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América Latina no topo! De forte em queda em 2024 para alta de 24,7% em dólares no primeiro semestre, a região se destacou como uma das preferências dos investidores no período. Neste cenário, onde o Brasil se encontra?
Para muitos analistas e estrategistas de mercado, em posição privilegiada.
Conforme destacam Fernando Ferreira e sua equipe de estratégia em relatório da XP, com a América Latina sendo uma das regiões de melhor desempenho em 2025, o Brasil continuará em evidência, por conta de: i) valuation atrativo e fundamentos micro sólidos; ii) taxa de juros no topo, com o ciclo de contração monetária chegando ao fim, o que tende a favorecer as ações; iii) a aproximação do “trade eleitoral” com a eleição de 2026 no radar; e iv) maior tamanho, liquidez e “profundidade” de mercado em relação a outros países da região.
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Além disso, o novo regime de mercado os torna construtivos para o curto prazo.
“Recentemente, nosso modelo proprietário de regime de juros sinalizou uma transição do ambiente ‘Inflação em alta, Juros em alta’ para um novo regime: ‘Inflação em alta, Juros em queda'”, avalia a equipe.
Para Ferreira e equipe, esse ponto de inflexão é relevante, já que o regime de juros vigente segue sendo um dos principais vetores de retorno dos ativos. Setorialmente, Varejo e Instituições Financeiras tendem a ser os principais beneficiários, além do fator Valor.
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Cabe ressaltar que, atualmente, o MSCI LatAm aloca 87,9% de seu peso em Brasil e México — historicamente, ambos os países representaram 85% do índice. Os demais países são Chile (6,3%), Peru (4,1%) e Colômbia (1,6%). A Venezuela fez parte do índice até 2006, mas com peso muito pequeno, nunca ultrapassando 1%. A Argentina permaneceu no índice até 2009, quando foi rebaixada à categoria de Frontier Market devido ao controle de capitais vigente no país. Embora tenha sido reintegrada em 2019, foi novamente rebaixada em 2021 para Standalone Market, por conta de, novamente, a imposição de restrições de mobilidade de capital.
Desde 2004, o índice vem apresentando uma concentração crescente no Brasil, com seu peso subindo de 48,6% para os atuais 59,8%, enquanto o peso do México caiu de 33,4% para 28,1%. Essa mudança está ligada aos ciclos das commodities, dada a maior exposição do Brasil ao setor em comparação ao México. Também houve um aumento na concentração em termos de peso dos constituintes, com o número total de empresas no índice caindo de 108 em 2004 para 89 atualmente — o menor patamar histórico. O Brasil foi o único país que apresentou aumento no número de empresas listadas no índice

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“Com base em métricas como prêmio de risco de ações, valuation, rentabilidade e renda, a América Latina — especialmente o Brasil — se destacam por oferecer uma combinação de múltiplas fontes de valorização: estão descontados, apresentam fortes retornos esperados e elevados níveis de dividendos”, avalia a XP. Em contraste, aponta, mercados desenvolvidos como os EUA e a Alemanha parecem caros e com potencial de retorno limitado.
A XP mantém a estimativa de valor justo do Ibovespa para 150 mil pontos para 2025, avanço de 8% frente o fechamento do primeiro semestre.
Em relatório em que também aponta o forte otimismo no primeiro semestre com a América Latina, a gestora britânica Ashmore ressalta que, apesar das incertezas, os analistas dizem que a região apresenta fundamentos mais organizados do que no início do ano.
As taxas de desemprego permanecem próximas ou abaixo das médias históricas. As expectativas de inflação estão ancoradas e os déficits externos estão dentro de patamares considerados razoáveis. A desvalorização do dólar neste ano também favoreceu as moedas locais, ajudando a controlar os preços e mantendo o poder de compra interno.
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Na última semana, em relatório revisando as suas projeções para a América Latina na segunda metade de 2025, o JPMorgan manteve exposição overweight (acima da média do mercado) para o Brasil, ressaltando que o país “é uma das histórias mais interessantes nos mercados emergentes” atualmente.
Apesar das taxas de juros reais de 9%, o crescimento continua surpreendendo positivamente, enquanto a inflação está em declínio, impulsionada por uma taxa de câmbio mais forte. Para os estrategistas do banco, o país está protegido da situação tarifária e poderia até se beneficiar com o aumento da produção agrícola e das importações de produtos manufaturados mais baratos.
“O Brasil se beneficiou do cenário global, mas, à medida que nos aproximamos do final de 2026, estaremos focados em dois gatilhos locais importantes: o início do ciclo de flexibilização da política monetária e as eleições de outubro de 2026”, avalia.
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UBS eleva Brasil entre os emergentes
Também no fim do mês passado, o UBS elevou a recomendação do Brasil de neutra para overweight como parte de sua revisão de meio de ano para mercados emergentes.
O banco apontou ter evitado tornar sua visão positiva para o Brasil até que houvesse maior conforto de que o ciclo de taxas de juros está mudando. Alguns desenvolvimentos recentes ajudam. O Banco Central (BCB) recentemente aumentou a taxa de juros para 15% ao ano, surpreendendo boa parte do mercado, mas a sua equipe macro vê isso como provavelmente o último aumento neste ciclo.
Além disso, após conversas com investidores, a avaliação geral do mercado é de que uma mudança para a centro-direita no poder poderia ajudar a retomar a prudência fiscal — algo que os mercados de títulos (e, consequentemente, as ações) poderiam gostar.
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Enquanto elevou sua posição para o Brasil, Tailândia e Polônia foram cortadas para neutra. O UBS ressaltou ainda que o mercado está mais otimista com a Coreia do Sul, mas a equipe segue neutra; já a China segue como um país com “overweight-chave”, levando em conta fundamentos sólidos nas empresas, desconto em relação à média dos emergentes e uma “surpresa positiva” no consumo.
Sobre os emergentes no geral, o banco aponta que esses mercados superaram os EUA em 6% no primeiro semestre, tendo como principais motivos o crescimento dos lucros por ação, expansão dos múltiplos e moedas mais fortes.
Por outro lado, os fluxos para os emergentes seguem erráticos, o que indica que os investidores ainda estão avaliando os impactos da mudança de cenário global para essas regiões.
