premissas mais preocupantes para o nível geral de preços. A mediana das projeções para o IPCA de 2008 está em 5,12%, bem acima da meta de 4,5%. Conseqüentemente, o mercado começa a avaliar rumos ainda mais conservadores para a Selic nos próximos meses.

No mercado de trabalho, destaque para a Pesquisa de Emprego divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País alcançou 8,5% em abril, recuando 1,6 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2007 (10,1%).

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No âmbito corporativo, a consolidação do setor financeiro voltou às manchetes dos jornais, após os rumores de que o Banco do Brasil negocia a incorporação da Nossa Caixa. Concorrentes privados como Itaú e Bradesco manifestaram seu descontentamento frente à operação, sugerindo que uma eventual alienação da Nossa Caixa exigiria leilão aberto.

Bolsa
Com duas altas e duas baixas em quatro pregões, o Ibovespa acumulou desvalorização de 1,81% na semana, encerrando a sexta-feira no nível de 71.451 pontos.

O destaque negativo da semana ficou por conta das ações ordinárias da Gafisa, que cederam ao ajuste e acumularam perda de 10,75%, a maior entre todos os integrantes do Ibovespa.

Já as ações ordinárias da Nossa Caixa dispararam 36,21% e foram destaque de alta na semana. A notícia de provável venda do banco inspirou revisões de preço-alvo por parte de analistas e atraiu a atenção de investidores.

Os papéis mais líquidos ocuparam planos opostos durante a semana. Os preferenciais classe A da Vale caíram 4,21%, enquanto os preferenciais da Petrobras registraram alta de 5,01%. Apesar da empolgação com as novas descobertas da estatal, o mercado adotou um viés mais crítico, cobrando detalhes sobre o potencial dos campos.

Renda fixa
No mercado de renda fixa, os juros futuros mostraram rendimento decrescente. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, entre os líderes em liquidez no período, apontou taxa de 14,39%, alta de 0,21 ponto percentual em base semanal.

Quanto aos títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 fechou cotado a 137,30% de seu valor de face, com queda de 0,72% entre as semanas. Já o risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, encerrou a semana a 212 pontos-base.

Câmbio
Reagindo ao bom humor nos mercados, o dólar comercial acumulou valorização de 1,10% e reverteu a trajetória observada na última semana, fechando cotado a R$ 1,6600 na venda. Notícias confusas acerca da criação do Fundo Soberano trouxeram volatilidade ao mercado de câmbio durante a semana.