Após queda no lucro do 3º tri, Yduqs (YDUQ3) mira na classe C e possível Fies “turbinado”; ações sobem 8%

Empresa demonstra otimismo com retomada do financiamento federal a estudantes; analistas observam resultado fraco, mas reforçam compra

Rikardy Tooge

Fachada da Estácio, uma das empresas da Yduqs (Divulgação)

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A Yduqs ( YDUQ3), dona de redes de ensino como Ibmec e Estácio, quer intensificar sua base de alunos nas classes C e D. Na avaliação da empresa, esse é o mercado potencial para o setor de ensino superior nos próximos anos – tese que ganha força com uma possível “turbinada” nos recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) no novo governo Lula.

“Eu não sei nada além de vocês, sabemos que o presidente eleito tem dado sinais nesta direção [retomada do Fies], o que seria bastante saudável. Seria uma injeção de receita muito grande, segundo nossas contas preliminares, mas ainda não há como estimar isso de fato”, disse Eduardo Parente, CEO da Yduqs, em conferência com analistas após os resultados do terceiro trimestre.

As ações da holding ficaram entre as principais altas do Ibovespa nesta sexta-feira (11). Os papéis YDUQ3 fecharam em alta de 8,38%, a R$ 12,80, acompanhando o dia de recuperação da Bolsa brasileira.

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Parente apontou que Yduqs conta atualmente com uma capacidade ociosa de 30% em seus campi, espaço este que poderia dar tração à empresa para atender a volta da demanda. “Fomos muito bem-sucedidos no Fies passado, sabemos como fazer. Quando os recursos chegam, é geração de caixa na veia”, explicou.

O executivo reforçou que é necessário mais apoio para as classes menos favorecidas acessar o ensino superior. “São pessoas que precisam de mais educação e o bolso está muito curto para arcar com essas despesas”.

Classe C na mira

O CEO disse ainda que, na avaliação do modelo de negócios, faz sentido para a Yduqs se preparar para receber esse público. “A estratégia de futuro passa pelas classes C e D. Quem das classes A e B já não está na faculdade?”, pontuou Eduardo Parente, que indicou uma possível “canibalização” do setor com a retomada do programa federal nos antigos moldes.

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Inclusive o grupo de alunos mais sensíveis à inflação foi o que mais impactou o resultado da Yduqs no trimestre, na avaliação do Morgan Stanley. A modalidade EAD caiu 26% na comparação anual, enquanto o segmento premium avançou 27% – alta que não foi suficiente para evitar uma queda de 4% na base de estudantes, o que ficou abaixo da expectativa do banco.

Para o Bradesco BBI, os resultados do terceiro trimestre de 2022 foram “fracos, como era esperado”. Os analistas demonstraram preocupação com os gastos, mas destacaram o controle da alavancagem, atualmente em 1,9 vezes a dívida líquida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês).

Os dois bancos consideram que o setor de educação está operando com desconto – especialmente se for confirmada a volta do Fies ao modelo antigo – e recomendam compra para o papel. O Morgan colocou preço alvo de R$ 18, o que significaria um upside de 41% frente à cotação de hoje. Já o BBI mira os R$ 17 por ação, com alta potencial de 33%.

Desempenho trimestral

Na véspera, a Yduqs reportou lucro líquido de R$ 16,1 milhões no terceiro trimestre, montante 77,8% inferior ao reportado no mesmo intervalo de 2021. Segundo a companhia, o resultado foi impactado pela piora do resultado financeiro.

A receita líquida somou R$ 1,135 bilhão no terceiro trimestre deste ano, crescimento de 3,4% na comparação com igual etapa de 2021.

Já o Ebitda foi o melhor da história da companhia e totalizou R$ 368,2 milhões no 3T22, um crescimento de 1,9% em relação ao 3T21. A margem Ebitda atingiu 32,4%, baixa de 0,5 pontos percentuais. Já o ticket médio recorrente subiu 20% no período.

Aquisições

Para os próximos trimestres, o CEO da Yduqs não vê espaço para novas aquisições. Em um momento em que as empresas de educação estão com desempenho ruim na Bolsa, a avaliação de Eduardo Parente é de há dificuldades para encontrar instrumentos financeiros que possam viabilizar as operações.

“É superdifícil fazer alguma coisa diante da atual taxa de juros e do nosso endividamento. Utilizar ações como moeda é inviável, diante da desvalorização do setor – que eu acho está avaliado de forma imprecisa”.

“A única oportunidade seria a de se unir com alguém tão depreciado como nós, mas não vemos ninguém que se encaixe dentro da nossa proposta”, acrescentou.

Rikardy Tooge

Repórter de Negócios do InfoMoney, já passou por g1, Valor Econômico e Exame. Jornalista com pós-graduação em Ciência Política (FESPSP) e extensão em Economia (FAAP). Para sugestões e dicas: rikardy.tooge@infomoney.com.br