Visões dos executivos e de analistas

Assaí (ASAI3) projeta alta do movimento nas lojas no 2º tri; ação avança após resultado sólido

Segmento de cash & carry – ou atacarejo – mostra resiliência em meio à persistência da inflação

Por  André Cabette Fábio -

Os resultados do Assaí (ASAI3) do primeiro trimestre de 2022 (1T22) foram considerados positivos e as ações registraram um dia de ganhos na B3, fechando com avanço de 3,46%, a R$ 15,27.  Contudo, mais além dos dados fortes do período, a companhia sinalizou que os números ainda devem melhorar.

Em teleconferência de apresentação de resultados, Belmiro de Figueiredo Gomes, CEO do Assaí, afirmou que o movimento de abril e maio leva a crer que o segundo trimestre registrará crescimento acima de 30%. De acordo com Gomes, em abril o crescimento de vendas em mesmas lojas (SSS na sigla em inglês) foi próximo a 40%.

Segundo o balanço, as vendas mesmas lojas cresceram 6,7% no 1T22 frente ao mesmo período do ano anterior. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado cresceu 17,3% no 1T22, totalizando R$ 752 milhões.

Já a margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) ajustada atingiu 6,6% nos três primeiros meses do ano, baixa de 0,2 ponto percentual (p.p.) frente a margem registrada em 1T21.

Gomes afirmou que o avanço de abril ocorreu em todos os locais do Brasil, com destaque para regiões turísticas, incluindo aquelas mais distantes, de turismo interno. Em se tratando de desempenho regional, as vendas foram um pouco mais fortes no Sudeste.

O executivo ressaltou que as regiões em que o Assaí tem maior participação de mercado ficam fora de São Paulo, como Goiás e Ceará. Segundo o executivo, boa parte das lojas a serem abertas neste ano ficam fora de São Paulo, mas todas as regiões têm projetos de crescimento de novas unidades.

A equipe de research do Bradesco BBI destacou em relatório sobre análise de resultado o crescimento de vendas resiliente do Assaí, com a administração observando que o crescimento das vendas mesmas lojas acelerou ao longo do trimestre e atingiu dois dígitos para fevereiro e março juntos.

Em um ambiente macro difícil, o resultado reforça a capacidade do conceito Cash & Carry (ou atacarejo) de repassar a inflação para os clientes e, no caso da companhia, isso foi alcançado com pressão mínima de margem (que está relacionada à aceleração da expansão das lojas, ao invés de pressão da inflação).

Para o Credit Suisse, a companhia apresentou resultados de alta qualidade. “Mais uma vez, o Assaí conseguiu proteger a margem bruta, refletindo a maturação acelerada de novas lojas, bem como sua estratégia comercial bem-sucedida e ajustes efetivos de sortimento de produtos, mesmo em um ambiente de consumo mais desafiador tendências para baixo”, diz em  relatório o banco suíço.

O rígido controle de despesas compensou parcialmente o ritmo acelerado de inaugurações nos últimos 12 meses (32 lojas) e os custos pré-operacionais relacionados às conversões do Extra Hiper, levando as despesas de gerais e administrativas a permanecerem praticamente estáveis ​​em 9,6% das vendas.

Aumento de despesas

Na teleconferência, Gomes afirmou que a aceleração de vendas leva a um efeito de diluição das despesas. Apesar disso, com a abertura de lojas, deve haver aumento do indicador, de cerca de 40 pontos base.

Segundo o balanço, as despesas com vendas, gerais e administrativas do Assaí somaram R$ 1,097 bilhão no 1T22, crescimento de 22,8% em relação ao mesmo período de 2021.

Anderson Barres Castilho, vice-presidente de operações, avaliou esta alta como pequena, e destacou a abertura de 28 lojas em 2022, o que leva a um “pequeno peso” no primeiro trimestre. O segundo trimestre deve ser impactado por ações pré-operacionais, como contratações para as novas lojas, afirmou.

Foco em conversões do Extra

Com relação ao R$ 1 bilhão a ser recebido do fundo imobiliário, Daniela Sabbag Papa, CFO do Assaí, afirmou que a empresa não deve usar o valor para pré-pagar dívidas, e que a prioridade agora é investimento nas conversões de lojas do Extra, comprado pelo Assaí em outubro de 2021.

Segundo o balanço, a dívida líquida da companhia ficou em R$ 6,527 bilhões no final de março de 2022, uma elevação de 35,9% em relação ao mesmo período de 2021.

Belmiro Gomes afirmou que o que interessa na conversão são os pontos comerciais, e que as lojas do Extra garantem capilaridade para a empresa. Segundo o executivo, a companhia trabalha atualmente com um número de conversões maior do que o anteriormente divulgado.

De acordo com Gomes, a empresa mantém como alvo o valor de R$ 100 bilhões em vendas em 2024, anunciado durante a compra do Extra, em outubro de 2021.

Os investimentos no primeiro trimestre de 2022 atingiram R$ 3,5 bilhões e incluem: 5 lojas orgânicas inauguradas, 7 lojas orgânicas em construção e o início das conversões de 40 lojas de hipermercado em Assaí.

Impacto da inflação

Wlamir dos Anjos, vice-presidente comercial do Assaí, afirmou que, com a inflação persistente, os consumidores buscam mais o modelo cash and carry. Além disso, em meio ao fechamento de lojas Extra Hiper houve aumento de market share (participação de mercado) do Assaí.

Segundo o executivo, as vendas de algumas categorias que têm a ver com a pandemia, como produtos de limpeza, sabão, álcool, “caíram abruptamente” no início de 2022. O executivo avaliou que a inflação não é positiva, mas a empresa vem sendo capaz de entregar uma resposta aos consumidores.

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