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Ibovespa Futuro sobe com negociações entre EUA e China; dólar cai após atuação do BC

Mercado repercute intervenção da autoridade monetária para reduzir a volatilidade da moeda

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro abre em alta nesta quinta-feira (15) em recuperação após as fortes quedas da semana, que fizeram a Bolsa anular ganhos em agosto.

O índice reflete tanto a melhora no exterior em meio a notícias de que o presidente norte-americano Donald Trump e o líder chinês, Xi Jinping, estão em contato para tentar um acordo comercial quanto a atuação do Banco Central brasileiro para evitar um rali do dólar. 

Na véspera, o BC anunciou que fará leilões diários de até US$ 500 milhões em dólar à vista ao mesmo tempo em que ofertará swaps cambiais reversos. 

Às 09h10 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em outubro subia 0,94% a 101.875 pontos. Já o dólar futuro com vencimento em setembro caía 0,84%, voltando a superar os R$ 4,024. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 recuava quatro pontos-base a 5,44%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem perdas do mesmo montante a 6,43%.

Apesar da alta dos índices futuros dos EUA, as bolsas europeias caem, tendo virado para baixa após a China anunciar que precisa tomar "contramedidas necessárias" ao plano dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 10% a mais US$ 300 bilhões em produtos chineses.

Pequim alega também que o plano de Washington viola um consenso alcançado entre Trump e Xi. 

Os sinais, contudo, são mistos, visto que ao mesmo tempo saem notícias de que os dois presidentes têm se comunicado por telefone e até mesmo cartas para resolver os problemas comerciais. 

Noticiário Corporativo

Os destaques entre as empresas são os resultados do segundo trimestre. A operadora de telefonia Oi reportou um prejuízo dos acionistas controladores de R$ 1,5 bilhão no segundo trimestre, uma perda 24% superior a reportada no mesmo período do ano passado. Já o resultado das operações consolidadas apresentou prejuízo de R$ 1,6 bilhão.

A JBS teve no segundo trimestre de 2019 um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões, revertendo um prejuízo líquido de R$ 911 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado dos seis primeiros meses de 2019, a companhia teve lucro líquido de R$ 3,3 bilhões.

A Marfrig reverteu no segundo trimestre um prejuízo de quase R$ 600 milhões registrados no ano passado e obteve lucro de R$ 86,5 milhões entre abril e junho deste ano, o terceiro lucro trimestral consecutivo guiado por melhora operacional.

A Natura viu o lucro do segundo trimestre mais que dobrar na base de comparação anual com fortes vendas e controle de custos. O lucro líquido saltou 109,4%, para R$ 66,6 milhões.

A Ultrapar viu seu lucro líquido cair 47%, para R$ 127 milhões, no segundo trimestre de 2019 na comparação com abril e junho de 2018, em meio ao desempenho fraco de Oxiteno e Ipiranga.

A Via Varejo, dona das Casas Bahia e Ponto Frio, teve prejuízo líquido de R$ 154 milhões no segundo trimestre de 2019, revertendo lucro de R$ 14 milhões em igual período de 2018.

A Sabesp reportou um lucro 2,5 vezes superior, atingindo R$ 454,4 milhões, influenciado pela melhora no resultado financeiro por conta dos ganhos com variação cambial sobre empréstimos e financiamentos.

Também soltaram resultados as elétricas Equatorial, que teve lucro de R$ 316 milhões (+118%); Celesc com lucro de R$ 53,1 milhões (-23,25); Copel com lucro de R$ 346 milhões (-2,4%); a Eneva com lucro de R$ 19,5 milhões (-3,9%)

Entre as construtoras, a PDG reduziu em 27% seu prejuízo, a R$ 248,9 milhões; a Rossi viu suas perdas subirem 7,3%, a R$ 106,9 milhões; e Gafisa teve prejuízo de R$ 12,7 milhões (-49%). Já a Eztec teve alta de 6,5 vezes no lucro, que somou R$ 94,9 milhões, enquanto a Even saiu de prejuízo para lucro de R$ 22,047 milhões.

Por fim, a JSL teve lucro de R$ 71 milhões, alta de 41%; Biosev registrou prejuízo de R$ 168 milhões (-66,7%); SLC ganho líquido de R$ 211 milhões (+26%).

Banco Central

A última vez em que o BC tinha leiloado dólares das reservas à vista tinha sido em 3 de fevereiro de 2009, ainda durante a crise do subprime no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Com a decisão anunciada ontem, o BC muda a política de intervenções no câmbio. Até agora, o movimento era de leiloar contratos de swap cambial tradicional, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro.

Feitas em reais, essas operações não afetam as reservas internacionais, mas têm impacto na posição cambial do BC e aumentam os juros da dívida pública. Agora, o BC atuará de maneira diferente. Venderá até US$ 550 milhões no mercado à vista e, ao mesmo tempo, comprará o mesmo valor em contratos de swap cambial reverso, que funcionam como compra de dólares no mercado futuro.

Caso a demanda por dólares à vista fique abaixo desse valor, a autoridade monetária completará a operação com contratos de swap tradicional.Ao justificar a medida, o BC explicou que os swaps cambiais tradicionais são demandados por investidores que querem se proteger da volatilidade no câmbio, mas que uma parte do mercado está demandando dólares à vista por causa da situação econômica.

“Considerando a conjuntura econômica atual, a redução na demanda de proteção cambial (hedge) pelos agentes econômicos por meio de swaps cambiais e o aumento da demanda de liquidez no mercado de câmbio à vista, o Banco Central do Brasil comunica que, para efeito de rolagem da sua carteira de swaps, implementará a oferta de leilões simultâneos de câmbio à vista e de swaps reversos”, informou a instituição em nota.

Na nota, a autoridade monetária esclareceu que as operações conjugadas de venda direta, swap tradicional e swap reverso não mudarão a posição cambial do banco. No entanto, o estoque de swap tradicional, atualmente em torno de US$ 70 bilhões, vai aumentar, assim como o valor das reservas internacionais vai diminuir menos de 1%.

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