Blue chips voltam a ganhar destaque em carteiras recomendadas de fevereiro

Vale lidera as recomendações, seguida de Petro e Itaú Unibanco; OGX, PDG e Gerdau também são lembradas pelas corretoras

Por  Nara Faria

SÃO PAULO – É notável a mudança do cenário do mercado de ações no Brasil após a virada do ano de 2011 para 2012.O Ibovespa, que encerrou 2011 com queda de 18,11%, apresenta valorização de quase 15% desde o início desde ano. O bom momento do índice reflete alguns sinais de melhora na economia global, com os Estados Unidos e China revelando indicadores econômicos acima das expectativas do mercado.

A Zona do Euro também vem contribuindo com o entusiasmo dos investidores, com as expectativas de que as negociações caminhem para finalizações positivas. Para o analista Paulo Esteves,  da Gradual Investimentos, um bom indicativo da percepção mais positiva dos agentes financeiros foi o sucesso dos últimos leilões de títulos de dívidas soberanas de países da Zona do Euro, com queda das taxas de juros, apesar dos rebaixamentos dos ratings de vários países da região.

Perspectiva para fevereiro
Mesmo que persistam grandes desafios acerca da retomada do crescimento econômico no velho continente, a volta da liquidez do mercado de capitais já traz um bom alívio aos investidores e diminui a tensão sobre o sistema financeiro, na opinião de Esteves. Além disso, os analistas Eduardo Dias e Felipe Rocha, da Omar Camargo Corretora, afirmam que as rolagens de dívidas de Espanha e Itália serão decisivas e influenciarão os mercados durante o primeiro trimestre de 2012.

Analistas da Coinvalores revelam ainda a expectativa de um desempenho positivo para o benchmark brasileiro para o mês de fevereiro, porém menos intenso que o desempenho do primeiro mês do ano. “O foco permanece no noticiário europeu e em indicadores de atividade dos Estados Unidos e China, além de informações ligadas às perspectivas de políticas monetárias e fiscais no Brasil”, sinalizam os analistas.

No cenário doméstico, o destaque fica para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir a taxa Selic em 50 pontos-base, para 10,5% ao ano, demonstrando ainda na ata do Copom sua intenção em levar a taxa básica de juros a um dígito, dando sinais de que a economia do front doméstico deve continuar aquecida nos próximos meses. 

Vale volta a liderar recomendações
Diante da maior exposição aos ativos mais ligados ao cenário externo, as blue chips – ações com maior volume de negociações na bolsa -, ganham espaço nas carteiras de recomendações para o mês de fevereiro, de acordo com compilação realizada pelo Portal InfoMoney por meio de 28 carteiras recomendadas para o mês de fevereiro.

Os portfólios selecionados utilizados para a compilação foram da Amaril Franklin, Ativa, Bank of America Merrill Lynch, BB Investimentos, Bradesco, BTG Pactual, Coin, Credit Suisse, Geração Futuro, Geral, Gradual, HSBC, Itaú BBA, Novinvest, Omar Camargo (2 carteiras), PAX, Planner, Rico, SLW, Socopa, Souza Barros, TOV, UM, Walpires, XP (2 Carteiras) e Win.

Nesta compilação, que não considerou apenas os portfólios com sugestões de ações que tenham perspectiva de pagamento de proventos, a mineradora Vale (VALE5) voltou a ocupar o primeiro lugar no ranking no mês de fevereiro com seis votos a mais que no mês anterior, somando no período 16 citações.

No mês de janeiro a companhia havia recebido 10 votos e com isso ficou com a terceira colocação entre as mais recomendadas – com o Itaú Unibanco (ITUB4) e Petrobras (PETR4) ocupando a primeira e segunda colocação com 16 e 15 votos, respectivamente.

Os analistas da Ativa Corretora explicam que no mês de janeiro as ações PNA da Vale tiveram valorização de 11,9%, mostrando uma mudança na percepção de risco dos investidores estrangeiros no Brasil, “vide o recorde de fluxo positivo de capital externo no início do ano, tem favorecido as empresas com valuation defasado, como da mineradora Vale”.

Em complemento, para os analistas Osmar Camilo e Marcelo Varejão, da Socopa Corretora, apesar de a recente queda no preço do minério de ferro ser negativa para a Vale, a tendência não deve ser mantida no médio prazo.

Além disso, a China reduziu o depósito compulsório sobre depósitos, primeira medida adotada pelo país para estimular a economia interna, com reflexo direto na demanda por commodities. “Acreditamos que o cenário ainda é favorável para as mineradoras no horizonte de médio prazo, além de considerarmos que os papéis da Vale estão sendo negociados a múltiplos atrativos no mercado”, completam os analistas da Socopa.

Ademais, a diretoria da companhia aprovou uma proposta para pagamento de remuneração mínima aos acionistas para 2012 no valor de US$ 6 bilhões. “O montante é 50% superior à anunciada em 2011, demonstrando a preocupação do management em garantir o retorno de recursos para os acionistas e a confiança na sua geração de caixa para 2012”, lembra os analistas da Ativa.

Petrobras: efeito Foster
A Petrobras (PETR3, PETR4) também vem recuperando espaço nas carteiras de recomendações mensais, registrando no mês de fevereiro 14 votos, ante os 12 votos no mês de janeiro deste ano. Para os analistas da Gradual Investimentos, o atual do preço da ação não condiz com os fundamentos da Petrobras e com as perspectivas de desempenho com as novas descobertas. Além disso, o novo plano de investimentos, finalmente aprovado, destravou a agenda da empresa e lançou sinais positivos para o mercado.

Destacamos a maior disciplina financeira, a ênfase dos investimentos em exploração e produção e o cenário de crescimento vigoroso da demanda doméstica de derivados de petróleo nos próximos anos, frente à previsão de salto da produção de petróleo e gás dos atuais 2,8 milhões para 6,4 milhões de boe/dia em 2020.

“A escolha de Graça Foster como nova CEO (Chief Executive Officer) é emblemática para a nova fase da Petrobras”, afirma os analistas da Gradual. De acordo com a corretora, com um perfil mais técnico, a nova gestão deverá concentrar esforços na expansão da produção da companhia nos próximos anos, principal desafio da Petrobras.

Itaú Unibanco
Apesar de ter perdido a primeira colocação para a Vale e Petro em relação à compilação do mês de janeiro, o Itaú Unibanco (ITUB4) permanece entre as mais citadas, ocupando a terceira colocação no ranking com 13 citações em fevereiro – três votos a menos que no mês anterior, quando somou 16 aparições. 

Apesar de ainda ser considerada atrativa, a UM Investimentos, reduziu a exposição às ações da companhia depois de uma alta valorização do papel no final de 2011, mas mantém as ações do banco na carteira. “Acreditamos ainda em uma boa performance do papel em 2012, principalmente através do cenário positivo de concessão de crédito no Brasil e crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no país”, explica a equipe de análise da corretora. 

Gerdau e OGX
A Gerdau (GGBR4) também ganho espaço no período, passando de cinco citações no mês de janeiro deste ano para oito neste mês. Para Leandro Martins, da Walpires Corretora, tanto as ações da Vale e Petro, como os ativos GGBR4, foram penalizadas em 2011, que são favorecidas com a entrada da tendência altista decorrente da retirada do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), quedas da taxa de juros e entrada de capital estrangeiro em nossa renda variável.

Outra blue chip que ganhou destaque entre as recomendações em carteira para o mês de fevereiro, foi a OGX (OGXP3), com as recomendações em carteira da empresa saltando de sete em janeiro deste ano para 11 no mês de fevereiro. De acordo com os analistas da Omar Camargo, o principal destaque para o período foi a valorização de mais de 20% das ações da petrolífera, ocasionada pela expectativa do início das atividades operacionais da empresa. 

Os analistas da Planner Corretora explicam que o mês de janeiro foi importante para as operações da OGX, marcando o início da exploração comercial em Waimea e também o anúncio da descoberta de óleo em sua área na Bacia de Santos. Assim, o nível de risco envolvido na operação teve uma significativa redução, e há grande expectativa quanto à sua nova descoberta, uma vez que se trata de uma região com grande potencial.

PDG ganha destaque no setor imobiliário
Por fim, vale destacar ainda o aumento da participação da PDG (PDGR3) nos portfólios de recomendações mensais para o período. Os ativos da empresa, que possuem a maior média de volume financeiro entre as companhias do setor imóbiliário, foram citadas em sete carteiras em fevereiro – seis votos a mais que no mês anterior.

Os papéis da empresa apresentaram valorização de 20,8% no mês de janeiro. Apesar disso, os analistas da Planner Corretora acreditam que ainda há espaço para ganho, considerando que a ação estava fortemente penalizada no final do ano, mesmo tendo mostrado resultados consistentes nos nove últimos meses de 2011. Além disso, os analistas apostam em bons resultados para o quarto trimestre de 2011, embora a divulgação dos resultados esteja agendada somente para o final de março.

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