Democratização do mercado

B3 alcança marca de 4 milhões de contas de pessoas físicas em outubro; número de investidores chega a 3,4 milhões

No terceiro trimestre de 2021, as pessoas físicas que operaram no segmento de equities pelo menos uma vez por mês superou 1,5 milhão

Por  Mariana Segala

SÃO PAULO – A B3 bateu a marca histórica de 4 milhões de contas de pessoas físicas em renda variável em outubro. Em número de CPFs, os investidores somam 3,4 milhões (uma mesma pessoa pode ter conta em diversas corretoras), com um total de R$ 490 bilhões mantidos na Bolsa.

Segundo um estudo trimestral com dados até setembro de 2021, também divulgado hoje pela B3, o número de investidores em ações cresceu 26% na comparação com setembro de 2020. O aumento foi de 40% especificamente nos fundos de investimento imobiliários (FIIs), de 96% nos fundos de índices (ETFs) e de 1.414% nos BDRs (Brazilian Depositary Receipt), na mesma comparação.

De acordo com o material, nos últimos 12 meses houve um aumento de 800 mil investidores pessoas físicas no mercado de capitais, que já representam 16% do total de recursos investido em equities – categoria que considera ações à vista, FIIs, ETFs, BDRs e outros produtos – na B3.

Segundo a B3, o número médio de investidores que fazem ao menos um negócio no mês está acima de 1 milhão desde 2020. No terceiro trimestre de 2021, as pessoas físicas que operaram no segmento de equities pelo menos uma vez por mês superou 1,5 milhão. Em 2019, o número era de cerca de 500 mil. Atualmente, esses investidores são responsáveis por 24% do volume negociado na B3.

A Bolsa informou ainda que a carteira dos investidores tem ficado mais diversificada. Em 2016, 78% das pessoas físicas detinham apenas ações em seus portfólios, um percentual que caiu para 49% em 2021.

Cresceu o número de pessoas físicas que possuem vários ativos na carteira: um a cada dois investidores têm mais de cinco tickers, segundo a Bolsa. Em 2016, 39% deles possuíam apenas um ativo, contra 21% atualmente.

“A leitura é que precisamos sair do debate da renda fixa ou renda variável. O brasileiro vem aprendendo que pode diversificar sua carteira com oportunidades em renda fixa e renda variável”, diz Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3.

Em setembro de 2021, as empresas que possuíam mais pessoas físicas na base acionária eram Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Itaúsa, Magazine Luiza, Oi, Petrobras, Sanepar, Taesa e Via Varejo. Já entre os BDRs, os preferidos por esses investidores eram Apple, Amazon, Alibaba, Coca Cola Company, Walt Disney, Facebook, Alphabet (controladora do Google), Mercado Livre, Microsoft e Tesla.

Democratização do mercado

Com o aumento do número de investidores, o levantamento da B3 indica que houve uma queda no saldo mediano em custódia das pessoas físicas em ações – de R$10 mil no final de 2019 para para R$ 6 mil em 2021.

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Também diminuiu o primeiro investimento das pessoas físicas na renda variável. O valor médio, que já foi de cerca de R$ 1.500, hoje é de R$ 273. Só em setembro de 2021, 46% dos novos investidores aplicou até R$ 200.

A Bolsa atribui a mudança a iniciativas do mercado, como a flexibilização do acesso das pessoas físicas aos BDRs e o aumento do número de ETFs disponíveis, incluindo de criptomoedas.

Renda fixa

A B3 aponta também o crescimento na base de pessoas físicas em renda fixa. Há, segundo a Bolsa, 9,6 milhões de investidores em produtos dessa classe, considerando Certificados de Depósito Bancário (CDB), Recibo de Depósito Bancário (RDB), Letra de Crédito (LC), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), debêntures, notas comerciais e Letras Hipotecárias (LH).

O aumento, em relação ao final de 2020, foi de 11% no número de CPFs e de 17% no saldo em custódia.

Os CDBs são o principal produto de renda fixa das pessoas físicas, somando 6,8 milhões de investidores e saldo de R$ 473 bilhões. Os RDBs vêm em segundo lugar, com 2,3 milhões de CPFs, seguidos pelas LCIs (907 mil pessoas físicas) e as LCAs (593 mil pessoas físicas).

Cresceu também o número de investidores no Tesouro Direto, chegando a 1,7 milhão de pessoas físicas – um avanço de 16% desde 2020.

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