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Dólar pode superar os R$ 4 sem uma Reforma da Previdência convincente - e esse risco aumentou

"Ninguém acreditava que não teriam vários obstáculos pela frente, podemos estar passando por mais um susto. E, provavelmente, não será o último", avalia José Faria Júnior

Dólar
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Há apenas dois dias o dólar batia sua mínima em mais de um mês, em R$ 3,76, mas uma sucessão de eventos preocupantes para a reforma da Previdência ligou o modo "pânico" do mercado, puxando a moeda norte-americana para sua máxima desde o dia 7 de março.

E apesar dos analistas ainda apontarem que os eventos recentes não mudam as projeções para a aprovação da Previdência, se os problemas aumentarem, é possível que o dólar volte a estressar, chegando até a superar a marca dos R$ 4. Nesta sexta-feira (22), às 13h40, a moeda tinha ganhos de 2,49%, cotada a R$ 3,8946.

Esta é a visão do economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs. Em entrevista para a Bloomberg, ele afirmou que a reforma "não está morta", mas que o custo político de aprová-la aumentou, e isso pode resultar em uma reforma mais fraca.

Para Ramos, o risco de uma reforma mais enxuta aumentou, mas o seu cenário-base ainda é de uma economia entre R$ 600 e R$ 700 bilhões em 10 anos. Mas se essa visão de risco piorar, o reflexo poderia ser um forte stress no mercado.

"O dólar pode ir acima de R$ 4 com uma reforma que não consiga resolver de forma significativa o grave desequilíbrio da Previdência social e não reduzir significativamente o risco de insolvência fiscal a médio prazo", disse ele para a Bloomberg.

O mercado vem estressado desde quarta, com um desapontamento diante da proposta de reforma das aposentadorias dos militares. A bola de neve começou a crescer ontem com a prisão do ex-presidente Michel Temer, que elevou o clima de tensão e tirou o foco da reforma da Previdência, o que pode levar a mais atrasos para a tramitação do texto no Congresso.

Soma-se a isso o comportamento de filhos do presidente Jair Bolsonaro e de aliados. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avisou ontem ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que deixará a articulação política pela reforma da Previdência. Maia tomou a decisão após ler mais um post do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), com fortes críticas a ele, conforme destacou matéria do jornal O Estado de S. Paulo.

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Irritado, o deputado telefonou para Guedes e disse que, se é para ser atacado nas redes sociais por filhos e aliados de Bolsonaro, o governo não precisa de sua ajuda.

Diante deste turbilhão, destaca o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o dólar não conseguiu se sustentar abaixo de R$ 3,80 e já ligou o alerta para uma piora ao estar acima deste nível. Ele avalia que o nível dos R$ 3,90 possa ser bom para vendas, indicando uma resistência da moeda em superar esta marca agora.

"Esta região [R$ 3,90] tem se mostrado resistente desde o ano passado. Como o cenário é de aprovação da reforma, e ninguém acreditava que não teriam vários obstáculos pela frente e também a desidratação da mesma (acredito que em torno de 40% a 50%), podemos estar passando por mais um susto. E, provavelmente, não será o último", conclui.

 

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