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Criptoativos

Bitcoin em P2P: como funciona e por que o Brasil é um dos países em que este tipo de negociação mais cresce

Diante do grande risco de fraudes, cresce o número de plataformas que visam facilitar e dar segurança para quem negocia criptomoedas em P2P

(iStock / Getty Images Plus)

SÃO PAULO – No documento que estabeleceu a criação do Bitcoin, publicado em 2008 por Satoshi Nakamoto, outros conceitos também foram lançados, sendo o mais conhecido o de blockchain, que hoje sustenta a ideia dos criptoativos.

Mas uma outra ideia sugerida por Satoshi, a do Peer-to-peer (P2P), hoje volta a ganhar bastante força, mesmo sendo algo que não só estava no documento de criação do Bitcoin, mas existe desde a criação dos computadores.

O conceito em si, em tradução livre, seria algo como ponto a ponto, e ganhou bastante popularidade com o download de músicas com a criação do Napster. Hoje, quem baixa arquivos via torrent também utiliza deste serviço. Basicamente a ideia é que, ao invés de usar um servidor central, o sistema se utilize de todos os computadores que estão usando o serviço para distribuir a informação ou dados uns para os outros.

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No mundo dos criptoativos, o P2P é o meio utilizado quando os usuário não querem ser intermediados pelas exchanges. Combinado à ideia de descentralização da blockchain, esta forma de pagamento simplesmente permite que uma pessoa transfira bitcoins (ou outra moeda) diretamente para outra e receba seu pagamento.

Mas em um mundo virtual, em que as pessoas não se conhecem direito, o grande risco que surgiu com o P2P é o de uma pessoa transferir os criptoativos sem receber o dinheiro do outro lado. Grupos em Facebook e outras redes sociais aumentaram muito nos últimos anos para criar um ecossistema para quem quer usar este mecanismo de troca, mas não consegue evitar as fraudes.

Contudo, mesmo com o aumento dos riscos, o P2P sobreviveu e continuou sendo bastante buscado. O motivo para tanto é a desconfiança de muitos investidores desse mercado sobre as exchanges, que cobram taxas altas, além de não gostarem da ideia de regulação e necessidade de declararem seus ganhos para órgãos de governo.

Apesar disso, segundo Josh Goodbody, diretor de negócios institucionais para Europa e América Latina da Binance, exchanges e P2P devem coexistir no mercado cripto.

“À medida que o mercado amadurece e as exchanges oferecem plataformas mais amigáveis aos novatos, a tendência é aumentar a reputação e a autoridade, e as pessoas naturalmente seguirão esse caminho. Mas sempre haverá o mercado P2P, é daí que tudo surgiu e é muito pouco provável que deixe de existir”, diz ele em entrevista ao InfoMoney.

Diante disso, tem crescido o número de plataformas que buscam dar segurança para quem quer fazer transferências via P2P, permitindo inclusive que as pessoas recebam diretamente em reais. Uma das mais conhecidas é a LocalBitcoins, que cria uma grande rede de usuários cadastrados para negociação de bitcoins, ajudando a garantir que as duas partes recebam o que for acordado.

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Há ainda o Catálogo P2P, que expande para a negociação de outros criptoativos. Nestes sistemas, além da realização de um cadastro, os usuários podem escolher os preços que serão praticados, quais as formas de pagamento, além de receberem notas e comentários de outras pessoas, o que ajuda a dar mais credibilidade para aquele negociante.

Outra opção é o Programa Global P2P Merchants, criado pela Binance, maior exchange do mundo em volume negociado. Lançado em março na América Latina, ele já conta com cerca de 600 usuários no mundo todo, com negociação média diária de US$ 10 milhões. E agora eles estão buscando aumentar o número de participantes do programa no Brasil.

Isso porque o País tem sido um dos maiores expoentes do mundo no uso do P2P. Segundo dados da Receita Federal divulgados em maio, as negociações que ocorreram fora dos livros de ordens de exchanges movimentaram cerca de R$ 8 bilhões entre agosto de 2019 e fevereiro de 2020.

Segundo Goodbody, dois fatores explicam esta alta buscar por P2P no Brasil. O primeiro é o fato de ser mais fácil para comprar e vender, já que o usuário não precisa saber ler livros de ofertas, gráficos ou qualquer outro tipo de intermediário de negociação, basta uma conversa e realizar a transferência.

Outro fator que pesa para o brasileiro é a liquidez. O diretor da Binance explica que muitas exchanges do País sofrem de baixa liquidez, o que significa que um cliente que deseja executar um grande pedido teria que executar vários pedidos no livro de ofertas, arriscando sofrer com uma grande variação no preço até a ordem ser executada.

Apesar de não ser um fator decisivo no Brasil, países em grave crise financeira, caso de Argentina e Venezuela na América do Sul, também impactam bastante o volume de negociações P2P.

Segundo dados do site Coin Dance, utilizando o volume negociado pela LocalBitcoins, os dois países tiveram um estouro no P2P desde o ano passado. A Venezuela atingiu um volume recorde de 997,7 bilhões de bolívares (cerca de R$ 23,87 milhões) na primeira semana de junho, enquanto na Argentina a máxima histórica negociada ocorreu em maio.

E mesmo sendo algo sugerido na criação do Bitcoin, o P2P pode afastar os investidores mais iniciantes por conta dos grandes riscos. Contudo, isso começa a mudar com estas plataformas de negociação. Apesar disso, Goodbody ressalta que “é importante que os novatos estudem o mercado antes de entrar”.

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Com isso, o mercado de criptoativos segue crescendo, ganhando mais opções para todos os tipos de investidores ou para aquelas pessoas que só querem usar as moedas digitais para fazerem pagamentos. E se o mercado vai ficando mais democrático, ele também atrai mais adeptos, o que pode ajudar o preço no longo prazo.

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