A partir de 2020

Ambev: os grandes desafios que o novo CEO terá no comando da gigante de bebidas

Aumento da concorrência é uma das principais questões a serem enfrentadas por Jean Jereissati Neto

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(Divulgação/Ambev)

SÃO PAULO – O resultado do terceiro trimestre de 2019 da Ambev (ABEV3), apresentado no final de outubro, já era um sinal bastante forte de que a companhia precisava mudar. Afinal, a fabricante de cervejas viu as suas vendas caírem no Brasil, em um cenário em que a sua concorrente, Heineken, vem aumentando os seus investimentos no País.

No terceiro trimestre de 2019 a Ambev reportou queda de 2,8% no volume vendido de cerveja e teve queda de margens, com redução de 11,5% no lucro líquido. Já a concorrente deverá aumentar os investimentos no montante de R$ 985 milhões para dobrar sua capacidade de produção. No ano passado, o Brasil era o 4º maior mercado da holandesa; neste ano, o País se tornou o maior mercado consumidor no mundo.

Neste cenário, a Ambev começa a se mexer: a companhia anunciou a saída de Bernardo Paiva, que deixa o cargo de CEO após 4 anos (e 30 de empresa) em 2020, para a entrada de Jean Jereissati, que também possui um grande histórico dentro da companhia.

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Jereissati Neto está na Ambev há 20 anos e já foi Diretor Geral das operações de América Central e Caribe, Diretor Geral das operações da China e Diretor Geral da Ásia e Pacífico Norte na ABInbev. Assim, a sua experiência foi bem recebida pelos investidores, uma vez que ele possui uma história de sucesso no segmento premium.

Além disso, ele também possui um histórico na área de marketing, o que é particularmente simbólico e fortalece a visão do foco que a companhia deve ter após perder participação de mercado e poder de precificação dentro do segmento de bebidas.

No final de outubro, Fernando Tennenbaum, vice-presidente financeiro da Ambev, abordou algumas questões que levaram ao fraco desempenho da companhia: por exemplo, os descontos promovidos por alguns competidores contribuíram para a queda nos volumes de venda de cerveja da empresa no terceiro trimestre, contribuindo para uma redução na participação de mercado da Ambev no Brasil.

Visão positiva, mas cautelosa

Para o Bradesco BBI, o fato de Jereissati Neto ter um longo histórico no grupo, tendo ocupado cargos executivos importantes em grandes operações, é positivo. Além disso, ressalta, o executivo tem desempenhado um papel fundamental na estratégia mais orientada para a inovação da Ambev.

Segundo a equipe de análise do banco, a orientação à inovação é um foco que os analistas esperam que continue e que faz todo sentido dentro da tendência do mercado de mais concorrência.

A Levante Ideias de Investimentos ainda destaca os grandes desafios que Jereissati Neto terá à frente da companhia: “o novo presidente da Ambev terá o desafio de reinventar a companhia que enfrenta uma concorrência mais acirrada, com guerra de preços, pressão de aumento de custos, crescimento das cervejas artesanais e novos hábitos do consumidor”.

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Assim, ele deverá ter muito trabalho pela frente. Para os analistas da casa de research, o cenário ainda é de cautela para as ações da companhia, justamente por avaliarem que as vantagens competitivas da companhia vêm perdendo força e a queda no seu retorno sobre o capital investido é uma evidência da mudança no mercado.

O ambiente de cautela é geral: de acordo com compilação feita pela Bloomberg com 18 casas de análise, 12 possuem recomendação neutra para os ativos, enquanto 5 recomendam compra e apenas 1 recomenda venda.

Desta forma, os investidores receberam bem a notícia do novo CEO, mas aguardam por mais sinais de como será a atuação de Jereissati para ficarem mais otimistas com a Ambev. Por enquanto, o cenário concorrencial aumenta a desconfiança com o case da companhia.

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