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Braskem tem prejuízo de R$ 2,79 bilhões em 2019; Gerdau abafará forno em Minas e mais destaques

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta segunda-feira (6)

A siderúrgica Gerdau informou que abafará o alto-forno 2 da usina de Ouro Branco (MG), como parte das suas medidas para conter o impacto da crise econômica provocada pela pandemia da Covid-19. Além disso, ocorrerão paralisias em abril nas aciarias e laminações de aços longos no Brasil e nos Estados Unidos. Já a Braskem informou prejuízo de R$ 2,9 bilhões no quarto trimestre e de R$ 2,79 bilhões no ano de 2019.

Gerdau (GGBR4)

A Gerdau anunciou várias medidas para reduzir a produção no Brasil e nos Estados Unidos, por causa dos impactos econômicos da pandemia do coronavírus. A siderúrgica informou que fará o abafamento do alto-forno 2 da usina de Ouro Branco (MG), que possui a capacidade de 1,5 milhão de toneladas de aço por ano. Além disso, ocorrerão paralisações nas aciarias elétricas e laminações de aços longos.

Segundo a empresa, as medidas são tomadas por causa “da redução da demanda, principalmente na indústria e na construção civil”. A empresa informou que o alto-forno 1 da usina de Ouro Branco, que tem a capacidade de produzir 3 milhões de toneladas de aço por ano, continua a operar.

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Nas unidades que produzem aços especiais também acontecerão paradas programadas em abril, tanto no Brasil como nos EUA. Segundo a Gerdau, a indústria automotiva está em férias coletivas nos dois países, “o que afeta materialmente a demanda nesse setor específico”. Na semana passada, a Usiminas (USIM5) anunciou o abafamento dos altos-fornos 1 e 2 da sua usina em Ipatinga (MG).

Os bancos Morgan Stanley e Bradesco BBI comentaram as medidas da siderúrgica Gerdau para enfrentar os impactos da epidemia do coronavírus sobre a economia. O Morgan Stanley manteve a recomendação overweight (exposição acima da média) para os papéis, mas cortou o preço-alvo da ação para 2020 de R$ 12,50 a R$ 12,00. “As decisões fazem sentido para preservar o caixa e evitar o crescimento dos estoques. Nós esperamos uma queda nas vendas da Gerdau neste ano porque as condições da demanda pioraram e permanecerão assim, na nossa visão, pelo menos por alguns meses”, avalia o Morgan Stanley, notando que a Gerdau foi a segunda siderúrgica brasileira a abafar um alto-forno – a primeira foi a Usiminas, na semana passada.

O Bradesco BBI também manteve a recomendação neutra para as ações GGBR4, mas cortou o preço-alvo para R$ 10,00. O BBI cortou, contudo, estimativas para as vendas (-12%) e Ebitda (-30%) da Gerdau em 2020, embora tenha ressaltado que a empresa está em melhor posição que as outras siderúrgicas brasileiras, porque possui uma forte posição de mercado nos Estados Unidos.

Braskem (BRKM5)

A Braskem publicou na noite da sexta-feira passada (3 de abril) um press-release na CVM, no qual informou um prejuízo de R$ 2,9 bilhões no quarto trimestre de 2019. A empresa informou que obteve um lucro antes dos impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 993 milhões no quarto trimestre do ano passado, uma queda de 32% em comparação ao quarto trimestre de 2018.

A receita líquida da Braskem, no quarto trimestre do ano passado, também recuou, embora menos (12%) sobre igual trimestre do ano anterior, para R$ 12,6 bilhões.

A relação dívida líquida sobre o Ebitda deteriorou-se no quarto trimestre, para 3,70 vezes (3,7x), de 2,06 vezes (2,06 x) no quarto trimestre de 2018. No ano, a Braskem teria registrado prejuízo de R$ 2,79 bilhões. A empresa precisou resolver o problema no estado de Alagoas, onde o poder judiciário determinou que indenizasse moradores de quatro bairros próximos a uma unidade produtora de sal.

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“A empresa registrou o prejuízo líquido em função da provisão contábil no montante de R$ 3,38 bilhões referente à implementação, em Alagoas, do Programa de Compensação Financeira e Realocação, de ações para o fechamento de determinados poços de sal da companhia e do Programa para Recuperação de Negócios”, informou no press-release.

A petroquímica Braskem comunicou ao mercado que havia adiado a divulgação do seu balanço de 2019 e também cancelou a data da sua assembleia geral ordinária, por causa da epidemia do coronavírus. A assembleia da Braskem ocorreria dia 30 de abril na sede da empresa em Camaçari (BA).

O Banco Morgan Stanley avaliou que os resultados foram “fracos, mas em linha com o esperado”. Para o Morgan Stanley, houve uma deterioração por causa de uma demanda mais fraca e por preços ainda altos do petróleo, que prejudicaram os resultados da petroquímica.

“A provisão para o problema no estado de Alagoas também foi maior que a esperada, o que afetou os resultados”, avalia. As provisões foram de R$ 3,3 bilhões, ante uma expectativa do banco de R$ 2,7 bilhões. O Morgan Stanley manteve a nota da Braskem como equalweight (exposição em linha com a média do mercado), com preço-alvo de R$ 35,00 para a ação em 2020.

Bancos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) vedou temporariamente a distribuição de dividendos e o aumento da remuneração dos administradores das instituições financeiras. A medida do CMN se seguiu a um pedido feito pelo Banco Central para que os bancos informem seus planos sobre a distribuição de dividendos em 2020.

O Banco Central do Brasil quer ser informado sobre qualquer pagamento de dividendos em 2020 que supere o mínimo de 25% estabelecido na Lei. O BC ressaltou que as instituições financeiras brasileiras têm níveis confortáveis de capital e liquidez. O objetivo das medidas, afirma, é evitar o consumo de recursos que poderão ser utilizados para o crédito.

O Bradesco BBI comentou as medidas. Segundo o BBI, o pedido do BC sobre informações de dividendos é uma situação que acontece atualmente no mundo inteiro, porque os bancos centrais estão preocupados com a liquidez dos bancos, por causa da epidemia do coronavírus e da crise econômica.

“No Brasil, nunca houve uma situação em que o Banco Central tenha limitado a distribuição de dividendos. Em 2019, alguns dos grandes bancos distribuíram 60% dos lucros aos acionistas, como o Itaú. Para 2020, estamos considerando uma convergência entre 25% e 30%”, avalia o BBI.

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Em teleconferência com o mercado e com os investidores, Cândido Bracher, CEO do Itaú, destacou: “é uma medida sensata do BC, perfeitamente compreensível, no momento em que as autoridades estão injetando liquidez na economia, não gostaria de que isso fosse usado para pagar dividendos. Nós buscamos manter um nível de capital de 13,5% em relação aos ativos. Até por esse critério, o pagamento de dividendos não seria muito superior a isso. Então estamos satisfeitos com a determinação do Banco Central”.

Unipar (UNIP6)

A Unipar Carbocloro cancelou a sua Assembleia Geral Ordinária que deveria acontecer no dia 15 de abril na capital paulista, por causa da epidemia da Covid-19. A empresa informou que ao mercado que marcará nova data para a assembleia.

Guararapes (GUAR3)

A Fitch, uma das três maiores agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a nota da Guararapes, controladora da Lojas Riachuelo, por causa da pandemia do coronavírus. A nota da Guararapes foi de AA- para A+, ainda no grau de investimento. A Fitch, vale reparar, também rebaixou a nota da atacadista Martins e da Inbrands S.A., detentora da marca Ellus no Brasil.

No caso da Guararapes, a Fitch comentou que os negócios da empresa varejista “apresentam maior vulnerabilidade à queima de caixa, em decorrência da pandemia do coronavírus, e a recuperação de seus negócios deve ser mais lenta em comparação à da Martins, que possui exposição relevante ao segmento alimentar”.

A agência considera que “a perspectiva negativa da Guararapes contempla o maior risco de rebaixamento da companhia a curto prazo, caso os danos aos fluxos de caixa sejam superiores aos esperados pela agência, ou a liquidez se enfraqueça”. A Fitch teme que a relação dívida líquida sobre o Ebitda da Guararapes se posicione acima de 4,5 vezes (4,5x) em 2021.

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