Citi vê minério a US$ 130 a tonelada enquanto analistas adotam tom de “otimismo cauteloso”

Minério de ferro caiu em fevereiro, após dados macroeconômicos da China frustrarem, mas especialistas veem margem para recuperação

Vitor Azevedo

Mineração da Vale em Minas Gerais (Mario Tama/Getty Images)

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Analistas da Citi e da Gavekal (estes últimos ouvidos pela XP) adotaram tons mais cautelosos quanto à trajetória do minério de ferro em 2024, mas mantendo um certo otimismo para o desempenho das commodities. Apesar de as duas casas verem um aumento moderado da demanda por aço ao longo do ano, elas também enxergam alguns desafios. 

No primeiro ponto que justifica a cautela, o Citi, por exemplo, diz que a retomada da economia da China no pós-Ano Novo foi mais lenta do que o esperado, o que levou ao recuo dos preços do minério de ferro visto no último mês. Anteriormente, a casa tinha uma perspectiva de preço de US$ 150 para a tonelada do minério em 2024, previsão revista esta semana para US$ 130 – ante o preço atual de US$ 121,06 em Dalian, na China.

“O aumento dos estoques de minério de ferro e de aço agravou o sentimento negativo”, avaliou, citando ainda que a incerteza na demanda de aço contribuiu para essa queda.

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No fim de fevereiro, o Banco Popular da China chegou a cortar sua taxa de juros de empréstimos a longo prazo, mas, para o Citi, isso se tratou de uma “resposta fraca”.  “O setor imobiliário permanece fraco e o corte de 25 pontos-base na taxa de cinco anos pelo PBoC não apoiou os preços do minério de ferro, indicando um pessimismo contínuo para as perspectivas de demanda”, diz a equipe. 

A Gavekal tem uma visão parecida. Para eles, embora o governo esteja tomando medidas para enfrentar os desafios do crescimento econômico, as incertezas no setor imobiliário permanecem.

“O elevado estoque de habitações pré-vendidas em entregas excessivamente prometidas pelos promotores continua a ser um desafio, afetando o sentimento do consumido. Dito isto, a entrega de unidades pré-vendidas em 2022/23 poderia potencialmente melhorar o sentimento geral”, falam. 

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A visão é de que o corte de juros tenha impulsionado a compra de casas prontas – com os chineses, devido à crise do setor imobiliário, apresentando certo receio de adquirir plantas em novos projetos (que consomem aço e, decorrentemente, minério).

No entanto, a casa de research vê que, em relação à demanda de aço, deve haver um impulso dos projetos de construção liderados pelo governo. O governo chinês, recentemente, soltou estímulos para setores como habitação acessível, renovação de aldeias urbanas e reconstrução de infraestruturas, que devem ajudar do lado da procura pelo produto. Fora isso, o país, apesar de tudo, deve trazer um crescimento real do PIB.

Já o Citi, do lado positivo, espera que as atividades de construção, juntamente com um potencial de taxação da exportação de minério da Índia, ofereçam suporte aos preços da commodity potencialmente impulsionando uma recuperação frente aos preços atuais.

A Índia está considerando a aplicação de um imposto de exportação sobre o minério de ferro de baixa qualidade, depois que pequenos produtores de aço pediram ao governo que o país reduza suas vendas no exterior.