As piores de 2012

Com crise de credibilidade, OGX fecha 2012 como a pior ação do Ibovespa

Papéis da petrolífera de Eike Batista amargaram perdas de 67,84% no acumulado desses 12 meses; elétricas aparecem logo a frente, com Eletrobras e Eletropaulo mostrando quedas de 61,36% e 47,40%, respectivamente

SÃO PAULO – O ano de 2012 não foi fácil para aqueles que investiram em ações de empresas ligadas a commodities e energia elétrica – empresas que saíram da zona de conforto de “boas pagadoras de dividendos” para escolhas arriscadas. 

Eike Batista deve estar se perguntando se é verdade que 2012 chegou ao fim – a OGX (OGXP3), principal companhia do grupo EBX, registrou a maior queda do Ibovespa no ano, de 67,84%. fechando cotada a R$ 4,38, bem abaixo dos R$ 13,62 vistos ao final de 2011. A petroleira mergulhou numa crise de credibilidade que afastou investidores e acabou respingando em seus outros negócios.

Os problemas em torno do empresa foram intensificados em junho, quando a OGX informou ao mercado que a vazão do poço de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, produziria muito menos do que fora prometido. A vazão foi definada em 5 mil barris de petróleo por dia, ou quase um terço do que havia sido estipulado anteriormente.

O anúncio derrubou não apenas as ações da OGX, mas como os papéis das demais empresas do grupo – MMX Mineração (MMXM3, -33,1%), MPX Energia (MPXE3, -9,29%), OSX (OSXB3, -7,39%), CCX Carvão (CCXC3, -4,65%) e LLX Logística (LLXL3, -28,78%). No ano, as empresas de Eike perderam mais de R$ 30 bilhões na bolsa. 

De lá para cá, a OGX não conseguiu fazer as “pazes” com os investidores – e somente nesses seis meses caíram 49,66%. Se a reclamação à época do imbróglio envolvendo Tubarão Azul foi de que a OGX atuava irresponsavelmente ao promover todo indício da descoberta de óleo e traçar projeções duvidosas a partir delas, agora a queixa é de falta de informação.

A saída de Paulo Mendonça, ex-presidente da OGX, veio em resposta às projeções infladas de produção, deixando transparecer que o problema de comunicação já estava latente no grupo. Em seu lugar, foi conduzido Luiz Carneiro, com a missão de consolidar a capacidade de produção da empresa.

Mas uma série de demissões no grupo ainda colocam à tona o problema de equipe que a companhia enfrenta, e que afeta principalmente sua credibilidade no mercado. Somente a LLX mudou quatro de seis diretores. E a holding, teve em menos de um ano, três diretores financeiros.

Elétricas também levam rasteira no ano
A OGX, contudo, não foi a única que levou uma rasteira do mercado em 2012. Os efeitos da Medida Provisória 579, aquela que alterou as regras para renovação das concessões de ativos das elétricas, foram irreversíveis nas ações do setor.

Os papéis da Eletrobras (ELET3; ELET6) figuram na segunda e terceira pior posição do Ibovespa no ano. Os ativos ELET3 caíram 61,36%, aos R$ 6,33, enquanto as ações ELET6 despencaram 57,51%, aos R$ 10,48. Na sequência, as ações da Eletropaulo (ELPL4) e Transmissão Paulista (TRPL4) registraram desvalorização de 47,40%, aos R$ 16,80, e 39,90%, aos R$ 32,99, respectivamente. 

PUBLICIDADE

As ações das elétricas derreteram a partir de setembro, com analistas e investidores ajustando seus preços-alvo à nova realidade do setor. Os investidores se sentiram intimidados pelos estragos da MP vão causar nos próximos resultados das empresas. No caso da Eletrobras, para conquistar a renovação, a companhia aceitou receber, a partir de 2013, remuneração até 70% inferior à atual pelo serviço prestado por esses empreendimentos. A queda na remuneração vai levar a empresa a uma perda anual de cerca de R$ 8 bilhões – o equivalente a 25% da receita da Eletrobras, que é de R$ 31 bilhões. 

Além disso, a Eletropaulo ainda foi penalizada no final do ano pela preocupação dos investidores com uma dívida de R$ 1,3 bilhão referente a um empréstimo contraído pela companhia em 1986. A quantia equivale a cerca de 40% do valor de mercado da Eletropaulo.