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Ibovespa fecha em leve alta com vendas do varejo e à espera do BCE; dólar cai

Mercado tem dia positivo em meio a recuperação das varejistas e espera por estímulos no encontro de amanhã da autoridade monetária europeia

ações alta bolsa índices gráfico
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Depois de dois pregões de fortes quedas das ações de varejistas, nesta quarta-feira (11), o setor se recuperou e ajudou o Ibovespa a terminar o pregão na ponta positiva. 

No ambiente macroeconômico, os investidores comemoraram o crescimento acima do esperado das vendas no varejo, que avançaram 1% em julho de 2019 na comparação com o mês anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa mediana do consenso Bloomberg era de um avanço de 0,2%. 

O Ibovespa subiu 0,4% a 103.445 pontos com volume financeiro negociado de R$ 16,327 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial recuou 0,76% a R$ 4,0637 na compra e a R$ 4,0644 na venda. O dólar futuro com vencimento em outubro caía 0,4% a R$ 4,070. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 tem alta de quatro pontos-base a 5,38%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 registra ganhos de dois pontos-base a 6,45%. 

Amanhã, o mercado ficará atento à reunião do Banco Central Europeu (BCE) às 8h45 (horário de Brasília). Espera-se que a autoridade monetária promova um corte de 10 pontos-base na taxa de depósitos e faça um compromisso mais forte de se encaminharem compras mensais de 30 bilhões de euros em ativos por nove a 12 meses. 

O BCE deve impactar o câmbio, pois segundo relatório do Credit Suisse, o euro pode se aproximar de 1,117 em relação ao dólar se não houver surpresas. Se, por outro lado, o presidente do BCE, Mario Draghi, mantiver sua postura mais agressiva, poderia haver um teste das mínimas deste mês em busca dos 1,08 por dólar. 

Se for confirmado o pacote de estímulos, aumentará a disponibilidade de dinheiro na mão do investidor europeu, que poderá buscar ativos brasileiros para conseguir retornos maiores, valorizando o real contra o dólar. 

Além disso, a decisão deve influenciar o Federal Reserve na semana que vem, o que também gera volatilidade no câmbio por aqui. 

No cenário político nacional, a discussão sobre a criação de um novo tributo similar à CPMF fez o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, deixar o governo

Ontem, o secretário-adjunto da Receita, Marcelo de Sousa Silva, confirmou que o governo vai enviar a proposta que reintroduz o imposto sobre transações financeiras para reduzir gradualmente os impostos que as empresas pagam sobre os salários de funcionários.

A proposta, que foi apresentada informalmente ontem no Fórum Nacional Tributário, prevê taxar em 0,40% as operações de saques e depósitos, e em 0,20% as operações de débito e crédito.

O pedido de exoneração de Marcos Cintra foi confirmado pelo Ministério da Economia, que afirmou em nota que "ainda não há um projeto de reforma tributária finalizado."

Noticiário Corporativo

Os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) registraram perdas com a virada do petróleo para o negativo após o presidente Donald Trump falar em flexibilizar as sanções contra o Irã para reabrir as negociações.

Mais cedo, as ações e o preço da commodity subiram em meio aos dados do Instituto Americano de Petróleo (API), apontando uma queda nos estoques americanos. Ajudou também no alívio matinal os estoques de petróleo calculados pelo Departamento de Energia (DoE), que caíram 6,9 milhões de barris em relação à semana anterior, contra uma estimativa de queda em 2,7 milhões de barris.

O valor de mercado de Magazine Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3), Lojas Americanas (LAME4) e Via Varejo (VVAR3) teve forte queda ontem, com o anúncio de lançamento do Amazon Prime no Brasil. As empresas, conjuntamente, perderam R$ 4,75 bilhões em valor de mercado, fechando o dia valendo R$ 103,7 bilhões.

A Amazon vai lançar, inicialmente, uma oferta de frete grátis ilimitado para cerca de 500.000 produtos, entre os 20 milhões que a Amazon já tem disponíveis na maior economia da América Latina.

Já a  Comissão de Ciência, Tecnologia Inovação, Comunicação e Informática (CCT) analisa nesta quarta o relatório do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 79/2016, que altera o regime de concessão de telefonia fixa, como forma de autorizar a prestação do serviço pela iniciativa privada.

O texto também transfere a infraestrutura de telecomunicações da União para as concessionárias que exploram o serviço desde a privatização do setor, em 1998. A reunião está marcada para as 10h, na sala 15 da ala Alexandre Costa.

Confira aqui mais destaques de ações. 

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRVE3 MRV ON 18,50 +9,02 +52,90 337,17M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 34,59 +6,43 +53,68 522,59M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 88,35 +6,06 +10,14 276,19M
 NATU3 NATURA ON 67,55 +5,38 +50,94 153,54M
 LAME4 LOJAS AMERICPN 18,79 +5,21 -4,25 90,90M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONALON 14,49 -3,08 +71,97 140,76M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 17,90 -2,61 -31,01 88,26M
 BBAS3 BRASIL ON 47,99 -2,38 +6,64 680,20M
 GGBR4 GERDAU PN 13,23 -2,15 -9,16 208,58M
 GOAU4 GERDAU MET PN 6,42 -1,83 0,00 64,55M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 26,87 -0,85 1,39B 1,23B 41.512 
 VALE3 VALE ON 47,95 -0,60 808,19M 850,62M 29.611 
 BBAS3 BRASIL ON 47,99 -2,38 680,20M 464,34M 30.568 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 35,17 -0,45 572,03M 692,47M 26.823 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,91 +0,48 542,66M 363,23M 28.633 
 B3SA3 B3 ON 44,53 +1,44 540,65M 480,57M 32.065 
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 34,59 +6,43 522,59M 389,89M 38.885 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 34,27 -0,44 494,02M 614,98M 23.076 
 JBSS3 JBS ON 28,60 -1,38 373,04M 353,11M 29.115 
 MRVE3 MRV ON 18,50 +9,02 337,17M 150,31M 42.994 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Previdência e Economia

O relator da reforma da Previdência no Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE), admitiu alterar o texto do relatório para evitar atrasos na tramitação da proposta - cujo calendário prevê conclusão no dia 10 de outubro.

Conforme a Coluna do Estadão revelou, técnicos do Congresso têm uma tese de que algumas das supressões no relatório da reforma mudam o conteúdo da PEC. Se prevalecer esse entendimento, a proposta deverá voltar para a Câmara.

No parecer, Tasso retirou a expressão "no âmbito da União" do trecho sobre a cobrança de alíquotas extraordinárias para financiar o déficit do regime dos servidores. Com isso, ele dá autonomia a Estados e municípios para implementarem a contribuição extraordinária caso seja necessário.

"Existe essa discussão entre os técnicos, mas não vai haver atraso nenhum. Nós vamos discutir, sendo o caso eu jogo para a (PEC) paralela se tecnicamente se chegar a essa conclusão", disse o relator.

Já o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, apresentou a senadores um cálculo apontando que, após as alterações na reforma da Previdência pela Casa, a economia fiscal com as mudanças cai para R$ R$ 876,7 bilhões em dez anos.

O texto aprovado pela Câmara prevê ajuste de R$ 933,5 bilhões no período de uma década. Nos cálculos do governo, as alterações no relatório de Jereissati aprovadas pela CCJ reduzem o montante em R$ 56,8 bilhões. Para o Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, a desidratação é ainda maior: R$ 64 bilhões.

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O Estadão traz que portaria do Ministério do Desenvolvimento Regional liberou recursos do FGTS para destravar a contratação de R$ 26,2 bilhões em unidades do Minha Casa Minha Vida para famílias das faixas 1,5 e 2 do programa, com renda entre R$ 1,8 mil e R$ 4 mil. O fundo poderá responder por 100% do subsídio da na compra dos imóveis.

Ainda na economia, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia reduziu de 3,8% para 3,6% a estimativa para a inflação até dezembro, enquanto elevou de 0,81% para 0,85% a projeção de crescimento este ano do PIB.

O governo espera uma recuperação da atividade econômica a partir de setembro, diante da redução da taxa básica de juros (Selic), da elevação da confiança de empresários e consumidores, além da liberação de saques das contas do FGTS.

 

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