AgroGalaxy anuncia injeção de capital de R$ 188 milhões

Recursos serão usados basicamente para reforçar o caixa da empresa

Fernando Lopes

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A AgroGalaxy, uma das maiores varejistas de insumos agrícolas do país, informou que receberá uma injeção de R$ 188 milhões de Fundos de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP) geridos pela Aqua Capital, controladora da companhia. Do montante total, R$ 38 milhões virão na forma de empréstimo de um dos fundos e serão liberados no início de janeiro, enquanto R$ 150 milhões serão aportados por meio de Instrumentos de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC), em uma operação envolvendo quatro fundos.

Em fato relevante, a AgroGalaxy explicou que os recursos do AFAC serão adiantados pelos FIPs Agrofundo geridos pela Aqua Capital até amanhã, e servirão para reforçar seu capital de giro. O aumento de capital privado para a capitalização do AFAC terá que ser aprovado pelo conselho de administração da empresa. Segundo Eron Martins, CFO e diretor de relações com investidores da companhia, os demais acionistas terão a possibilidade de acompanhar o aumento de capital. 

Em 27 de setembro, a AgroGalaxy já havia anunciado o alongamento de dívidas no valor de R$ 839 milhões, por até três anos, para reforçar sua estrutura financeira diante de resultados adversos influenciados pelas turbulências nos mercados de insumos agrícolas no país.

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“Este ano de 2023 foi de aprendizado para nós e para a indústria de insumos como um todo. Essa injeção de capital é um sinal de confiança do nosso acionista controlador e traz tranquilidade para toda a nossa cadeia, incluindo fornecedores e clientes. Também aumenta a nossa blindagem para 2024, mesmo que seja um ano mais ‘normal’”, afirmou Eron Martins, CFO da AgroGalaxy, ao IM Business

A pandemia e a invasão russa na Ucrânia tiraram os mercados globais de defensivos e de fertilizantes dos eixos, gerando fortes oscilações de preços. Num primeiro momento, os insumos dispararam e beneficiaram os resultados das empresas que atuam nesses segmentos, mas os preços entraram em espiral de queda no segundo semestre de 2022, com reflexos negativos nos balanços deste ano.

De janeiro a setembro, a receita líquida da AgroGalaxy caiu 14,7% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 6,986 bilhões. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado diminuiu 82,8% na comparação, para R$ 60,5 milhões, e a empresa registrou prejuízo de R$ 442,5 milhões, ante perda de R$ 132,9 milhões um ano antes. A carteira de pedidos da companhia somava R$ 2 bilhões em setembro, 28% menos que um ano antes, e sua alavancagem estava em 4,2 vezes – eram 2,7 vezes no fim de setembro de 2022.

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Os números negativos chegaram a levantar dúvidas no mercado sobre a capacidade da companhia honrar seus compromissos , mas o alongamento da dívida aliviou a pressão. Na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, o CEO Welles Pascoal afirmou, também, que o forte ritmo de expansão da cadeia de lojas de insumos da AgroGalaxy, embalada por crescimento orgânico e aquisições, estava suspenso por dois anos, e que algumas unidades menos rentáveis seriam fechadas. No fim de setembro, a rede da empresa era formada por 169 lojas espalhadas pelo país.

Welles Pascoal, CEO da AgroGalaxy (Foto: Divulgação)

Em recente conversa com jornalistas, Pascoal disse acreditar que o mercado será mais positivo no ano que vem, mas que o apetite expansionista das grandes redes de insumos que fizeram dezenas de aquisições nos últimos anos será menor. Passado o período de equalização – que, segundo ele, deverá durar até 2025 -, a expectativa é que uma nova onda de consolidação recomece. “Existem boas empresas que estão se preparando para serem adquiridas, mas isso tem o seu tempo. Vai demorar de dois a três anos até que elas se profissionalizem mais, criem bons processos de governança e um sistema de gestão”, afirmou.

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