Conteúdo editorial apoiado por

Alphabet, Microsoft ou Meta? Itaú BBA elege nova preferida após resultados das três techs

As três companhias superaram as projeções do mercado, mas nuances do resultado levaram a diferentes visões para os papéis

Equipe InfoMoney

Publicidade

Na última semana, a temporada de resultados nos EUA trouxe números de big techs como Alphabet ([ativo=GOOG34]), dona do Google, Microsoft (MSFT34) e Meta (M1TA34), dona do Facebook. Tanto Alphabet quanto Meta tiveram um bom desempenho de suas ações, avançando entre 4% e 5% na sessão pós resultado, enquanto a ação da Microsoft caiu cerca de 3%.

Em diferentes análises, o Itaú BBA apontou o saldo dessa semana de temporada de resultados para as três empresas, colocando a Meta como sua nova top pick no setor de tecnologia, por que segue com recomendação de compra para Microsoft mesmo com os sinais menos animadores e por que tem recomendação neutra para Alphabet, apesar dos bons números apresentados. Confira abaixo as análises:

Microsoft: um voto de confiança

O BBA destacou que, após o resultado, que esta é a primeira vez em três anos de cobertura dos ativos que passou a questionar as perspectivas para os próximos seis a 12 meses da Microsoft.

Treinamento Gratuito

Manual dos Dividendos

Descubra o passo a passo para viver de dividendos e ter uma renda mensal previsível, começando já nas próximas semanas

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

A companhia registrou lucro líquido de US$ 20,1 bilhões no quarto trimestre fiscal. O resultado representa uma avanço de 20% em relação ao ganho de US$ 16,7 bilhões apurado em igual período de 2022 e superou as expectativas.

Um dos principais condutores de crescimento da Microsoft nos últimos anos, a divisão de computação em nuvem viu a receita saltar 16% na base comparativa anual, a US$ 30,3 bilhões.

Porém, alguns fatores levaram a um menor otimismo por parte dos analistas do banco.

“Em primeiro lugar, a falta de uma orientação formal de receita para o ano fiscal de 2024 nos pegou de surpresa, embora tenhamos que admitir que é fácil encontrar um crescimento de dois dígitos implicitamente nos números (margem + despesas operacionais)”, avaliaram os analistas da casa.

Leia mais:
Fundos de ações que investem no exterior rendem 15% e atraem depósitos; quais as apostas após onda tech?

Mas, o mais importante, é que eles não perceberam a forte confiança que a administração geralmente traz – particularmente quando questionada sobre a Azure (otimizações, desaceleração, etc.) e os números de IA.

“Portanto, ficamos com a sensação de que as expectativas não serão fáceis de superar, particularmente no ano fiscal de 2024, enquanto as receitas de IA (particularmente Copilot) permanecem muito pequenas para fazer diferença”, apontam.

Para eles, parece haver pouco espaço para erro com a ação sendo negociada a 28 vezes o preço em relação ao lucro (P/L) para 2024. No entanto, apontou que dará à Microsoft um benefício da dúvida bem-merecido, mesmo com a ação nos níveis atuais e com as dúvidas destacadas pelos analistas.

“No final do dia, se há uma empresa e uma equipe de gestão com a capacidade de nos surpreender positivamente é a Microsoft sob Satya Nadella e equipe. Com essa mentalidade, reiteramos nossa classificação de ‘compra’ para a MSFT e compraríamos qualquer queda significativa no papel”, apontam.

Meta: nova preferida do BBA

Por outro lado, se os analistas do BBA (e o mercado) ficaram desapontados com a impressão e o tom da Microsoft na recente divulgação de seu balanço (mas ressaltaram que ficaram mais tranquilos após reunião com a empresa), o oposto aconteceu com a Meta no resultado do segundo trimestre.

A controladora de Facebook e Instagram teve lucro líquido de US$ 7,788 bilhões no segundo trimestre de 2023, ou de US$ 2,98 por ação diluída. O valor representa um crescimento de 16% em relação ganho de US$ 6,687 bilhões registrado no mesmo período de 2022 e superou projeções de analistas consultados pela FactSet, que esperavam US$ 2,91 por ação.

A empresa superou até mesmo as expectativas mais otimistas, avalia o banco, com uma estimativa para o terceiro trimestre de crescimento de receita de 15%-24% em relação ao ano anterior, o que vem em cima dos 11% entregues no segundo trimestre (em linha com o consenso).

“Embora tenhamos dito no passado que poderíamos ver a Meta voltando à faixa de crescimento de 20% em algum momento, temos que admitir que não esperávamos que isso acontecesse tão rápido”, avalia o BBA.

Além disso, mais importante, os analistas ficaram positivamente surpresos com a mudança no tom de Mark Zuckerberg. “Ele demonstrou muita confiança em geral e trouxe evidências relevantes de que está trabalhando muito – desde a excelente execução em Threads até as notáveis entregas em Llama/Llama 2. Este é o tipo de vento a favor que você não encontra em todo lugar”, aponta.

Analisando em detalhes, o BBA aponta existir algumas tendências importantes que devem apoiar revisões subsequentes para cima.

Primeiro, este é o segundo trimestre consecutivo em que tanto o preço quanto a dinâmica de impressão de anúncios melhoraram numa base anual, afirmam. “Em nossa visão, isso provavelmente vem de um ótimo trabalho para melhorar o retorno sobre o investimento (ROI) para os clientes, após as mudanças das políticas de privacidade (ATT/IDFA) (o oposto do que está acontecendo com o SNAP, que caiu 14% após resultados); e ganhos da participação de mercado da ferramenta de campanhas Advantage+ da Meta sobre a da Google (PMAX)”, apontam os analistas.

Além disso, a receita anual por usuário (ARPU) está melhorando em todas as regiões (uma tendência que começou no primeiro trimestre), que provavelmente vem da monetização dos Reels (US$ 10 bilhões de taxa anual agora) e comparações mais fáceis na Europa.

“Então, foi um trimestre perfeito? Bem, sempre há alguma controvérsia no caso de investimento da Meta e o segundo trimestre não foi diferente. A empresa lançou comentários qualitativos sobre o opex (gastos operacionais) e capex (investimentos) do próximo ano que desagradaram alguns investidores”, apontam.

Embora o feedback geral seja que os investimentos em inteligência artificial (IA) são bem-vindos, os analistas apontam que a alocação de capital em realidade virtual (VR) / inteligência artificial (AR) não é.

Além disso, o fato de que as perdas dos “Laboratórios de Realidade” aumentarão significativamente em 2024 não foi bem recebido.

“Neste aspecto, vemos estas perdas como o principal risco para a tese no próximo trimestre. No fim das contas, vemos o copo meio cheio. Embora concordemos que a disciplina financeira é importante, este é um momento muito distinto em relação a 2022, quando os custos dispararam, enquanto o crescimento da receita despencou”, ressalta.

A confiança em mais revisões para 2023 os torna otimistas sobre o nome. “Além disso, a Meta parece ter o melhor risco-recompensa entre as grandes empresas de tecnologia, com um preço em relação ao lucro (P/L) para 2024 de 17 vezes, com nossa revisão de LPA de 14% (novo preço-alvo de US$ 380/ação a 20 vezes o P/L em 2024). Como Microsoft e Apple estão caras, a assimetria da Google não é atrativa e a avaliação da Nvidia traz riscos e não se espera que o ímpeto do AWS da Amazon mude, a META é agora nossa nova melhor escolha no segmento de tecnologia global”, afirma.

Resultado positivo da dona do Google, mas…

Sobre a Alphabet, a companhia registrou lucro líquido de US$ 18,37 bilhões no segundo trimestre, um crescimento de 14,80% ante o resultado de US$ 16,002 bilhões de igual período do ano passado, e superando as projeções.

Na visão do Itaú BBA, a dona do Google apresentou um resultado além das expectativas no segundo trimestre do ano fiscal de 2023, com números fortes em todos os aspectos.

A receita acelerou bastante (de 3% na comparação anual no primeiro trimestre para 7% no2T23, ou de 6% para 9% ajustado pela variação cambial), devido ao crescimento tanto no mecanismo de busca (Search) quanto no YouTube.

A lucratividade também foi muito forte: o Ebit (lucro antes de juros, ou resultado operacional) de US$ 21,8 bilhões ficou bem à frente da referência (US$ 20 bilhões), com margens (rentabilidade) surpreendentemente positivas (29,2% vs. 27% consenso), além de uma surpreendente diminuição de quase 9.000 funcionários sequencialmente, apesar de todos os esforços com a inteligência artificial (IA) e aceleração.

O BBA aponta que, segundo comentários da gestão, porém, nem todas as tendências vistas no segundo trimestre podem ser extrapoladas para o próximo período.

“Embora eles tenham soado otimistas sobre as perspectivas de crescimento do Search e do YouTube, houve alguns benefícios extras para as margens e capex (investimentos), já que os ajustes de escritório e os projetos de data center foram adiados”, avaliam os analistas, apontando que esta é uma das razões pelas quais nossas novas estimativas não se movem tanto quanto o tamanho deste bom desempenho.

Sobre IA, o BBA aponta ter ficado positivamente surpresos com alguns comentários do CEO, após muitos trimestres decepcionantes em relação à comunicação. “Eles trouxeram um senso de urgência em suas observações, particularmente em movimentar a infraestrutura principal e as equipes de nuvem para lidar com os desafios da IA. Além disso, curiosamente, a empresa reiterou o modelo de publicidade como o caminho a seguir em um mundo de IA garantindo que não veremos uma rotação brusca no modelo de negócios”, apontam.

Em resumo, os analistas optaram por revisar as receitas para cima em 2% para os anos fiscais de 2023 e 2024, Ebit para cima em cerca de 3% e o lucro por ação (LPA) para cima em 7% para o mesmo período.

Mais importante do que a revisão em si é que saímos deste relatório mais confiantes sobre nossas estimativas e as perspectivas para o restante do ano. Parece que a pior parte do ciclo já passou para a companhia, com Search e YouTube acelerando e ganhos de eficiência muito fortes”, apontam.

Contudo, a recomendação foi mantida em neutra (marketperform, ou desempenho em linha com a média do mercado) para o papel, ainda que os analistas tenham elevado o preço-alvo de R$ 116 ao fim de 2023 para R$ 140 ao término de 2024.

Isso se justifica uma vez que os analistas acreditam que o mercado endereçável do Google é muito grande, com uma rentabilidade muito atraente, e os concorrentes provavelmente continuarão agressivos.

“Embora aplaudamos os últimos movimentos da empresa, avaliamos que a assimetria permanece desfavorável para os investidores – Google é um grande vencedor no ambiente de mercado atual e é mais provável que esteja pior do que melhor em qualquer outro cenário. Para mudarmos nossa visão, precisaríamos ver a empresa se auto inovando proativamente, tomando a liderança da inovação a partir daqui, ou as ações negociando com um desconto significativo em relação a todos os pares, incluindo rivais de publicidade”, destaca o BBA.