Bradesco sobe com elevação do Goldman para neutro; ‘longo caminho, mas riscos precificados’

Movimento ocorre após forte queda das ações desde a divulgação do resultado do quarto trimestre

Lara Rizério

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O Goldman Sachs elevou a recomendação para as ações do Bradesco (BBDC4) de venda para neutra, um pouco mais de um mês após ter rebaixado a recomendação dos ativos do banco. O preço-alvo foi mantido em R$ 14 (ou US$ 2,80 por ADR, recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York), um potencial de alta de 2,6% em relação ao fechamento de segunda-feira (19). Na sessão desta terça-feira, os papéis fecharam com alta de 2,34%, a R$ 13,97.

De acordo com os analistas, no mês passado o rebaixamento se deu considerando os riscos negativos para o consenso e desafios estruturais para a rentabilidade. Para o banco americano, embora o posicionamento permaneça fundamentalmente o mesmo, a ação desvalorizou significativamente após os resultados do quarto trimestre de 2023 (4T23), uma baixa de 18%, ante queda de 1% do Ibovespa e avanço de 4% do setor.

Além disso, o anúncio do guidance pela administração e o plano estratégico de 5 anos do banco melhoram a visibilidade das previsões de lucros, embora a execução continue como um ponto de interrogação.

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“As mudanças culturais e na estrutura de gestão podem desenvolver histórias que melhorarão a competitividade. Já equilibrar a eficiência e os ganhos de participação de mercado pode ser algo desafiador no curto prazo, especialmente com a concorrência tanto das fintechs quanto dos operadores históricos”, avalia a equipe de análise.

A ação, por outro lado, está sendo negociada a um P/BV (preço sobre valor patrimonial da ação) equilibrado de 0,8 vez, o que o Goldman acredita refletir adequadamente os riscos negativos.

O Goldman manteve a estimativa de lucro líquido para 2024 em R$ 18,9 bilhões (+16% na comparação anual) com ROE (Retorno sobre patrimônio líquido) de 11,3%, que estima estar entre o ponto médio e superior do guidance.

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A recuperação da margem financeira do mercado e uma normalização parcial das provisões para perdas com empréstimos deverão impulsionar a maior parte da recuperação dos lucros, com possível vantagem resultante de uma melhoria do ciclo de crédito.

Além disso, a estimativa de lucro líquido para 2025 aumentou 5%, para R$ 23,7 bilhões, implicando um ROE de 13,2%, mais próximo da taxa de execução que espera para o 4T24. No entanto, as estimativas da casa ainda estão 6% abaixo do consenso da Bloomberg para 2024 e 8% abaixo para 2025. “As ações estão a ser negociadas a 7,7 vezes o P/L [preço sobre lucro] esperado para 2024, abaixo dos níveis históricos de 10 vezes e dos pares do setor privado a 8 vezes”, avalia.

Na véspera, cabe ressaltar, o Citi cortou o preço-alvo dos papéis do Bradesco de R$ 17,50 para R$ 15,70, mantendo a recomendação “neutra/alto risco”, também revisando estimativas para a instituição.

“Anteriormente, acreditávamos que a normalização da gestão dos ativos e passivos e do custo do crédito traria melhor visibilidade para a rentabilidade do Bradesco, em algum momento do segundo semestre. Contudo, embora o plano estratégico da nova gestão possa trazer melhor rentabilidade no futuro, parece adiar a sua recuperação e acrescenta muita incerteza ao caso”, avaliou.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.