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Em mercados / cambio

Dólar cai para R$ 3,70 com BC "dobrando a mão", mas efeito pode não durar muito, alertam analistas

Banco Central precisou atuar duas vezes nesta terça para reverter alta do dólar

Dólar
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Banco Central precisou voltar a atuar mais forte no câmbio para segurar a moeda nesta terça-feira (12), repetindo a oferta de 30 mil contratos de swap realizadas mais cedo. Com isso, o dólar passou a cair forte, voltando para R$ 3,67, mas não se sustentou e fechou com queda de 0,52%, cotado a R$ 3,7075.

Houve uma primeira intervenção do BC, às 10h20, também de 30 mil contratos, mas foi vista por operadores como insuficiente, dada expectativa criada pelo próprio BC de US$ 20 bilhões ao longo desta semana. Com isso, a autoridade monetária precisou atuar mais forte, com mais 30 mil contratos, que aí sim tiveram um grande efeito. Os dois leilões somaram US$ 3 bilhões, volume maior do que os 50.000 swaps do leilão da véspera.

Porém, especialistas já começam a mostrar preocupação com estas atuações do BC, que pode perder força no futuro, principalmente em um momento crítico com a aproximação das eleições. Em relatório recente, o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ressaltou que com esta forte atuação, o BC já terá ofertado dois terços dos volumes de swaps máximos da era de Alexandre Tombini, sendo que ainda falta muito para a eleição.

Faria reforçou que esta forte atuação pode fazer o dólar cair ainda mais, como está ocorrendo nesta sessão, mas dois eventos podem fazer a moeda voltar a subir nos próximos dias: a reunião do Fomc nesta quarta, que pode levar a uma projeção maior de alta de juros nos EUA; e também a reunião do BCE, que caso se sinalizar o fim do QE será negativo para o real.

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Mas o grande risco pode ser o erro na atuação do Banco Central. Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO, afirma que a autoridade está contrariando duas premissas básicas nas estratégias de intervenção no câmbio: não pré-anunciar a atuação e o fato de que "nem tudo é uma questão de força, mas predominantemente de jeito".

"Na nossa percepção o dólar manterá o viés de alta, ancorado em fundamentos internos e até mesmo externos que sugerem a correção do preço", avalia Nehme. Por outro lado, porém, ele diz que "urge que o BC deixe de atuar com um único instrumento e passe a ofertar também linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra".

O analista conclui que o BC precisa deixar "evidente e incontestável a imunidade do País a crise cambial, antes que se propague pelo mundo que isto esteja ocorrendo no Brasil". A sustentação do dólar a patamares mais baixos do que os praticado na última semana pode ter aliviado o mercado, mas Ilan Goldfajn e sua equipe terão que mostrar uma ótima estratégia para conseguir manter o câmbio equilibrado até o fim do ano.

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