Cogna mantém aposta em graduações de medicina

Marca Kroton Med tem faturamento anual de R$ 500 mil

Iuri Santos

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Ponto fora da curva na estratégia de redução nos gastos com estrutura da Cogna, que diminuiu o número de campi e tem focado nos cursos à distância e semipresenciais, a linha de graduação em medicina do grupo, Kroton Med, tem expandido seus investimentos em criação de novos cursos e infraestrutura. Com faturamento de R$ 500 milhões no ano, o braço pode chegar a 838 alunos, a depender de aprovação de novos cursos e maturação da estrutura.

Devido ao seu destaque para a Kroton, marca de ensino superior da Cogna, a área de medicina foi completamente separada do segmento de graduação e agora tem dedicação e time exclusivo dentro da companhia. No investor day feito pela empresa nesta quinta-feira (7), o CEO da companhia, Roberto Valério, disse que o segmento, com 550 alunos, deve aumentar nos próximos anos.

A receita da Kroton Med cresce a uma taxa de 25% ao ano  com a atual estrutura de seis unidades em operação — e  uma nova, em Ponta Porã, que deve funcionar em 2024. Isso tudo diante de uma redução de 176 para 112 unidades da Kroton desde 2020. “Essas operações conjuntas entre maturação, aumento de vagas por reconhecimento de curso, vai levar às 838 vagas”, diz Valério. A empresa pediu, via liminar, pela abertura de mais quatro cursos com capacidade de 120 vagas cada. Neste ano, a empresa gastou R$ 25 milhões na construção da faculdade de medicina.

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A companhia também olha atentamente para a abertura de novos editais do programa Mais Médicos, do Governo Federal. “Essa é mais uma oportunidade para que a gente possa participar, ter novas faculdades de medicina e crescer esse negócio”, diz Valério.

A Cogna apresentou, no evento, o seu guidance atualizado até 2024. Em 2020, a empresa determinou como expectativa chegar a uma geração de caixa operacional de R$ 1 bilhão até o ano que vem e mantém a perspectiva, apesar do consenso de mercado apontar para R$ 800 milhões de reais de GCO no ano que vem. Nos primeiros 9 meses de 2023, o valor foi de R$ 653 e a empresa diz que isso se deve ao aumento de adimplência.

A métrica de geração de caixa é defendida pela Cogna como prioridade, o que justificou a estratégia de um modelo de negócio mais “asset light”, com menos peso de ativos dispendiosos.

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No EBITDA (sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em inglês) recorrente, a empresa espera superar o consenso, de R$ 1,72 bilhões. Houve uma mudança na forma de medir o guidance pela empresa, que agora trabalha em bandas. A expectativa é crescer em uma média de 30% ao ano, com EBITDA recorrente entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,4 bilhões.

Vasta vai expandir rede premium

Guilherme Melega, CEO da Vasta, diz que a marca de educação básica da Cogna tem seguido o guidance com foco no setor premium e com expansão focada nas regiões norte e nordeste, onde a empresa ainda não possui tanta penetração, e nas suas soluções complementares, como o mercado de línguas.

À frente do plano de mais longo prazo da Vasta, até 2030, está a rede de escolas bilíngue Start, que a empresa vende como uma conciliação entre performance em aprovação no vestibular junto à formação com proficiência em outra língua. A Cogna não irá investir capex na iniciativa e espera usar a sua experiência em franquias de educação para expandir essa rede.

Aos investidores, a empresa disse que já possui uma escola em operação com a Start, em São José do Rio Preto, e espera que a unidade de Alphaville comece a funcionar no próximo ano. Segundo Melega, há um potencial de arrecadação de R$ 3 bilhões, com R$ 120 milhões convertidos em royalties para a própria Cogna.

A rede premium, espera a Vasta, deve chegar a 40 mil alunos em 92 unidades com média de 468 alunos e mensalidade de 4,2 mil reais até 2030. No momento, 11 escolas já assinaram contrato com a franquia.