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Ibovespa Futuro tem leve queda com exterior e anúncio "morno" de privatizações

Desestatização de 9, em vez de 17 empresas, pode deixar os investidores menos animados, enquanto membro do Fed sinaliza que não deve haver um corte de juros tão cedo

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SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro abre em leve queda nesta quinta-feira (22) com correção após a euforia que tomou conta dos mercados na véspera. Ontem, o índice à vista subiu 2% puxado por Petrobras após notícia de que o governo pretende privatizar completamente a estatal até o fim da gestão Bolsonaro. 

Lá fora, os investidores operam com cautela depois da presidente do Federal Reserve de Kansas, Esther George, afirmar que a economia dos EUA não precisa de taxas de juros mais baixas. "Não é hora ainda, eu não estou pronta para prover mais acomodação para a economia sem enxergar uma perspectiva de que a atividade está ficando mais fraca", disse. 

Às 09h13 (horário de Brasília) o contrato Futuro do Ibovespa para outubro caía 0,28% a 101.845 pontos, enquanto o dólar futuro para setembro sobe 0,15% a R$ 4,034. 

Pelo Twitter, o presidente norte-americano Donald Trump escreveu que o país precisa de um "grande corte" nos juros e que o mercado, porém, "não pode contar" com o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, criticando abertamente a postura mais dovish do presidente do Fed.

Powell, por sua vez, defende a cautela em relação ao ciclo de relaxamento monetário, já que não se sabe ainda com exatidão até que ponto a guerra comercial de Trump com os chineses vai afetar o desempenho da indústria americana.

Entre os indicadores, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que variou 0,08% em agosto. A estimativa mediana do consenso Bloomberg era de avanço de 0,16% na inflação. 

Em 12 meses, o IPCA-15 sobe 3,22%, contra expectativas de 3,32%. No mês passado, o indicador registrou leve avanço de 0,09%. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 recua dois pontos-base a 5,35%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem queda do mesmo montante a 6,34%. 

Privatizações

O governo anunciou no nome de nove empresas públicas que foram incluídas na lista de privatizações. O pacote de privatizações do governo federal, que inicialmente previa a oferta de 17 companhias estatais, foi desidratado.

Foram nove companhias listadas dentro do programa de desestatização: ABGF, Emgea, Serpro, Dataprev, Ceagesp, Codesp, Ceitec, Telebrás e Correios.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que a carteira do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) pode chegar a quase R$ 2 trilhões. A carteira total inclui a privatização de 11 ferrovias, 21 portos e 22 aeroportos.

Para chegar ao número de 17, o governo citou a Lotex, que já passou por duas tentativas frustradas de leilão, a venda de ações do Banco do Brasil detidas pela União e seis estatais que já estavam no Programa de Parcerias e Investimentos (PPI). A Lotex, no entanto, nem pode ser caracterizada como estatal, pois é uma atividade da Caixa Loterias, e não uma subsidiária.

Ao tentar explicar as informações trocadas, o secretário especial de Desestatizações, Salim Matar, disse que houve "equívoco de informação" e que, na realidade, as 17 ofertas se referiam ao que está no "pipeline" do governo.

Prazos também não foram informados, apesar da insistência dos jornalistas em entender o cronograma do governo. "O mais importante não é prazo, é a atitude", respondeu Salim.

Além de incluir nove empresas no PPI, o governo federal anunciou que novos projetos da área social também serão alvo de estudos com o objetivo de atrair investimentos privados.

O governo irá se debruçar sobre projetos voltados para a universalização do saneamento, creches, unidades prisionais, iluminação pública para enfrentamento à criminalidade, atendimento socioeducativo, recuperação energética de resíduos e sólidos urbanos.

Estes estudos, especificamente, irão envolver os ministérios da Educação, da Justiça, da Mulher e Direitos Humanos, do Desenvolvimento Regional e do Meio Ambiente.

Noticiário Corporativo

Entre as empresas do programa de privatização, a possibilidade de que a Petrobras seja incluída agitou o mercado ontem e fizeram com que as ações saltassem até 8% (PN) em poucos minutos na reta final do pregão.

Segundo o jornal Valor Econômico, citando uma fonte graduada do governo, a equipe econômica pretende privatizar a estatal do petróleo até 2022, último ano do mandato de Jair Bolsonaro.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse, porém, oficialmente, que o governo ainda não decidiu colocar a Petrobras na carteira do PPI. Quando uma empresa passa a fazer parte do PPI, é possível iniciar estudos para decidir a respeito de uma futura privatização. "Não há decisão ainda de colocar a Petrobras como um todo no PPI", disse.

O ministro afirmou que o governo ainda realizará estudos para definir o futuro da companhia. Esses estudos serão realizados pelo próprio PPI, pelo BNDES e pelo Ministério de Minas e Energia.

Segundo ele, isso será feito de forma criteriosa. "Temos muito a fazer antes de poder trazer todas as áreas (da Petrobras) em processos de privatização", afirmou.

"A Petrobras é gigantesca. O MME vem conduzindo um processo adequado e feito estudos de profundidade", disse Lorenzoni, referindo-se a estudos para venda de refinarias.

O ministro ressaltou ainda que já foram privatizadas a BR Distribuidora e a TAG. Onyx disse ainda que o governo não incluiu a petroleira na lista porque o Ministério de Minas e Energia ainda está fazendo estudos.

Sobre a Eletrobras, que não foi citada na lista do PPI porque já estava nos planos do governo, Maia afirmou que a companhia elétrica deverá ser privatizada "o mais rápido possível".

O projeto de privatização da Eletrobras, que precisa do aval do Congresso, poderia ser enviado em uma ou duas semanas, acrescentou Maia, que debateu o tema ontem com Guedes.

Para Maia, que reforçou que trabalhará para a aprovação da desestatização da Eletrobras, a ideia é montar um projeto que viabilize o investimento privado na estatal, com regulação forte e distribuição de recursos para as regiões atendidas pela companhia.

Outro projeto de interesse corporativo é o que institui um novo marco legal para o saneamento básico no País. A Câmara dos Deputados instalou a comissão especial que analisará o projeto de lei.

O texto, de autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), foi aprovado pelo Senado em junho deste ano. Ele facilita a abertura do setor para a iniciativa privada e a intenção de alguns Estados de privatizar ou capitalizar companhias estatais.

Quando anunciou a instalação, Maia disse que o grupo deverá analisar a proposta em, no máximo, quatro semanas, e que a Casa "precisa" fazer algumas mudanças no texto vindo do Senado.

"O governo mandou outro projeto, por isso é importante a criação da comissão especial. Já estamos atrasados", disse o projeto do saneamento.

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