Após forte recuperação com alívio na curva de juros, ainda há espaço para alta de ações de teles e tecnologia?

Para o Bradesco BBI, após o forte desempenho dos últimos trinta dias, mercado passará a exigir melhorias na frente operacional para que alta persista

Equipe InfoMoney

(Getty Images)

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As recentes expectativas de estabilização das taxas de juros globais levaram a um bom desempenho de ações de crescimento, que impulsionou a expansão geral dos múltiplos no setor de Tecnologia e Telecomunicações, destaca o Bradesco BBI.

No entanto, para os analistas do banco, os fundamentos não mudaram materialmente, o que indica menor espaço para essa dinâmica continuar tendo em vista a ausência de surpresas positivas na frente operacional.

Os analistas do banco ajustaram seus modelos para incorporar os resultados mais recentes e as expectativas para o restante de 2023 e daqui para frente, mantendo recomendação neutra para VIVT3, com preço-alvo de R$ 55; a recomendação também é neutra para TIMS3, com preço-alvo de R$ 20.

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Para a Totvs (TOTS3), a recomendação é de compra, com target de R$ 35, enquanto possuem visão de venda para Locaweb (LWSA3), com target de R$ 5. Já para Intelbras (INTB3), a recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 26.

As ações dessas companhias também se beneficiaram com a baixa de juros, com TOTS3 subindo 27%, LWSA3 avançando 2%, e INTB3 subindo 16%(contra o Ibovespa que avançou 11% nos últimos 30 dias), indicando assim que mais impulso para tal recuperação pode ser dependente do estreitamento adicional das taxas livres de risco, uma vez que o mercado aparentemente precificou, em grande medida, condições mais benignas relacionadas a fatores de taxas/descontos observados até agora.

“Continuamos a observar uma melhor assimetria entre as ações de valor versus as ações de crescimento, especialmente porque os riscos de uma reavaliação parecem mais elevados após o recente avanço do preço das ações. Dito isto, tanto as ações da Vivo quanto da TIM continuam a oferecer um retorno via dividendos atrativo, na faixa de um dígito médio/alto, à medida que a dinâmica operacional permanece positiva”, avalia o BBI.

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Para os nomes mais dependentes da materialização de expectativas de crescimento, os analistas acreditam que o mercado pode agora exigir evidências mais fortes da dinâmica dos resultados, já que o impulso da expansão dos múltiplos pode ter atingido um limite no curto prazo.

Os analistas destacam que o setor subiu 13% em média, contra 11% para o Ibovespa nos últimos 30 dias – apesar de não haver nenhuma mudança material na frente operacional (relatada nos últimos resultados) que justificaria tal movimento (ou pelo menos nesta magnitude). “Dito isto, neste momento, preferimos manter a exposição a nomes de ‘valor’ em vez de nomes de “’crescimento’, uma vez que as primeiras apresentam menores riscos de uma reavaliação”, avaliam.

Assim, considerando que grande parte do recente desempenho do setor foi atribuído principalmente a menores taxas de desconto (ou seja, expansão de múltiplos) em vez de revisões dos lucros para cima, os analistas veem que um avanço maior dos preços das ações em relação aos níveis atuais depende agora muito mais de surpresas positivas na frente operacional.

“Neste contexto, continuamos a preferir a exposição a empresas de valor (telecomunicações —VIVT3 e TIMS3), uma vez que os riscos de revisão dos múltiplos parecem mais elevados para nomes de crescimento, especialmente considerando que os prêmios de risco globais permanecem nos níveis mínimos históricos”, apontam, mesmo mantendo recomendação neutra para os dois ativos.

Confira a análise para cada uma das ações do setor:

Telecomunicações

Para o BBI, as tendências de receita para empresas de telecomunicações permanecem positivas, com o ARPU (receita média por usuário) sustentando fortes taxas de crescimento, e até mesmo acelerando ligeiramente no 3T23. Os níveis de rotatividade, por sua vez, ainda não indicam que os aumentos de preços têm causado desconexões –o que, em última análise, continua a sustentar uma boa dinâmica de receita para as empresas.

“À medida que continuamos a ver níveis controlados de investimentos e despesas operacionais para o setor, a geração de caixa deverá permanecer positiva nos próximos trimestres”, apontam os analistas.

Vivo

O BBI incorporou os resultados do 3T23 em seus modelos, aumentando levemente nosso preço-alvo, ao final de 2024, para R$ 55,00/ação, a partir de R$ 53,00/ação. “Nossas novas estimativas estão amplamente alinhadas com o consenso, e vemos a ação negociando com rendimento via dividendos de 6,4% para 2024, ainda implicando um bom carregamento para os investidores. É importante ressaltar que foi aprovada a redução de capital de R$ 5 bilhões, que deverá ser paga na forma de dividendos para os acionistas nos próximos trimestres”, aponta.

TIM

O BBI atualizou seus modelos com os resultados mais recentes, ajustando ligeiramente as estimativas e aumentando o preço-alvo, ao final de 2024, para R$ 20,00/ação (de R$ 19,00/ação), com recomendação neutra. “As nossas novas estimativas estão globalmente em linha com o consenso e, portanto, acreditamos que a continuação da trajetória positiva/reavaliação dos níveis atuais parece depender de surpresas positivas adicionais na frente operacional. As ações ainda oferecem um bom carregamento de dividendos de 7,9% para 2024”, apontam.

Tecnologia

À medida que as preocupações relativas às taxas de juros dos EUA/globais começaram a apontar para uma estabilização, com os retornos dos títulos americanos de 10 anos indexados à inflação caindo em relação ao pico observado no mês passado, o preço das ações de crescimento/nomes de múltiplos altos, avançou.

“No entanto, parece ainda não estar claro se essas tendências irão se firmar nos próximos trimestres e, portanto, a recente recuperação observada para nomes de crescimento ainda implica algum grau de risco no futuro”, avalia o BBI. No que diz respeito aos riscos, destacamos que —apesar deste estreitamento das taxas de desconto, os prêmios de risco de ações globais de tecnologia permanecem nos níveis mais estreitos já registrados, indicando que ainda pode haver riscos deu ma reavaliação para as ações negociadas com múltiplos mais elevados, se/quando essas tendências se reverterem e ficaram mais próximas dos níveis históricos.

Totvs

O BBI manteve preço-alvo em R$ 35,00/ação e aponta que, como as ações subiram 27% nos últimos 30 dias, os níveis de avaliação estão agora em 24 vezes  (múltiplo P/L estimado para 2024), o que não parece descontado, mas pode continuar a ser apoiado por uma boa dinâmica nos próximos trimestres.

“Alternativamente, uma nova avaliação de múltiplos dos níveis atuais parece estar cada vez mais dependente de surpresas positivas adicionais impulsionando revisões de lucros para cima”, destaca.

Locaweb

O banco ajustou as estimativas para a Locaweb mantendo preço-alvo em R$ 5,00/ação. “Em nossa opinião, as tendências operacionais ainda são desafiadoras com a desaceleração da receita e nenhuma melhoria material nas margens. Esperamos agora Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] de R$ 269 milhões e lucro líquido de R$ 128 milhões para 2024, o que está cerca de 7% abaixo do consenso”, destacam.

Para o BBI, as estimativas do consenso de mercado ainda parecem altas – e considerando que o mercado tem sido historicamente excessivamente otimista em relação à melhoria na rentabilidade — vê riscos potenciais de revisões para baixo dos lucros no futuro. “Vemos LWSA3 sendo negociada a 28 vezes o múltiplo P/L (preço sobre o lucro) estimado para 2024, o que parece esticado em meio ao cenário ainda desafiador para alcançar as expectativas”, avalia.

Intelbras

O BBI ajustou suas estimativas para a Intelbras e incorporou seus últimos resultados que mostraram fraco desempenho na divisão de energia, tanto no crescimento da receita quanto nas margens. A revisão para baixo dos resultados levou a reduzir o preço-alvo para R$ 26,00/ação (a partir de R$ 32,00/ação).

“Embora esperemos que a demanda na divisão de energia melhore em algum momento ao longo de 2024, as atuais condições de mercado ainda parecem desafiadoras e a recuperação poderá ser apenas gradual e moderada no curto/médio prazo. Ao todo, esperamos agora um lucro líquido de R$ 545 milhões em 2024, o que implica 13,1 vezes  (múltiplo P/L), e acreditamos que o mercado deve exigir evidências mais fortes de construção de uma boa dinâmica de lucros para apoiar uma revisão dos múltiplos nos próximos trimestres”, avalia.