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Brasil pode exportar menos soja e estoques devem subir

Queda no ritmo de embarques de soja com origem no Brasil pode levar a alta dos estoques no país

soja

Por ARC Mercosul

O ritmo de exportações brasileiras de soja começa a dar indícios de que os embarques totais ficarão abaixo das 69 milhões de toneladas estimadas pelo Departamento de Agricultura Americano (USDA), o que pode elevar o estoque de passagem de soja e pressionar negativamente os preços.

Até agora, usando o ano comercial de fevereiro a janeiro, os compromissos de exportação (grãos já embarcados + contratos já vendidos esperando embarcar) somaram 51 milhões de toneladas, ou 15% abaixo do ano passado. O USDA prevê que o Brasil deve exportar 69 milhões de toneladas neste ano, ou 18% abaixo do ano passado.

Das 51 milhões de toneladas, cerca de 38,25 milhões (74%) já foram embarcados. Porém, o ritmo necessário está levemente atrás da média dos últimos 5 anos para atingir o número do USDA. Ou seja, qualquer redução nas exportações de agora em diante fará com que o USDA tenha que reduzir o total a ser embarcado pelo Brasil. Estes cortes podem começar em 1-2 milhões de toneladas já no relatório de agosto.

A competição no mercado internacional continua forte. Segundo fontes da ARC no golfo dos EUA, a tonelada FOB de soja com origem no Brasil está em $ 344 até setembro, enquanto a americana está no mesmo patamar. Com a China reduzindo sua demanda, os vendedores terão que cortar preços para atrair compradores.

Análise da ARC Mercosul indica que o Brasil irá exportar 7,1 milhões de toneladas de soja em julho. Para se ter uma comparação, a SECEX divulgou em 2018 que o país havia embarcado 10,2 milhões no mesmo mês. Caso esta desaceleração dos embarques, em especial para a China, continue, o Brasil pode acabar o ano com estoques acima dos 3 milhões de toneladas, o maior desde 2016.

A Conab, internamente, também já trabalha com um total de 68 milhões de toneladas, mas com viés de baixa.

Safra EUA

Mesmo com a notícia de clima desfavorável para as lavouras americanas, as cotações futuras na Bolsa de Chicago continuam sem reagir. De um lado, temos os produtores rurais daqui sem querer vender e do outro, usuários finais (e especuladores) sem pressa para comprar contratos futuros.

Essa queda de braço deriva dos pontos de vista diferentes: o produtor vê suas lavouras em condições ruins e quer preço melhor para vender. Os agentes de mercado veem estoques altos no planeta e uma demanda praticamente inexistente vindo da China, portanto, sobra de soja no mercado interno. Caso o clima por aqui continue irregular, é possível que as produtividades sejam reduzidas e com isso, preços podem subir. Se as condições de safra continuarem melhorando, vai ser difícil ver preços subindo com muita força. De agora até a colheita, o clima será o principal direcionador de preços aqui em Chicago.

 

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