Após vaivém de sonda, Petrobras (PETR4) planeja começar perfuração na Bacia Potiguar ainda em 2023

A investida será concluída em 2024.

Estadão Conteúdo

Logotipo da Petrobras no prédio da sede da empresa no centro do Rio de Janeiro (Wagner Meier/Getty Images)

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O ano está longe de acabar para as atividades exploratórias da Petrobras (PETR4). A companhia informou que o navio-sonda incumbido da perfuração de poços em águas profundas no litoral norte do Rio Grande do Norte, na Bacia Potiguar, chegou à região esta semana e vai começar a operar ainda em dezembro. A investida será concluída em 2024.

A perfuração do primeiro poço da campanha, Pitu-Oeste, que fica a 52 quilômetros da costa, deve durar de três a cinco meses, sendo concluído até maio do ano que vem. Em seguida, a Petrobras planeja perfurar um segundo poço, Anhangá, a 79 quilômetros da costa e próximo à Pitu-Oeste.

No passado, a estatal perfurou dois poços com fins exploratórios na Bacia Potiguar, sendo o último em 2015. A descoberta de petróleo na região aconteceu na primeira perfuração, em 2013. A ideia agora é apurar os dados sobre a extensão das reservas e a viabilidade econômica da concessão. Sem licença ambiental para explorar a bacia da Foz do Amazonas, a bacia Potiguar, também na Margem Equatorial, se tornou uma alternativa para não interromper as buscas por novas reservas.

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Na região, a Petrobras tem licença ambiental para explorar dois blocos na região, o BM-POT-17 e o POT-M-762. Essas concessões foram obtidas pela Petrobras em rodadas de licitação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP) de 2006 e 2018, respectivamente.

Vaivém da sonda

O navio-sonda a ser utilizado, o ODN II, é de propriedade da Ocyan e está afretado pela Petrobras. Trata-se do mesmo aparelho que a Petrobras manteve mobilizado no litoral do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas, por pouco mais de seis meses, entre a segunda quinzena de novembro de 2022 e o início de junho. A companhia aguardava a liberação da licença ambiental para perfurar na região, o que foi inicialmente negado pelo Ibama em maio e, desde então, não evoluiu, em que pese a articulação favorável à companhia dentro do governo federal.

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O custo de aluguel e mobilização da sonda no período foi estimado em US$ 1 milhão por dia pela consultoria Wood Mackenzie. À época, esse montante foi endossado por fontes da Ocyan, e resultaria num custo total próximo aos R$ 900 milhões, com o dólar a R$ 4,90. Fontes da Petrobras, no entanto, dão conta de um custo de R$ 3,4 milhões por dia na operação frustrada na Bacia da Foz do Amazonas, o que teria resultado em gasto total pouco acima de R$ 600 milhões.

Com a resistência dos órgãos ambientais em liberar a exploração no Amapá, a Petrobras recolheu a sonda para o litoral do Rio de Janeiro, no início de junho. Então, a estatal optou por redirecionar os esforços de exploração mais imediatos à Bacia Potiguar, para o que obteve licença junto ao Ibama em outubro. Com a autorização em mãos, a Petrobras levou a sonda de volta para o Nordeste, desta vez para o Rio Grande do Norte, no dia 6 de dezembro. No último dia 17, o aparelho chegou à nova área de atuação.

Plano Estratégico

O plano estratégico da Petrobras para o quinquênio entre 2024 e 2028 prevê investimento de US$ 7,5 bilhões em exploração, com a perfuração de 50 novos poços no período, dos quais 16 estão nas bacias da Margem Equatorial.

Apesar da resistência dos órgãos ambientais, o presidente da companhia, Jean Paul Prates, e sua diretoria, segue afirmando que a perfuração em áreas da bacia da Foz do Amazonas segue nos planos da empresa. No último leilão de petróleo da ANP, Prates chegou a dizer que a perfuração na região pode acontecer entre o fim do primeiro semestre e o fim de 2024.

Somente para a Margem Equatorial, a companhia prevê alocar US$ 3,1 bilhões, 41,5% do investimento total previsto para exploração. O montante dedicado à nova fronteira será o mesmo previsto para as bacias do Sudeste, onde se situa o pré-sal, província que concentrou 78% da produção da Petrobras em 2023.