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Desvendando o lado obscuro do mercado de criptomoedas

Deve-se verificar muito bem as fontes de informação antes de investir, além de estudar o ativo desejado para não ser prejudicado futuramente

Criptomoedas
(Shutterstock)

SÃO PAULO - As maiores partes interessadas no mercado de criptomoedas são as corretoras, os idealizadores de altcoins e os sites responsáveis pelos rankings de Criptomoedas, que trabalham em conjunto com as duas primeiras classes para extrair valores de um grupo do mercado: Os investidores individuais, que, por sua vez, sustentam toda a operação com infusões de capital próprio. Essas palavras contundentes sintetizam o artigo publicado por Nic Carter, criador do site analítico Coinmetrics.io.

Conforme Carter, é importante expor para avaliação todo esse organismo pulsante que permeia o mercado para que os investidores entendam a natureza do jogo que eles estão jogando, muitas vezes de modo inconsciente ou pueril.

Existem 2 tipos de corretoras na indústria: as que aceitam moeda fiduciária e as que aceitam apenas criptomoedas, denominadas pelo autor de “cassinos de altcoins”. As corretoras que aceitam moedas fiduciárias, como Real, Dólar, Euro e Libra tendem a ser mais regulamentadas, funcionam de forma semelhante a bancos já estabelecidos e podemos tomar como exemplo Coinbase e Gemini.

Já as outras corretoras que o autor cita são os cassinos de altcoins, como a Binance, pois tendem a ser levemente ou não regulamentadas, ficam localizadas em países como Seychelles, Malta, Lituânia e Estônia, além disso, alternam de jurisdição para jurisdição visando evitar os olhos dos reguladores.

Carter ressalta que a desconfiança dessas corretoras é permeada por uma baixa diligência de Compliance, possibilidade de haver lavagem de dinheiro e por não lidarem com moedas fiduciárias, tendo BTC, ETH e outras altcoins como moedas de entrada aos “cassinos”.

O uso dessas exchanges acaba sendo recorrente em muitos casos, pois a indústria de altcoins incentiva a compra das moedas nessa plataforma como apostas para a grande parte dos usuários que são day traders e querem acesso ao mercado 24/7 global.

Relação entre Desenvolvedores, Corretoras e Sites de Ranking
A essência da forte crítica do autor está, segundo ele, na relação simbiótica entre os criadores de altcoins, as corretoras e os sites de rankings. Esses sites monetizam a relação com as exchanges vendendo anúncios, colocando links para os sites das empresas, vendendo API’s mais sofisticadas para traders e banners em seus sites.

É um dinheiro relativamente fácil para os sites, que são os que centralizam as calls para investidores buscando novas oportunidades, e uma quantia muito bem aplicada para os desenvolvedores, visto que a visibilidade, a liquidez e o preço dos ativos aumenta consideravelmente.

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O problema já foi  diagnosticado por grande parte do mercado, tanto que temos corretoras se posicionando em relação ao assunto, como o exemplo do Tweet do Jesse Powell, CEO da Kraken, explicando que a corretora não tem taxas de listagens e nem add-ons em sites de rankings.

Problemas Centrais
Os problemas centrais consistem nos sites de rankings listarem as altcoins dos desenvolvedores em seus endereços promovendo a liquidez dos ativos sem ao menos verificar a idoneidade da moeda, ademais, a “falsa liquidez” é promovida pelas corretoras cassino, em sua maioria não regulamentadas e não monitoradas, para abastecer esse mesmo ecossistema que acaba sendo permeado pela desconfiança.

A “Troika” (Corretoras Cassino l Desenvolvedores l Rankings), termo usado pelo autor, mostra para o mercado como os interesses estão interligados e como os investidores são pouco educados sobre o assunto. Hoje, o mercado de Criptomoedas é uma realidade e cabe a cada um utilizar fontes confiáveis para que as todos os agentes envolvidos não sejam incentivados a divulgar informações falsas para parecerem mais líquidos do que realmente são.

Faz-se necessário um esforço coletivo das corretoras e dos investidores para que não sejam listados projetos mal-intencionados. Portanto, deve-se verificar muito bem as fontes de informação antes de investir, além de estudar o ativo desejado para não ser prejudicado futuramente e tornar o mercado mais confiável para os agentes.

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