CEO da Usiminas (USIM5) vê juros altos e importados com preocupação; melhora deve vir em 2024

Marcelo Chara assumiu empresa indicado pela Ternium, que passou a controlar a companhia, e citou demanda enfraquecida no setor

Augusto Diniz

Publicidade

Em sua primeira teleconferência de resultados como novo CEO da Usiminas (USIM5), Marcelo Chara manifestou preocupações com a demanda enfraquecida, taxa de juros elevada e importações de produtos de aço acabados.

A empresa apresentou no segundo trimestre faturamento impactado pela queda de preços tanto na divisão de mineração quanto de siderurgia (na comparação com o primeiro trimestre deste ano), o que consequentemente contribui para a queda do Ebtida no mesmo período.

“Há uma demanda enfraquecida. Estamos vendo com preocupação alguns fatores, como elevada taxa de juros e a importação de produtos acabados, que incrementou sensivelmente”, disse Chara, a analistas e investidores nesta sexta-feira (28).

Continua depois da publicidade

O executivo foi indicado ao cargo pela Ternium, que assumiu o controle da companhia após adquirir a participação da Nippon Steel na empresa.

Reforma do alto-forno 3

Em meio ao mercado instável, a Usiminas está às voltas com a reforma do principal alto-forno da usina de Ipatinga (MG), um estrutura que possui a altura de um prédio de 30 andares, envolve 9 mil trabalhadores temporários no pico da obra, com o custo total de R$ 2,7 bilhões.

“Estamos executando a reforma que está em pleno andamento, de uma complexidade significativa”, disse o CEO. “Estamos avançando. Já foram trocados o corpo completo (da estrutura)”, acrescentou.

Continua depois da publicidade

“Completada a reforma, ela trará uma configuração produtiva competitiva e eficiência. Está alinhada à nossa agenda de descarbonização, já que terá uma condição que vai permitir a redução da emissão de combustível”, destacou o executivo, ressaltando tratar-se de uma reforma que será uma das mais modernas da indústria e trará eficiência operacional à siderúrgica.

A entrega do alto-forno estava prevista para final de agosto (abril foi o início da reforma), mas passou para setembro. Segundo Thiago Rodrigues, CFO da Usiminas, a mudança “não terá impacto relevante à companhia”.

Usiminas (USIM5) vê melhora em 2024

Já com relação ao período de rump up (entre o início de operação e produção plena), a Usiminas preferiu dizer que poderá levar de semanas a meses, sem precisar um prazo.

Continua depois da publicidade

“Estamos focados no avanço da eficiência operacional de nossos processos industriais com foco na excelência, preservação do meio ambiente e segurança. Temos expectativa de melhora para 2024”, comentou Marcelo Chara.

Miguel Holmes, vice-presidente Comercial da Usiminas, disse que os preços do aço têm se mantido constante no mercado interno, apesar da pressão das altas importações.

“A gente está tendo no mercado uma forte pressão de preços, as margens estão comprimidas, mas se enxerga os preços relativamente estáveis”, disse o executivo.