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Piso do câmbio é R$ 3,75, apontam analistas top 5

Mercado se divide sobre o patamar exato em que fechará o câmbio no fim de 2019, mas consenso é de que haverá acomodação

dólar notas
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Se a expectativa de boa parte do mercado financeiro se confirmar e a reforma da Previdência for aprovada, o dólar deve recuar, mas dificilmente cairá abaixo de R$ 3,75 neste ano. Essa é a projeção de especialistas que fazem parte do ranking top 5 do Banco Central, que reúne os profissionais que mais acertam nas projeções para o câmbio.

O piso se deve à expectativa de economia que poderá ser gerada pela reforma. Para Silvio Campos, analista da Tendências Consultoria, a reforma deve passar na Comissão Especial da Câmara dos Deputados com um valor de R$ 600 bilhões a R$ 700 bilhões de economia em dez anos.

E Campos é o mais otimista dos especialistas consultados pelo InfoMoney. Bruno Lavieri, analista da 4E Consultoria, espera uma economia máxima de R$ 450 bilhões.

Na opinião de Lavieri, o momento atual de dólar acima dos R$ 4 está contaminado pela frustração dos investidores com o desempenho do governo na articulação pela reforma. "Depois da eleição, o mercado adotou uma posição muito otimista sobre a aprovação de reformas estruturais, e agora migrou para a outra ponta, duvidando de sua capacidade", afirma.

Lavieri acredita que o câmbio passará por um período de acomodação se a reforma for aprovada, seja com o texto do governo ou o do Centrão. No entanto, ele não espera que o dólar fique abaixo de R$ 4,00.

O peso do cenário externo

É importante lembrar que não foi apenas o noticiário doméstico conturbado levou o dólar a superar os R$ 4. A sensível piora no ambiente externo, por conta do recrudescimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, também contribuiu.

Luis Afonso, da Mapfre, lembra que tanto o partido Republicano quanto o Democrata têm o comércio exterior com a China como uma pauta importante. Isso significa que mesmo que o presidente Donald Trump seja derrotado nas urnas no ano que vem, não é garantido que as relações entre as duas maiores potências do mundo voltarão a ser o que eram antes.

"Fala-se muito em guerra comercial, mas o que está por trás é uma disputa muito mais profunda pela supremacia tecnológica entre Estados Unidos e China", comenta.

O cenário mais tenso pode provocar um movimento de flight to quality, quando os investidores no mundo todo passam a comprar ativos mais seguros e tiram o dinheiro de mercados emergentes. "A nossa taxa de câmbio pode aumentar mais por conta da valorização do dólar do que pela depreciação do real", aponta Afonso.

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