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Hegemonia do dólar como moeda internacional “oficial” pode estar no fim, diz professor 

O professor de economia na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Antony Mueller, participou do programa "Câmbio" desta semana

SÃO PAULO - Há muitas décadas o dólar é a moeda utilizada para referenciar transações financeiras mundo afora. Mas nem sempre foi assim – e não será assim para sempre. Antony Mueller, professor de economia na Universidade Federal de Sergipe (UFS), lembra que no século XIX a moedutilizada como principal referência era a libra esterlina - mas durante este período, o ouro estava “por trás” de todas as moedas, utilizado como lastro. 

Com o dólar esse sistema de lastro mudou. O dólar “cortou” essa relação com o ouro e agora o dólar não tem nenhuma ligação ou lastro com alguma forma real. Seu valor é baseado apenas na confiança”, disse Mueller durante entrevista para o programa “Câmbio” desta semana, apresentado pelo professor do curso dólar para investidores do InfoMoney, Gustavo Cunha. 

O professor lembrou que a partir do início da década de 1980 os EUA iniciaram uma série de déficits comerciais, o que deixou a dívida externa americana muito elevada.  

"Com isso a confiança começa a baixar. Já faz algum tempo que o mundo financeiro busca alguma alternativa [ao dólar. Primeiro teve o Euro. Depois surgiu o bitcoin. Mais recentemente teve a moeda anunciada pelo Facebook, a libra. Estamos em uma fase experimental. Uma coisa me parece certa: o tempo da “regra” do dólar [como moeda oficial para todas as transações internacionais] está acabando. O que vai surgir é uma forma de experimentação. Pode ser uma criptomoeda pura, ou ligada ao ouro. Ou então algum grupo de países que se unem para lançar uma moeda”, afirmou Mueller. 

 

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