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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Mercados internacionais operam em alta com projeto que evita Brexit sem acordo e recuo de Hong Kong sobre extradições; no Brasil, CCJ do Senado aprecia Previdência

Boris Johnson
(ONU / Jean-Marc Ferré)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com queda de 0,94%, aos 99.680 pontos, em um dia que teve bastante volatilidade devido à divulgação de indicadores fracos nos Estados Unidos.

Hoje, os mercado internacionais operam em alta, após parlamentares britânicos barrarem a possibilidade de uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo e em Hong Kong com relatos de que o polêmico projeto de extradição – que vem causando uma onda de protesto – será abandonado.

Os investidores vão monitorar ainda a divulgação do Livro Bege pelo Federal Reserve, às 15h00, relatório que traz um resumo das condições econômicas dos Estados Unidos e serve de base para as próximas tomadas de decisão monetária.

No Brasil, destaque para o Senado, que após aprovar ontem à noite no Plenário a PEC que permite à União compartilhar com Estados e municípios os recursos arrecadados nos leilões do pré-sal, começa a votação na CCJ do texto da reforma da Previdência.

Confirma os destaques desta quarta-feira:

1. Bolsas Internacionais

As bolsas na Ásia fecharam majoritariamente em alta, com a indicação de que a líder de Hong Kong Carrie Lam retirará o polêmico projeto de extradição de cidadãos para a China, o que provocou uma onda de protestos e pesou sobre o mercado acionário local.

Na China, o Índice de Gerentes de Compras dos Serviços Caixin / Markit chegou a 52,1 em agosto, o maior desde maio. Os dados oficiais de agosto divulgados no final de semana já haviam mostrado que a atividade do setor de serviços se recuperou pela primeira vez em cinco meses.

Na Europa, as bolsas operam em alta, diante da derrota do governo do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, no Parlamento, onde os congressistas votaram pela aprovação do bloqueio de um Brexit sem um acordo.

Johnson disse após a votação que apresentaria uma moção para uma eleição geral, mas o principal líder do Partido Trabalhista da oposição, Jeremy Corbyn, disse que não apoiará as eleições antecipadas, a menos que o projeto de lei que descarte qualquer acordo seja aprovado primeiro.

Entre os indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, subiu de 51,5 em julho para 51,9 em agosto, segundo pesquisa da IHS Markit. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade.

O resultado ficou acima da leitura prévia de agosto e da previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 51,8 em ambos os casos. Apenas o PMI de serviços da zona do euro aumentou de 53,2 em julho para 53,5 em agosto. A estimativa preliminar também era menor, de 53,4.

Já as vendas no varejo da zona do euro caíram 0,6% em julho ante junho, segundo a Eurostat. O resultado veio em linha com a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Na comparação anual, porém, as vendas do setor varejista do bloco cresceram 2,2% em julho. Os dados de junho foram revisados, para alta mensal de 1,2% e acréscimo anual de 2,8%.

Entre as commodities, os futuros do minério de ferro e as cotações do petróleo operam em alta nesta manhã, se recuperando das perdas recentes, mesmo em meio às incertezas quanto ao desempenho da economia global.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h37 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,81%
*Nasdaq Futuro (EUA), +1,09%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,78%
*DAX (Alemanha), +1,08%
*FTSE (Reino Unido), +0,44%
*CAC-40 (França), +1,12%
*FTSE MIB (Itália), +1,63%
*Hang Seng (Hong Kong), +3,90% (fechado)
*Xangai (China), +0,93% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,12% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,80%, a US$ 54,37 o barril
*Petróleo Brent, +0,51%, a US$ 58,56 o barril
*Bitcoin, US$ 10.561, +1,86%
R$ 43.500, +2,60% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 1,42%, cotados a 644,50 iuanes, equivalentes a US$ 90,19 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, a agenda de indicadores conta com a divulgação, às 10h00, do PMI da Markit. Já as 14h30, o Banco Central informa a posição de câmbio das instituições financeiras e Índice de Commodities (IC-Br).

Nos Estados Unidos, saem os dados da balança comercial de julho, às 9h30, quando os impactos da guerra comercial com os chineses devem ser demonstrados nos números. Também está prevista a publicação do índice de condições empresariais de Nova York (ISM) de agosto.

3. Congresso

Os senadores fecharam um acordo para acelerar a tramitação da PEC paralela da Previdência. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) votará hoje o texto principal da reforma e já colocará em votação a criação do texto paralelo com as alterações sugeridas pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

O acordo permitirá que as duas propostas - a reforma aprovada na Câmara e a PEC paralela - já sejam direcionadas ao plenário. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), declarou que vai tentar fazer com que os dois textos sejam votados no plenário até o dia 10 de outubro, data prevista para a conclusão da votação da reforma na Casa.

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O acordo abrevia a tramitação da PEC paralela em 30 dias, já que a previsão inicial era de que esse texto só começasse a tramitar no Senado após o primeiro turno da reforma no plenário - programada para 24 de setembro. O acordo não envolve o conteúdo da proposta, que enfrenta resistência na Casa.

Na CCJ, a presidente do colegiado, Simone Tebet (MDB-MS), declarou que não vai encerrar a sessão desta quarta-feira, 4, enquanto as votações do texto principal e da PEC paralela não forem concluídas. Ela calcula que a reforma principal será aprovada pela comissão com 15 votos contra 10.

O Senado aprovou ontem à noite uma proposta para destinar um repasse extra de R$ 2,19 bilhões do megaleilão do petróleo para o Rio de Janeiro. O pedido atende a uma demanda do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que criticou o fato de o Estado, que é o produtor nas áreas de cessão onerosa, receber valores menores do que não produtores na divisão.

Como o texto aprovado na Câmara foi alterado, a PEC terá de retornar para análise dos deputados federais. O leilão deve ser realizado no dia 6 de novembro e tem bônus de assinatura de R$ 106,561 bilhões.

Desse total, a Petrobras ficará com R$ 33,6 bilhões e Estados e municípios terão R$ 21,9 bilhões - Estados ficam com 15% dos recursos e os municípios com outros 15%, descontada a quantia devida pela União à Petrobras. O restante, o equivalente a 70%, ficaria com a União, pela proposta aprovada na Câmara.

Já a Câmara dos Deputados aprovou, por 263 votos a 144, o texto-base da proposta que traz novas regras para aplicação e fiscalização do Fundo Partidário; prevê a volta da propaganda partidária semestral; e exceções aos limites de gastos de campanhas eleitorais. Os destaques que podem alterar pontos do texto serão votados nesta quarta-feira.

Segundo o texto, uma das mudanças é que somente 50% das cotas mensais do Fundo Partidário repassadas aos partidos poderão ser retidas para fins de ressarcimento de despesas consideradas irregulares na prestação de contas desaprovada pela Justiça Eleitoral. A lei determina que os partidos devem devolver o montante irregular com multa de 20%.

Quanto ao limite de gastos para as campanhas eleitorais, o texto propõe que fiquem de fora os gastos advocatícios e de contabilidade referentes a consultoria, assessoria e honorários relacionados à prestação de serviços em campanha ou em processo judicial em que figura como parte o candidato ou seu partido político.

Outras mudanças são: os partidos poderão escolher o local de sua sede nacional, não poderão ser cobrados pelos bancos com taxas diferentes de outros correntistas e poderão ter acesso a dados de seus filiados por meio de sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Estadão destaca que a aprovação por parte da Câmara dos Deputados ocorreu horas após o governo anunciar a revisão no valor destinado às companhas eleitorais, de R$ 2,5 bilhões para R$ 1,8 bilhão. Segundo a publicação, o texto aprovado não fixa valor, mas os congressistas esperam engordar o valor do fundo.

4. Bolsonaro e Governo

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente Jair Bolsonaro disse que a Polícia Federal precisa dar uma “arejada” e chamou de “babaquice” a reação de integrantes da corporação às declarações de que pode trocar o diretor-geral, Maurício Valeixo. Segundo a publicação, Bolsonaro afirmou que já teve uma discussão com o ministro Sergio Moro sobre possível mudança na PF. “Ele pode trocar (o diretor-geral) quando quiser”, afirmou o presidente.

Bolsonaro descreveu Moro como “ingênuo” ao chegar ao governo e disse que ele provavelmente não passaria na sabatina do Senado caso fosse indicado à posição de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Já sobre Paulo Guedes, o presidente afirmou que o ministro da Economia era “chucro” politicamente. “Já falei para o Guedes: para ter uma nova CPMF, tem que ter uma compensação para as pessoas. Se não, ele vai tomar porrada até de mim”, disse.

O presidente voltou a criticar à Folha o governador de São Paulo João Doria, que se coloca como alternativa à sua reeleição. Bolsonaro reafirmou que pretende concorrer à reeleição em 2022 e classificou as tratativas de Doria a postular o cargo máximo do Estado brasileiro como “ejaculação precoce”.

Já o jornal O Estado de S.Paulo destaca que a Casa Civil e oficiais-generais das Forças Armadas fazem pressão para que a regra do teto de gastos seja flexibilizada. O instrumento, criado na gestão do presidente Michel Temer, limita o crescimento das despesas do governo à inflação.

No domingo, o presidente Jair Bolsonaro citou que o arrocho nas contas públicas pode atrapalhar sua tentativa de reeleição, já que o mecanismo limita os investimentos mesmo com aumento da arrecadação.

O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, disse ontem que a equipe econômica quer que a reforma tributária ajude a impulsionar a geração de empregos no País.

Ao ser questionado sobre planos para criação de um novo imposto, nos moldes da CPMF, Rêgo Barros disse que a equipe econômica "estuda, na verdade, como desonerar folha para incentivar criação de empregos".

Segundo o general, Bolsonaro deve participar de decisões sobre a desoneração e a possibilidade de criar novo imposto. O presidente aguarda posicionamento do ministro da Economia, Paulo Guedes, disse Rêgo Barros.

5. Noticiário Corporativo

A Petrobras prevê que o primeiro óleo dos campos de Berbigão/Sururu, no pré-sal da bacia de Santos, será extraído no quarto trimestre deste ano, com perspectivas de ficar 25 anos em produção. A Petrobras opera este campo com 42,5%, ao lado de Shell (25%), Total (22,5%) e Petrogal (10%). O investimento da Petrobras no projeto totaliza US$ 2,6 bilhões.

A Oi recebeu autorização da Justiça para iniciar uma transição no comando da empresa, segundo o Estadão. Nessa transição, Rodrigo Abreu, membro do conselho de administração da Oi e ex-presidente da TIM, assumirá a posição de diretor operacional e, perto do fim do ano, substituirá o atual presidente da operadora, Eurico Teles, no posto desde 2017.

O vice-presidente de finanças e risco do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou que o programa de desligamento voluntário (PDV) do banco teve adesão acima do esperado pela instituição. Segundo ele, "Temos um conjunto de cerca de 7 mil funcionários elegíveis e o porcentual de adesão dentro desse universo está acima do esperado", disse. O prazo que os funcionários tinham para se candidatarem ao PDV terminou no último sábado, dia 31 de agosto.

A MRV Engenharia, construtora brasileira focada no segmento residencial de baixa renda, está perto de comprar o controle da AHS Residential, uma empresa-irmã sediada nos EUA, segundo uma pessoa próxima às negociações. A aquisição está no estágio final e deve ser anunciada em breve, segundo a pessoa, que não quis revelar o valor da transação. A MRV, por meio da assessoria de imprensa, não confirmou a informação.

(Com Agência Estado, Agência Câmara, Agência Senado e Bloomberg)

 

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