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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Mercados internacionais operam pressionados por Brexit e inflação ao produtor na China; no Brasil, data de votação da reforma da Previdência no Senado pode ser decidida

Senado
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou a sessão da véspera com alta de 0,24%, aos 103.180 pontos, por conta da expectativa de que ocorra por parte da China algum anúncio de estímulos econômicos, após a desaceleração registrada no seu comércio exterior, o que impulsionou as ações de commodities. Por outro lado, o setor de varejo acabou decepcionando, reduzindo os ganhos da bolsa brasileira.

Hoje, os futuros de Nova York e as bolsas europeias – com o impasse sobre a saída do Reino Unido da União Europeia – operam em queda nesta manhã. Cabe destacar que ontem o índice Dow Jones atingiu seu quarto pregão consecutivo de ganhos com os possíveis avanços na negociações comerciais entre EUA e China.

No Brasil, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tentará fechar um acordo hoje, na reunião de líderes, para confirmar o dia da votação da proposta de emenda à constituição (PEC), que trata das alterações nas aposentadorias. Inicialmente, o calendário previa a votação em primeiro turno apenas no dia 24 de setembro.

Confirma os destaques desta terça-feira:

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, as bolsas fecharam em direções distintas após dados de inflação na China. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) sofreu contração de 0,8% em agosto ante o mesmo mês do ano passado, recuo ligeiramente menor do que os 0,9% projetados por analistas. Na comparação mensal, o PPI caiu 0,1% em relação a julho.

Já o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da China subiu 2,8% em agosto na comparação anual, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês).

A leitura superou as expectativas de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam alta de 2,6%. Com o resultado, a inflação no país asiático se aproxima da meta de cerca de 3% do governo chinês. Em relação a julho, o CPI registrou ganho de 0,7% em agosto.

Os principais impulsionadores dos preços na China foram as carnes - em especial, a carne de porco, que teve valorização de 46,7% na comparação anual, devido a uma escassez do produto. Os preços gerais de carnes, incluindo suína, bovina e ovina, tiveram alta de quase 31% em relação a agosto de 2018.

Na Europa, os principais mercados operam em queda, não só por conta do impasse sobre o Brexit, com também por conta do Banco Central Europeu (BCE), que poderá anunciar um pacote de estímulos à zona do euro nesta semana.

No Reino Unido, o primeiro-ministro, Boris Johnson, reiterou que não pretende solicitar uma extensão do Brexit, horas após a entrada em vigor de uma lei solicitando o adiamento para janeiro de 2020, a menos que ele garantisse um acordo de retirada.

Entre os indicadores, a taxa de desemprego no Reino Unido caiu para 3,8% no período de três meses até julho, de 3,9% no trimestre até junho, voltando ao menor patamar desde 1974, segundo dados da ONS. O resultado surpreendeu analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam manutenção da taxa em 3,9%.

Entre as commodities, os preços futuros do minério de ferro operam em alta expressiva, por conta da expectativa de estímulos econômicos na China. Já o petróleo, opera em alta com expectativa de cortes na produção.


Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h41 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,13%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,20%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,10%
*DAX (Alemanha), -0,13%
*FTSE (Reino Unido), -0,10%
*CAC-40 (França), -0,41%
*FTSE MIB (Itália), -0,49%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,01% (fechado)
*Xangai (China), -0,12% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,35% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,59%, a US$ 58,19 o barril
*Petróleo Brent, +0,50%, a US$ 62,90 o barril
*Bitcoin, US$ 10.279,03, -0,21%
R$ 42.405, +0,01% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 3,31%, cotados a 655,50 iuanes, equivalentes a US$ 92,26 (nas últimas 24 horas).

 

2. Agenda Econômica

No Brasil, às 8h00, a FGV informa a primeira prévia do IGP-M de setembro. Já às 9h00, o IBGE informa a expectativa para a safra de grãos e os dados da produção industrial regional.

Nos Estados Unidos, serão conhecidos os números de abertura de postos de trabalho de junho do relatórios Jolts. Os investidores devem ficar atentos ainda à apresentação da Apple, às 14h00, quando lança novos modelos do iPhone.

Já às 17h30, serão conhecidos os dados de estoques de petróleo, gasolina e destilados nos EUA apresentados pelo API. 

3. Noticiário Político

Na política, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), desistiu de tentar votar esta semana a PEC que trata da reforma da Previdência. Segundo Alcolumbre, a votação em primeiro turno da reforma deverá ficar para a próxima semana. “Como não há consenso em relação a gente tentar antecipar esse calendário, eu vou seguir o que está comprometido que é o acordo com os senadores, [de votar] na outra semana, para cumprir as cinco sessões.”

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Semana passada, após a aprovação do relatório da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o presidente da Casa manifestou a vontade de firmar um acordo entre os líderes para votar o texto em primeiro turno sem o cumprimento do prazo mínimo de cinco sessões de discussão. Entretanto a oposição não se mostrou disposta a fechar acordo para acelerar a votação da reforma da Previdência.

“A sinalização que há é que alguns líderes estão insistindo que a gente cumpra um calendário. Eu fiz acordo com os líderes para um calendário de debates. Amanhã é a sessão temática no plenário do Senado. Há esse sentimento de a gente cumprir esse calendário”, acrescentou Alcolumbre.

Alcolumbre informou ainda que a indicação do novo procurador-geral da República deve ser votada em plenário na semana do dia 22 de setembro. Como o mandato da atual procuradora-geral Raquel Dodge termina no dia 17 deste mês, o cargo deverá ser ocupado interinamente por um substituto.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro indicou o subprocurador-geral Augusto Aras para a função. A indicação passará por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e depois precisa ser aprovada por maioria em plenário.

A indicação de Aras, porém, vem gerando protestos. Membros do Ministério Público Federal fizeram atos em vários estados para defender "a independência do Ministério Público e a transparência ao processo de escolha" do PGR, por meio da lista tríplice elaborada pela ANPR.

Já o Estadão destaca que Aras foi o único candidato ao cargo que se comprometeu com uma série de “valores cristãos” previstos em carta da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos, como manter símbolos religiosos em repartições públicas e preservar a família “heterossexual e monogâmica”.

O jornal O Globo acrescenta que Aras já convidou dois procuradores para sua equipe, ambos com pensamento conservador. Ailton Benedito defendeu a apreensão de livros na Bienal do Rio e Eitel Santiago Pereira chama o Golpe de 64 de “Revolução”.

Ainda na política, lideranças politicas articulam a aprovação de uma PEC que impeça juízes de primeira instância de determinarem medidas contra políticos, como prisão, quebra de sigilo bancário e telefônico, e mandados de busca e apreensão, traz o Estadão.

Numa possível prévia das eleições presidenciais de 2022, os governadores João Doria, de São Paulo, e Wilton Witzel, do Rio de Janeiro, fizeram ontem críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

Witzel sinalizou que o presidente Bolsonaro falha ao liderar sua base no Congresso Nacional para agilizar as reformas estruturais necessárias. Ele afirmou que há lentidão no andamento da reforma da Previdência e disse que isso seria resultado de uma falta de liderança.

"Para governar é preciso liderar também o Congresso Nacional. Por um acaso os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, estão fazendo esse trabalho, mas o governo precisa ter uma articulação melhor", disse Witzel.

Doria, por sua vez, disse ser contra a criação de novos impostos no País. "Se o ministro Paulo Guedes me perguntar se sou a favor da criação de uma nova CPMF, vai ouvir um sonoro 'não'", afirmou o governador. "É um pequeno ponto de discordância em relação à equipe econômica", complementou.

Já o vereador Carlos Bolsonaro, um dos filhos políticos do presidente, publicou nas redes sociais que “por vias democráticas a transformação que País quer não acontecerá”. Já a direção do PSL, pediu a Flávio Bolsonaro que trabalho no Senado contra a criação da CPI da Lava Toga.

Por fim, o ex-presidente Lula e seu irmão Frei Chico foram denunciados por corrupção passiva em razão de propinas pagas pela Odebrecht em troca de vantagens no governo, aponta o MPF.

4. Noticiário Econômico

O jornal O Globo destaca que, para desonerar totalmente a folha de pagamento, reduzindo custos das empresas com o objetivo de gerar empregos, o governo terá que arrecadar ao menos R$ 200 bilhões ao ano com a “Nova CPMF”. Segundo a publicação, a equipe econômica quer implantar o novo impostos gradualmente, sem aumento da carga tributária.

Segundo o Globo, sobre a “Nova CPMF”, de início, a alíquota seria de 0,4%, mas a cobrança seria dividida entre as duas partes da transação (quem paga e quem recebe). Ao final do processo, a tributação seria de 1%, equivalente a 0,5% em cada lado da operação.

O Estadão destaca que o Ministério da Economia quer o fim do monopólio da Caixa na gestão do FGTS e alterações na forma como são feitos os aportes no Programa Minha Casa Minha Vida. Para o governo, outros bancos poderiam cobrar menos pela gestão e oferecer maiores retornos.

Ainda sobre o programa habitacional, o orçamento de 2020 prevê o aporte de R$ 2,7 bilhões, montante inferior aos R$ 6,5 bilhões programados para este ano. Os recursos deverão ser destinados, basicamente, à conclusão das obras que foram iniciadas.

O jornal Valor Econômico traz que a regulamentação da venda de terras a estrangeiros divide os produtores rurais, mas ganhou impulso no Congresso Nacional graças a articulação da bancada ruralista, apoiada pela ministra Tereza Cristina. A abertura poderia gerar R$ 50 bilhões ao ano de investimento.

5. Noticiário Corporativo

As agências de rating concederam ontem suas notas para a emissão no exterior anunciada pela Petrobras. Fitch e S&P deram o rating "BB-" para a operação, enquanto a Moody's deu a classificação Ba2. A emissão está condicionada a uma oferta de troca de títulos por novos, com vencimento em janeiro de 2030, que oferecerão rendimento igual aos títulos do tesouro dos EUA. Os títulos que podem ser trocados têm vencimento entre 2023 e 2029.

O banco estatal Banrisul informou em fato relevante a realização de uma oferta pública de distribuição secundária de 96.323.426 ações ordinárias pertencentes ao Governo do Rio Grande do Sul. Com base na cotação de 9 de setembro, de R$ 23,18 por ação, o montante da oferta poderia atingir R$ 2,232 bilhões. O preço, porém, será fechado dia 17 de setembro.

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado deve analisar hoje, às 14h30, as emendas do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 79/2016, que modifica a Lei Geral de Telecomunicações (Lei 9.472, de 1997). O texto altera o regime de concessão da telefonia fixa, permitindo que seja feita por autorização à iniciativa privada. Também transfere a infraestrutura de telecomunicações da União para as concessionárias que exploram o serviço desde a privatização do setor em 1998.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado e Bloomberg)

 

 

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