Colunista InfoMoney: o indicador PEG e os benefícios para análise de ações

Indicador que relaciona P/L com projeção percentual pode indicar boas oportunidades de investimento

Fernando Caio Galdi

Um indicador bastante útil e ainda pouco difundido no mercado brasileiro é o PEG (P/E-to-earnings-growth). Esse indicador relaciona o indicador Preço/Lucro, conhecido em inglês como Price-Earnings ou simplesmente P/E, com a projeção de crescimento percentual dos lucros para o próximo ano. Mais especificamente, o PEG pode ser calculado como: PEG = Price-Earnings / crescimento percentual projetado no lucro para o próximo ano.

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Esse indicador compara os P/E negociados pelo mercado com a avaliação do mercado do crescimento dos lucros da empresa para o próximo período. Normalmente utilizam-se as projeções dos analistas de mercado para se calcular o PEG. Quanto mais projeções de diferentes analistas forem consideradas, mais adequado será o PEG. Isso porque um determinado analista pode ser demasiadamente otimista ou pessimista em relação a uma ação, e ao considerar apenas essa informação, o investidor pode tomar uma decisão equivocada.

Nesse contexto, diz-se que o ideal é a utilização do consenso de mercado. Chama-se a informação referente à mediana (às vezes a média) das projeções dos analistas de consenso de mercado. Algumas empresas disponibilizam em seus sites, na área de relações com investidores (RI), as projeções dos analistas que as cobrem. Essa prática deveria ser mais difundida pelas empresas brasileiras de maneira que os investidores tivessem acesso fácil a essa informação e que isso permitisse que os papéis negociados na Bolsa refletissem mais adequadamente os fundamentos das empresas.

Se o PEG for inferior a 1 (para uma taxa de retorno requerida de 10% ), há uma indicação que determinado papel pode estar barato, pois o mercado esta excessivamente otimista sobre o crescimento de seus lucros, mas esse efeito ainda não foi refletido no preço das ações. Adicionalmente, tem-se que o P/E normal (para uma empresa que não terá crescimento, nem diminuição nos lucros) é calculado por 1/taxa de retorno requerida.

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Por exemplo, uma empresa que tenha o seu preço da ação de $10, e que publicou o último lucro por ação anual de $2, possui um P/E de 5. Se os analistas projetam um crescimento de 10% para o lucro da empresa para o próximo ano, o PEG será de 0,5 (5/10). Se as previsões do mercado estiverem adequadas e os lucros da empresa de fato aumentarem em 10%, para que o preço reflita a informação de maneira a não haver desequilíbrios, ele deveria se estabilizar em $20, o que resultaria em um PEG de 1.

Em uma situação que a taxa de retorno requerida seja de 14% ao ano, o P/E normal, ou seja, aquele de uma ação que não terá crescimento nos lucros, deve ser de 7,14 (1/0,14). Nesse contexto, se há um papel com P/E de 7,14 e o consenso de mercado prevê um crescimento nos lucros de 14% para o próximo ano, o PEG será de 0,51 (7,14/14). Assim, empresas com PEG menor do que 0,51 podem ser consideradas como tendo indicação de estarem baratas.

O PEG sempre deve ser utilizado de maneira comparativa para se avaliar a existência de boas oportunidades de investimento.

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Segundo Stephen Penman, em seu excelente livro Financial Statement Analysis and Securities Valuation, alguns cuidados devem ser tomados ao se utilizar o PEG. O primeiro deles diz respeito ao benchmark de 1, conforme acima comentado. Esse benchmark deve ser considerado para uma taxa de retorno requerida de 10%. Como vimos, para uma taxa de retorno de 14% o benchemark se altera. Para 12% o benchmark do PEG seria de 0,69. O segundo ponto relevante, é considerar uma taxa de crescimento dos lucros baseado em lucros que não tenham sofridos solavancos.

Empresas que obtiveram pequenos lucros no último ano, provavelmente obterão estimativas de variações elevadas para o lucro do próximo ano. Assim a variação percentual será elevada e o PEG baixo, podendo indicar, erroneamente, que um papel está barato. Nesse contexto, cabe ao investidor se aprofundar na análise e conhecer o histórico e os prospectos da empresa.

Finalmente, vale lembrar que não existe maneira fácil de ganhar dinheiro. O PEG é mais um indicador sujeito a falhas no mundo das finanças. Contudo se bem utilizado pode apontar para boas oportunidades de investimento.

Doutor em Ciências Contábeis pela FEA-USP, Fernando Caio Galdi é professor da FUCAPE Business School e escreve mensalmente na InfoMoney.
fernando.galdi@infomoney.com.br