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Renda variável

Bolsas globais já perderam mais de 11 vezes o PIB do Brasil em valor de mercado desde janeiro

Perda atual é de US$ 15,7 trilhões, segundo a Bloomberg, mas chegou a US$ 30 trilhões no fim de março

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(Getty Images)
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SÃO PAULO — Desde que atingiu o pico de US$ 89 trilhões em janeiro deste ano, o valor de mercado de todas as empresas de capital aberto no mundo já caiu US$ 15,7 trilhões, segundo dados da Bloomberg. É cerca de 11 vezes o PIB do Brasil em 2019, de R$ 7,3 trilhões, segundo o IBGE.

O valor já considera a retomada recente dos mercados, puxados pelas Bolsas americanas, a medida que os países têm anunciado medidas econômicas para conter o impacto negativo da pandemia de coronavírus.

Na pior fase da crise, no final de março, as perdas chegaram a US$ 30 trilhões — bem mais do que o PIB dos Estados Unidos, estimado em torno de US$ 21,5 trilhões no ano passado. Veja o gráfico abaixo.

Perda de valor de mercado das empresas globais de capital aberto
Perda de valor de mercado das empresas globais de capital aberto

Considerando a desvalorização de outros ativos além das ações, como imóveis, private equity e commodities, as perdas globais ultrapassam US$ 50 trilhões, segundo Otavio Costa, gestor da Crescat Capital. A gestora administra cerca de US$ 50 milhões e seu fundo macro teve um dos melhores desempenhos no mercado americano em 2019, com alta de 41%.

“O coronavírus foi a agulha que estourou a bolha. Estávamos vendo uma distorção de preços e fundamentos, não só do mercado aberto”, disse Costa. Para ele, “a gente ainda não atingiu o fundo do poço.”

“Quem vai socorrer quem? Não é uma situação fácil, nos EUA, o governo está quebrado. Sem ganho corporativo, sem gastos das pessoas, o governo vai receber muito pouco em impostos comparados aos gastos que terão nos próximos meses”, disse. “Se o PIB está caindo e o déficit está aumentando, a coisa vai explodir.”

Para Costa, os US$ 6 trilhões de ajuda anunciados até agora não serão suficientes para conter os efeitos negativos sob a economia americana: “devemos chegar aos US$ 10 trilhões no fim do ano se a coisa continuar assim.”

O gestor diz que há uma escassez de dólares fora dos EUA de cerca de US$ 13 bilhões. “Muitas oportunidades vão surgir num momento de crise, mas na nossa visão o setor que mais vai se beneficiar será o de metais, principalmente o ouro”, completou.

Na contramão, o Goldman Sachs avalia que, sim, o pior já passou — pelo menos para o mercado acionário americano. Isso se deve, segundo o banco, à postura de “fazer o que for necessário” da equipe do governo.

A combinação de apoio político sem precedentes e o achatamento da curva viral reduziu “drasticamente” os riscos para os mercados e para a economia dos EUA, disseram estrategistas como David Kostin em relatório.

Mas eles fazem uma ressalva: as Bolsas americanas só não vão atingir novas mínimas se os EUA não enfrentarem uma segunda onda de contágios após a reabertura da economia. Alguns estados do país já estão começando a relaxar a política de isolamento social, mesmo com o colapso observado em outros estados, como Nova York.

“O Fed e o Congresso impediram a perspectiva de um colapso econômico completo”, escreveram os estrategistas. Segundo o banco, essas políticas significam que a previsão anterior de curto prazo, de 2.000 pontos para o índice S&P 500, “não é mais provável”.

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