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O que é "carry trade" e por que isso pode fazer o dólar subir nos próximos meses

Estratégia de estrangeiros para ganho com diferencial de juros deve perder atratividade e pressionar o câmbio após decisão do Copom

Dólar e bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A última decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2018 confirmou um cenário que já começava a se desenhar no mercado brasileiro: os juros não devem voltar a subir tão cedo. E mais do que mostrar que a Selic se manterá em 6,50% por mais alguns meses, isso também muda o ambiente de negócios para o dólar.

Tanto que a decisão ajudou na forte alta da moeda norte-americana nesta quinta-feira (13), com o dólar subindo 0,72% e voltando para R$ 3,88. Isso aconteceu porque com a decisão do Copom deixou o cenário menos atrativo para o investidor estrangeiro, que tende a sair do nosso mercado, tirando dólares do país, o que pressiona o real a cair.

E tudo isso tem um nome: "carry trade".  Basicamente, o que ocorre é que o investidor estrangeiro até então estava tomando dinheiro emprestado a juros baixos em países europeus ou nos EUA ou Japão, para depois aplicar este mesmo capital em países de juros mais altos - como o Brasil. E então ele ganha nesta diferença de juros.

O problema é que o Federal Reserve tem elevado os juros nos EUA, o que, por si só, já reduz este ganho e tira um pouco da atratividade desta operação.

E para piorar, agora a projeção é que o Brasil não deve aumentar a Selic por um tempo considerável, ou seja, nos próximos meses o diferencial de juros tende a cair ainda mais conforme os juros nos EUA sobem e por aqui permanecem iguais.

Nas últimas semanas, os analistas já estavam revendo suas projeções para os juros em 2019, entendendo que o cenário de inflação estável e crescimento lento indicaria poucas altas de juros. O Banco Central, porém, ao manter os juros em 6,50% na última quarta-feira, também disse ver um recuo do risco de frustração com reforma.

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E de acordo com economistas, este comunicado apontou para o adiamento do eventual ciclo de alta, que pode nem ter início no próximo ano. Em sua decisão, o Copom disse que aumentou o risco de a ociosidade da economia brasileira manter a inflação em níveis baixos e que diminuiu o risco da não aprovação de reformas estruturais.

Segundo a nota, o cenário internacional continua desafiador para os países emergentes, com a possibilidade de alta de juros em países avançados e de agravamento de tensões comerciais. E nesta elevação das taxas nas grandes economias, o "carry trade" perderá atratividade com o Brasil, podendo levar a uma alta do dólar por aqui.

BCE também pressiona
Nesta quinta, em especial, um outro fator também puxou o dólar para cima no Brasil. Em discurso após manter os juros em 0%, o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, fez um alerta sobre a economia europeia. Além disso, a autoridade da zona do euro anunciou o fim do programa de compra de ativos no final de dezembro.

Isso fez o euro perder força contra o dólar conforme Draghi listou preocupações com questões geopolíticas, protecionismo comercial e volatilidade dos mercados.

Mesmo que a decisão fosse esperada, o fim do Quantative Easing (programa de estímulos à economia) europeu pode acabar pesando nas moedas emergentes a médio prazo, uma vez que reduz a liquidez global, reduzindo fluxos para ativos de maior risco. Ou seja, mais um fator para levar o real a cair contra o dólar nos próximos meses.

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