Black Friday na Bolsa?

As 10 ações baratas que são oportunidade de compra, segundo a XP

Foram selecionadas ações de sete setores diferentes, sendo que varejo e energia contaram com mais de um papel

SÃO PAULO – A Black Friday é conhecida pelas promoções oferecidas no comércio e, entrando neste clima, a equipe da XP Research elaborou um relatório com as ações da bolsa que oferecem as melhores oportunidades de compra.

Para avaliar as “ações da Black Friday”, os analistas utilizaram a análise de múltiplos. “Basicamente, essa metodologia estabelece um comparativo do desempenho econômico-financeiro de empresas com características similares de mercado, como o porte e o setor de atuação das companhias”, explicam.

Foram selecionadas 10 ações de sete setores diferentes, sendo que varejo e energia contaram com mais de um papel.

Confira as ações escolhidas e as explicações de cada uma:

JBS (JBSS3)

Segundo a XP, a empresa de proteína negocia a 5,5 vezes EV/EBITDA (valor da empresa em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estimado para 2020.

Para os analistas, este é um múltiplo atrativo, sendo que a empresa deve continuar reportando fortes resultados nos próximos trimestres, impulsionados também pelo ambiente favorável para o setor devido à peste suína africana na China e pela expectativa de uma listagem das ações nos Estados Unidos.

Unidas (LCAM3)

Já a locadora de veículos Unidas negocia a cerca de 17 vezes o preço/lucro, um desconto de mais de 30% em relação às ações da concorrente Localiza, de acordo com a equipe da XP.

“Apesar da forte alta no ano [+40,5%], ainda vemos o papel como uma opção interessante e atrativa. O forte crescimento e a melhora sequencial desde a fusão com a Locamerica são algumas das razões para a recomendação”, avaliam.

Banco do Brasil (BBAS3)

O banco estatal negocia a um preço de 1,3 vez o seu valor patrimonial, o que representa um desconto de 34% em relação ao Bradesco (BBDC4) e de 46% em relação ao Santander (SANB11). Com isso, a XP acredita que há espaço para valorização das ações, ainda mais diante da expectativa de maiores lucros para a empresa em 2020 e grande potencial para expansão da carteira de crédito.

Vale (VALE3)

O múltiplo da mineradora Vale é de 4,6 vezes o EV/EBITDA estimado para 2020, 12% abaixo da média histórica da mineradora. E mesmo com uma expectativa de preços menores de minério de ferro no ano que vem, os analistas apontam que a geração de caixa ainda é muito forte, podendo chegar num retorno de fluxo de caixa em torno de 14% em 2020.

Pão de Açúcar (PCAR4)

Enquanto o setor de varejo de alimentos tem um múltiplo P/L (preço sobre o lucro) de 23,5 vezes para 2020, o Pão de Açúcar negocia em 14,2 vezes. Já o múltiplo implícito da operação do GPA no Brasil é de 11,6 vezes, contra 16,9 vezes para o Carrefour Brasil.

“Com o processo de reestruturação dos ativos do Casino na América Latina e a migração das ações para o Novo Mercado (esperada para 2020), acreditamos que o atual desconto das ações não é justificado, ou seja, o preço atual é uma boa oportunidade de compra em relação aos concorrentes”, avaliam os analistas.

Via Varejo (VVAR3)

O caso da varejista, dona de Casas Bahia e Ponto Frio, é um pouco diferente. Os analistas lembram que ela oferece um “risco-retorno assimétrico”, dado o processo de reestruturação que ela passou com a nova diretoria.

Segundo a XP, como o lucro da Via Varejo está comprimido, após um período de erros operacionais que levaram a um fraco desempenho de vendas, os analistas preferem olhar par o múltiplo EV/GMV (Valor da Empresa sobre as Vendas Online) ao invés do P/L.

Com isso, as ações da varejista negociam a 0,4 vez para 2020, um preço baixo em relação aos concorrentes Magazine Luiza e B2W, com 1,9 vez e 1,0 vez, respectivamente.

AES Tietê (TIET11)

No caso do setor elétrico e de saneamento, a XP aponta que a melhor métrica para se avaliar as ações é a Taxa Interna de Retorno (TIR), que corresponde à taxa de rentabilidade de um investimento. Por exemplo, um múltiplo de 10% significa que os fluxos de caixa projetados remuneram o investimento feito com uma taxa anual de 10%.

No caso da AES Tietê, a taxa é de 14,9%, um desconto alto por causa das preocupações do mercado com a falta de chuvas prevista nos próximos anos e consequências para as geradoras hidrelétricas.

Energias do Brasil (ENBR3)

Já a EDP negocia a uma TIR de 12,7%, o que para os analistas é “um desconto injustificado” em relação aos seus concorrentes privados no setor elétrico, que negociam a 10,6%.

“Além disso, notamos que os resultados da EDP vão acelerar nos próximos anos com a entrega de linhas de transmissão. Portanto, recomendamos compra para ENBR3 com preço-alvo de R$ 26,0 por ação”, avaliam.

Copel (CPLE6)

A Copel, elétrica estatal do Paraná, por sua vez, negocia a uma TIR de 11,4%, sendo que as ações historicamente negociam a um preço relativamente baixo. “A ineficiência na gestão de custos e histórico de investimentos com baixos retornos a acionistas foram alguns motivos” para o baixo valor, avalia a XP.

Por outro lado, as recentes iniciativas de controle de custos e a trajetória de redução do endividamento com a entrega dos projetos de geração levam os analistas a acreditar que há poucas razões para esse desconto continuar. Com isso, eles recomendam compra para os papéis com preço-alvo de R$ 68 por ação.

Sanepar (SAPR11)

Completando as ações da Black Friday, a XP cita a empresa de saneamento estatal do Panará, que negocia a uma TIR de 16,9%. Tradicionalmente, as ações da Sanepar têm um preço mais baixo em relação aos concorrentes, Sabesp e Copasa, porque a companhia passou por muitas incertezas regulatórias em seu processo de revisão tarifária, avaliam os analistas.

Além disso, eles citam para o valor mais baixo o recente questionamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre o reajuste tarifário de 2019, questão que já foi superada. Assim, a XP recomenda a compra das units, com preço-alvo de R$ 107,0.

Invista contando com a melhor assessoria do mercado: abra uma conta gratuita na XP.