Alta de 148% no ano

Bank of America retoma cobertura de Braskem com recomendação de compra e vê potencial de alta de 44% para as ações

Recomendação se baseia nos fundamentos positivos para a companhia, fluxo de caixa sólido e expectativas de retomada do pagamento de dividendos em 2022

SÃO PAULO – Apoiado nos fundamentos positivos, fluxo de caixa sólido e expectativas de retomada do pagamento de dividendos, o Bank of America retomou a cobertura das ações da Braskem (BRKM5) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 84, o que implica potencial de alta da ordem de 44% ante o fechamento de segunda-feira (20).

Na avaliação do banco americano, a companhia deve se beneficiar de margens petroquímicas positivas – que devem, segundo os analistas, permanecer em níveis atrativos, embora abaixo dos picos recentes.

A recuperação econômica no Brasil e nos mercados internacionais, que deve, segundo o BofA, suportar uma demanda forte por produtos petroquímicos, bem como uma liderança em polietileno verde (PE) também estão entre as justificativas. Segundo os analistas, apesar da forte alta das ações na Bolsa, o valuation permanece favorável.

“Esses fatores devem permitir à Braskem a manutenção de altos níveis de lucros nos próximos anos e suportar uma maior valorização das ações”, escreve o BofA, em relatório.

No acumulado do ano até ontem, os papéis BRKM5 apresentavam alta de 147,7% na Bolsa, configurando-se como o segundo melhor desempenho do Ibovespa, atrás apenas de Méliuz (CASH3), que tinha ganhos de 168%.

De acordo com o BofA, a evolução positiva dos resultados da companhia deve permitir à Braskem continuar melhorando seu perfil de dívida e financiando projetos de expansão. Além disso, uma perspectiva positiva de fluxo de caixa deve contribuir para a retomada do pagamento de dividendos no primeiro semestre de 2022.

O time de análise também vê potencial para melhorias estruturais que podem beneficiar o valuation das ações.

Eles citam que os controladores da Braskem, Novonor e Petrobras (PETR3; PETR4), indicaram que podem reduzir sua participação na empresa. Isso pode incluir a venda total a um terceiro ou a venda das participações via oferta pública.

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Leia mais: Novonor diz ainda não ter decisão sobre como vai vender participação na Braskem

“Tal venda pode ser precedida por um colapso da estrutura acionária (conversão de ações sem direito a voto em ações com direito a voto), o que pode ser positivo para os valutions”, escrevem os analistas.

Há ainda perspectivas de uma entrada da Braskem na Ásia, o que anima analistas. Isso porque a Braskem anunciou recentemente que sua subsidiária Braskem Netherlands assinou um memorando de entendimento com a SCG Chemicals, uma das maiores empresas petroquímicas integradas da Tailândia.

Juntas, as empresas vão analisar a possibilidade de investir em uma nova planta de PE Verde na Tailândia, dentro do complexo da indústria petroquímica da SCG.

“Se aprovado, marcaria a entrada das operações da Braskem no mercado asiático, por meio de uma expansão do PE verde que pode dobrar sua capacidade atual”, escreve o Bofa.

O banco destaca, contudo, que a decisão final de investimento é esperada para 2022 e que a construção da planta e o início das operações podem levar de dois a três anos, não devendo impactar a companhia antes de 2025.

“Embora vejamos um cenário positivo para upside das ações daqui para frente, novas altas dependem de um ambiente de preço e margem positivo para os petroquímicos globais nos próximos anos”, escrevem os analistas.

Além da possível volatilidade nos preços e margens dos produtos químicos, demais riscos para a tese, segundo o BofA, recaem sobre o cenário de incerteza política no Brasil e possíveis mudanças econômicas no país, que poderiam impactar os negócios da Braskem.

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