Sustentabilidade

Agricultura orgânica em larga escala é possível, dizem executivos do setor

Perdas na etapa da colheita por falta de equipamentos adequados é um dos desafios apresentados

Por  Datagro

Executivos de dois grandes players do segmento de orgânicos defenderam que é possível e viável desenvolver agricultura de larga escala sem o uso de produtos químicos na proteção de cultivos e no desenvolvimento das lavouras.

Maior desafio da produção orgânica em larga escala é o desperdício na colheita (Foto: Biotrigo)

De acordo com Reginaldo Morikawa, presidente da Associação Brasileira da Avicultura Alternativa (Aval), a produção orgânica – lembrando que é a que dispensa a utilização de insumos agrícolas com componentes químicos, entre os quais defensivos e fertilizantes, por exemplo – pode apresentar resultados positivos na agricultura de larga escala.

Segundo ele, é preciso ir de encontro à percepção que o orgânico só serve para nichos de mercado. De acordo com Morikawa, que também ocupa o cargo de diretor superintendente da Korin Agropecuária – especializada em carnes, grãos e até café orgânico -, um dos caminhos para se ampliar o cultivo orgânico em larga escala é a existência de maquinários e implementos agrícolas específicos para este tipo de cultivo.

“O maior desafio do orgânico em larga escala são as perdas que ocorrem na etapa da colheita, justamente pela falta de equipamentos adequados”, disse. “Na verdade, vejo neste ponto uma oportunidade de investimento para as fabricantes de máquinas e implementos.”

Açúcar é exemplo

Para Alexandre Borges, CEO da Mãe Terra, especializada em alimentos beneficiados orgânicos, destacou que a Native, fabricante de açúcar, é um grande exemplo que uma agricultura em larga escala orgânica é um negócio que pode ser viável. “O açúcar é uma commodity”, ressaltou. Além de se derrubar mitos no segmento da produção, Borges pontuou que também é preciso quebrar modelos no tocante ao consumo de orgânicos. “O orgânico precisa se ressignificar junto ao consumidor. É necessário quebrar esta ideia que orgânico é coisa de ‘ecochato’, caro e que não tem gosto.”

No entanto, o executivo ressalvou que muitos produtos que são pensados para serem totalmente orgânicos ainda ficam na “prancheta”, porque ainda não podem ser feitos sem o uso de ingredientes químicos. Tanto Morikawa quanto Borges acreditam que o segmento de orgânicos vai crescer ainda mais em 2017. Do ponto de vista macro, o CEO da Mãe Terra salientou que o agronegócio brasileiro precisa valorizar mais os ingredientes nativos e investir nas exportações de produtos de maior valor agregado e na construção de marcas.

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