Varejo Pet

Ações de Petz (PETZ3) recuam mesmo após balanço positivo; empresa prevê forte expansão de lojas

Expectativa é abrir recorde de novas 50 lojas em 2022, após o avanço de 37 do ano passado; varejista pet se volta à expansão nacional

Por  Felipe Alves -

As ações da Petz (PETZ3) abriram em queda após a divulgação do balanço do 4º trimestre, que apresentou resultados acima das expectativas, segundo analistas. Às 10h45, seus papéis recuavam 2,41%, cotados a R$ 17,45. As ações da empresa, porém, registram ganhos de 6,2% neste ano.

Para o Bradesco BBI, os resultados de Petz (PETZ3) foram fortes e acima das estimativa da casa, com impulso das vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) permanecendo estável em relação ao trimestre anterior, apesar da deterioração do ambiente macro, o que reforça a resiliência dos negócios da Petz.

O canal digital viu as vendas crescerem 54% A/A, atingindo 31% das vendas totais, com omnichannel atingindo 89% das vendas digitais, destacou o relatório do BBI, acrescentando que o digital continua a ter um desempenho acima das expectativas.

De acordo com o banco, 84% dos pedidos digitais estão sendo atendidos em um dia útil. “Esta é mais uma evidência da força da oferta digital da Petz.” O banco mantém classificação outperform para Petz, e preço-alvo de R$ 25.

Crescendo em cenário desafiador

Avaliação semelhante teve o Itaú BBA. Os resultados da Petz seguiram as tendências de faturamento que o Itaú esperava para este trimestre, com a empresa liderando o mercado em termos de crescimento apesar do cenário desafiador.

Na frente da lucratividade, as eficiências fiscais do ICMS geraram um impacto positivo pontual neste trimestre associado ao ano de 2021, mas isso permanecerá nos próximos trimestres, levando a um aumento marginal de margem bruta.

Além disso, a empresa apresentou margens acima do esperado. Houve despesas não recorrentes significativas de R$ 12 milhões neste trimestre associadas principalmente à incorporação da Zee Dog. Itaú BBA reitera avaliação outperform para o papel, com preço-alvo de R$ 30.

Expansão de lojas Petz (PETZ3)

A Petz (PETZ3) prevê que 2022 será o ano das integrações e abertura de novas lojas, afirmou o CEO da empresa, Sergio Zimerman, durante teleconferência com analistas. A Petz pretende focar sua atuação este ano em três grandes objetivos para acelerar seu crescimento.

O primeiro é realizar a integração das quatro primeiras aquisições feitas pela empresa (Cansei de Ser Gato, Zeedog, Cão Cidadão e Petix). O desafio é criar valor para o longo prazo sem alterar a essência, a autonomia e a cultura das investidas.

O segundo foco é ampliar o aumento de lojas pelo Brasil. A expectativa é de um novo recorde de novas 50 lojas em 2022. Em 2021 a companhia já obteve recorde, com a inauguração de 37 novas lojas (sendo 15 apenas no 4TRI21). “Para 2022 continuaremos fazendo essa expansão nacional”, afirmou Zimerman.

Segundo ele, 100% dos 50 pontos já estão contratados. Cerca de 75% das novas lojas são fora de São Paulo, com foco em nacionalizar e expandir a Petz pelo Brasil.

O último foco é fortalecer e construir o ecossistema da Petz, com a ampliação da oferta de serviços, principalmente nas estratégias de saúde pet. Um dos projetos-piloto que deve sair este ano são os planos de saúde pet.

Varejo pet é resiliente, mas não é imune a crises

Segundo o CEO de Petz, o setor pet é resiliente, mas não é imune a crises. Ele destacou que a companhia iniciou 2022 alinhada às expectativas de crescimento para o ano, mas os desafios como inflação, confiança do consumidor e renda disponível não devem ser descartados para este ano.

Zimerman ressaltou que a situação macroeconômica não está fácil, mas diz que o Grupo Petz tem dupla resiliência, em função da proposta de valor diferenciada. Além da resiliência do segmento, a companhia tem resiliência dentro do mercado “porque nosso formato de loja vende onde quer que vá”, segundo Sergio.

Conforme ela, 80% do mix de produtos da Petz são itens essenciais, como alimentos, farmácia, higiene. E o consumo desses itens continua mesmo em momentos de crise. “Temos sofrido por compressão econômica. Tudo que não é essencial o consumidor está postergando e isso é natural”, diz o CEO.

Mas ele afirma que as margens dos produtos essenciais são menores, mas permitem à Petz margens saudáveis no consolidado.

 

 

Oito trimestre de alta

Entretanto, Zimerman destacou que os resultados do quarto trimestre de 2021 da Petz (PETZ3) consolidam oito trimestres consecutivos acima de 30%. “Esse resultado seria bom em qualquer cenário, mas é especialmente notável quando se considera o que tem sido os últimos trimestres para o varejo como um todo”.

Segundo ele, apesar de a Petz ter tese de crescimento contínuo nos próximos anos, o foco é realizar isso de forma escalável e rentável.

“Nós não estamos acomodados com essa atual vantagem competitiva. Em algum momento concorrentes também podem conseguir construir uma plataforma talvez tão rentável e escalável quanto a nossa. Por isso, desde o ano passado criamos um ecossistema com pilares fortes e com aquisições (de empresas)”, afirmou.

A Petz já adquiriu as empresas Cansei de Ser Gato, Zeedog e Cão Cidadão e está em finalização de integração dessas comapnhias.

A aquisição da Petix ainda espera aprovação do Cade. Mas agora, segundo Sergio, a Petz está “tomando cuidados com M&As (fusões e aquisições) que estamos fazendo”.

O foco é consolidar e ampliar a liderança no segmento e aumentar a barreira de entrada no setor.

Expansão online

O CEO da Petz destacou também a expansão das vendas digitais, que mais do que dobrou de faturamento em 2021 em relação a 2019. “Estamos com um CAGR bastante robusto, acelerando ainda mais esse crescimento”, afirma.

Houve crescimento em 2021 de 90% do faturamento do digital, que já veio sobre uma base forte de crescimento em 2020. Assim, o percentual de faturamento do digital compõe mais de 30% do total da Petz em 2021.

A CFO e diretora de relações com investidores da Petz, Aline Ferreira Penna Peli, destacou que a empresa se encontra “com uma posição de caixa confortável em função do follow-on” realizado.

Foram investidos R$ 102 milhões em 2021, com alavancagem de 1,9x. Assim, a empresa espera cumprir com tranquilidade a abertura de um novo centro de distribuição em Goiânia e as 50 novas lojas previstas para este ano. Em média cada um deve custar entre R$ 5,5 milhões e R$ 6 milhões.

Mas a empresa está de olho também na pressão inflacionária que pesa também sobre o custo da construção de novas lojas. Segundo Zimerman, há um monitoramento frequente para tentar ser “mais eficiente para compensar esse custo de aumento por metro quadrado”.

“Estamos tentando fazer lojas mais produtivas, que possam otimizar o metro quadrado mantendo o nível de experiência e repensando padrões de execução da loja que não impactem na segurança e funcionalidade, mas que compensem os custos de matéria-prima”, destaca.

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