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Ibovespa Futuro cai ainda com cautela após eleições na Argentina; dólar tem leve alta

Derrota de Macri nas primárias deixa o investidor em compasso de espera por notícias que possam reacender algum otimismo

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro abre em queda nesta terça-feira (13) com os investidores ainda mostrando preocupação por causa da Argentina. 

O presidente Jair Bolsonaro apostou todas as suas fichas em uma recondução de Mauricio Macri à presidência e  agora pode se ver obrigado a montar um plano B para o provável cenário de ter no país vizinho uma gestão hostil. 

Fora da América do Sul, tensões comerciais entre Estados Unidos e China continuam, embora sem grandes movimentos de um lado ou de outro. Além disso, os investidores ainda monitoram os protestos que paralisam o aeroporto de Hong Kong e que elevam a volatilidade dos mercados. Os futuros dos índices norte-americanos operam em leves baixas. 

Às 09h08 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para agosto caía 0,3%, a 101.380 pontos. Já o dólar futuro para setembro sobe 0,13% a R$ 3,997. 

No mercado de juros futuros, tanto o DI para janeiro de 2021 quanto o para janeiro de 2023 operavam estáveis. 

Por aqui, as preocupações com o ritmo da atividade econômica contaminam o mercado financeiro. O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu paciência com o governo do presidente Jair Bolsonaro. Ontem, indicadores publicados apontaram para a possibilidade de uma recessão técnica no segundo trimestre deste ano.

"Deixem um governo liberal ter uma chance, esperem quatro anos. Não trabalhem contra o Brasil, tenham um pouco de paciência. Esperem a vez de vocês", afirmou Guedes, que participa hoje, logo cedo, da 18ª reunião do conselho governo, com o presidente Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

Noticiário Corporativo

A Petrobras realizou o pré-pagamento do Termo de Compromisso Financeiro (TCF) FAT/FC no valor de R$ 2,7 bilhões, cujo vencimento se daria em 2028, por conta do Acordo de Obrigações Recíprocas (AOR) que fora celebrado com a Petros e diversas entidades sindicais em 2006, visando uma solução para o reequilíbrio dos planos, ajuste de seus regulamentos e encerramento de litígios judiciais existentes.

A EcoRodovias e controladas da concessionária celebraram acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF) - Procuradoria da República no Paraná, que será levado à homologação da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF e da Justiça Federal de Curitiba. Pelo acordo, a EcoRodovias e ECS vão pagar multa de R$ 30 milhões; a Ecovia vai arcar com R$20 milhões de obras e R$ 100 milhões de redução tarifária; e a Ecocataratas vai a arcar com R$ 130 milhões em obras e R$ 120 milhões de redução tarifária.

A companhia aérea Azul informou que irá começar a operar a ponte aérea em 29 de agosto, com 34 operações diárias entre os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, ampliando a concorrência no maior mercado doméstico do país.

Entre os resultados corporativos, a Eletrobras anunciou lucro de R$ 5,6 bilhões no segundo trimestre, cifra 4,2 vezes superior à reportada no mesmo período do ano passado. Já a Itaúsa registrou um lucro líquido de R$ 2,435 bilhões, alta de 19%.

A varejista Magazine Luiza encerrou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 386,6 milhões, aumento de 174,7%. A Cosan apresentou lucro de R$ 418,3 milhões, revertendo perdas de um ano atrás. A Rumo também reverteu perdas e lucro R$ 185 milhões

O BTG Pactual reportou alta de 56% no lucro, para R$ 972 milhões, enquanto o Banco Pine reverteu lucro de um ano e apresentou prejuízo de R$ 29,8 milhões. O Banco Inter, por sua vez, teve alta de 90% no lucro, para R$ 32,9 milhões.

A Estácio teve queda de 14% no lucro, para R$ 201,8 milhões. Já Anima viu seu prejuízo aumentar para R$ 16,9 milhões.

Por fim, a Direcional teve lucro de R$ 25,9 milhões, revertendo prejuízo de um ano antes.

Argentina e Mercosul

A derrota do presidente Mauricio Macri nas eleições primárias provocou pânico no mercado financeiro do país, com efeitos negativos também para o Brasil. O dólar disparou e levou o Banco Central da Argentina a aumentar a taxa de juros em dez pontos porcentuais, para 74%. Com a medida, o dólar recuou, mas ainda encerrou com alta de 8,8%, valendo 52,1 pesos. O índice Merval, o principal da Bolsa de Buenos Aires, caiu 37,9%.

As preocupações derivam da interpretação de que a vitória da chapa opositora, de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, nas primárias "põem em xeque a política econômica do governo Macri e o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)", avaliou a empresa de serviços financeiros INTL FCStone.

Há também um temor de que medidas intervencionistas - amplamente utilizadas no período dos ex-presidentes Nestor e Cristina Kirchner - sejam retomadas, como o controle de acesso ao dólar e a concessão de subsídios em serviços como transporte e energia.

Os bancos já dão quase como certa a vitória kirchnerista. Em relatório, o estrategista Tiago Severo, do Goldman Sachs, afirmou que o resultado é "quase irreversível".

Sobre o Mercosul, um acordo firmado em julho pelos membros permite que o Brasil não dependa da Argentina para colocar em vigor o tratado de livre-comércio negociado com a União Europeia.

O acerto, feito na última reunião de chefes de Estado do bloco, realizada na Argentina, foi proposto pelo governo de Mauricio Macri e permite que, após a assinatura formal do acordo e o aval do Parlamento Europeu, as novas regras tarifárias passem a valer para o país que obtiver aprovação do texto pelo seu Congresso.

Até então, um acordo comercial negociado pelo Mercosul só poderia vigorar depois de o texto ter passado pelas casas legislativas de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A medida vale somente para os temas econômicos e comerciais, que estabelecem, por exemplo, a eliminação das tarifas de importação. Os capítulos com acertos políticos e de cooperação, que envolvem compromissos na área ambiental, estão fora. Esses só passam a valer após aprovação pelos parlamentos de todos os membros da União Europeia e do Mercosul.

A medida tornou-se um "seguro" para o Brasil diante das chances cada vez maiores de vitória da chapa da oposição, formada por Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner.

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