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Entrevista: Bematech mostra confiança na melhora do segmento de softwares

Líder do setor de automação deve anunciar até o início de 2008 novidades em aquisições, revela vice-presidente financeiro

SÃO PAULO - Após vencer o prêmio IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) de governança corporativa na categoria Empresas Listadas na Bovespa, ao final de outubro, a Bematech Indústria e Comércio de Equipamentos Eletrônicos foi surpreendida com um queda de 17% depois da divulgação de seus balanços do terceiro trimestre.

Para a líder nacional em equipamentos de automação, houve uma percepção demasiadamente negativa aos números, frente aos avanços operacionais obtidos. É o que explica o vice-presidente financeiro e diretor de Relações com Investidores da Bematech, Luciano Sfoggia. Apesar do anúncio de redução do guidance para o ano, o otimismo prevalece diante da expectativa de mais aquisições.

A lei que cria a Nota Fiscal Paulista em São Paulo, que incentivará a exigência da nota fiscal no ato da compra, e, logo, a utilização de equipamentos eletrônicos e a melhora relativa do segmento de softwares são alguns dos fatores positivos para os negócios da Bematech, citados pelo diretor em entrevista à InfoMoney.

InfoMoney - Qual a sua opinião sobre a reação negativa do mercado frente aos resultados do terceiro trimestre?

Luciano Sfoggia - Houve uma percepção negativa quanto aos nossos resultados, mas se compararmos aos resultados que foram apresentados anteriormente, a empresa teve uma clara melhora operacional e um crescimento consistente.

Tivemos um crescimento de 20% na receita e atingimos uma margem Ebitda (geração operacional de caixa sobre receita líquida) de 21,7%, bastante superior aos 18,2% obtidos no segundo trimestre.

Muito disso proveniente da melhora no negócio de software, em que nós tivemos problemas ao longo do primeiro semestre do ano. E temos uma tendência clara de melhora no negócio de software.

''Se compararmos aos resultados apresentados anteriormente, a empresa teve uma clara melhora operacional''

IM - A revisão para baixo da estimativa de receita para o ano refletiu esse fraco desempenho da área de softwares no primeiro semestre. O problema já está superado? Quais medidas concretas foram tomadas?

Sfoggia - Sem sombra de dúvida a revisão se deu especificamente pela questão de software. Se você neutralizar o que foi gerado de Ebitda negativo nos primeiros nove meses do ano, que chega a R$ 4,9 milhões, e você acrescentar isso na margem, nós já iríamos para números muito maiores do que estávamos indicando inicialmente.

Tomamos uma série de medidas em busca de normalizar o negócio, como mudança de pessoas, cortes de custo, aumento da criação de canal de venda para softwares de pacote, que é para o pequeno e médio varejo - nosso foco.

IM - Quais as perspectivas futuras para o segmento de softwares e para o ramo de hardwares?

Sfoggia - Nós estamos prevendo um crescimento total da companhia para o ano que vem de 25%, sem considerar essa última aquisição [da Rentech] ou aquisições futuras. Dentro desta expansão, vemos um crescimento de 27% da área de hardware na receita e um crescimento em software na casa de 50%.

''Estamos prevendo um crescimento total da companhia para o ano que vem de 25%''

IM - A Bematech mostra um perfil de consolidadora. Como está o processo de integração com as empresas adquiridas até agora?

Sfoggia - A integração com as empresas já adquiridas vem ocorrendo de uma maneira muito tranqüila. No ano passado, fizemos a aquisição de duas empresas. Uma delas é a Gemco, na parte de software, que trouxe junto a Pharmacy, e a outra é a GSR7.

A GSR7 é uma empresa de serviços que já está bastante integrada. Toda parte de serviços que a Bematech tinha antes da aquisição hoje já é tocada de maneira única dentro da GSR7. A Pharmacy e a Gemco também estão integradas, beneficiadas por todas as medidas feitas no sentido de corrigir os problemas que houve neste segmento e operam como unidades de negócio da Bematech.

Nós provavelmente deveremos, inclusive, incorporar alguma dessas empresas até o final deste ano.

IM - Existem planos visando futuras compras?

Sfoggia - Temos diversas oportunidade de aquisições, e essas visam basicamente preencher a oferta integrada de serviços, software e hardware em todas as verticais de varejo. E nós temos ainda carência de complementar alguma dessas verticais com software, bem como existem algumas oportunidades pontuais em alguns de hardwares.

Portanto a gente deve estar anunciando aí, até o início do próximo ano, mais algumas novidades, tendo em vista que hoje estamos trabalhando em cima de vários processos de aquisição, especialmente no setor de software.

''Estamos trabalhando em cima de vários processos de aquisição, especialmente no setor de software''

IM - A empresa tem a Ágora como formador de mercado. A companhia está satisfeita com o trabalho? Pretende melhorar ainda mais o free float?

Sfoggia - O trabalho da Ágora tem sido importante no sentido de prover maior liquidez ao nosso papel. De fato, desde o início em julho, ele contribuiu para fazer com que a liquidez aumentasse e a volatilidade diminuísse um pouco. Aspectos importantes para as empresas novas no mercado, especialmente small caps como nós somos.

IM - Sobre o impacto positivo da lei que cria a Nota Fiscal Paulista. De acordo com o cronograma (ex: novembro - padarias, bares e lanchonetes; dezembro - saúde, esporte e lazer) qual será o setor que mais vai beneficiar a empresa?

Sfoggia - O ponto principal passa pelo número de estabelecimentos que cada um desses setores tem. Por exemplo, restaurantes e bares e postos de gasolina são segmentos nos quais o volume de estabelecimentos é bastante grande. Mas todos os segmentos são importantes e atendemos a todos os segmentos. Então não existe exatamente uma prioridade em algum deles.

IM - Diante da alta dos preços de alimentos e a turbulência no mercado financeiro, o Copom decidiu interromper o ciclo de cortes na taxa básica de juros. Vocês trabalham com qual expectativa para o futuro da Selic?

Sfoggia - Nós continuamos achando que a Selic deve voltar a cair para o próximo ano. A velocidade de queda talvez diminua, tendo em vista as turbulências de mercado. Mas a gente continua otimista.

A gente acha que a economia brasileira está muito mais sólida do que no passado para sobreviver com essas turbulências de mercado. Apesar de as bolsas aqui terem sofrido, o mercado se comportou de maneira muito exemplar durante a crise do subprime e foi muito menos volátil do que alguns mercados, inclusive, considerados mais maduros do que o Brasil.

''A Bematech já fez uma adaptação aos principais pontos de estatuto exigidos pelo Novo Mercado em 2001 e 2002''

IM - Para boa parcela dos especialistas, o mercado de capitais ainda tem muito que melhorar em termos de governança corporativa na Bovespa. Como é receber o prêmio do IBGC de Governança?

Sfoggia - Para nós, o prêmio ele vem coroar todo um trabalho que a Bematech vem conduzindo ao longo de vários anos. De se preparar muito antes inclusive de ter feito a abertura de capital. A Bematech já fez uma adaptação aos principais pontos de estatuto exigidos pelo Novo Mercado em 2001 e 2002, logo quando o Novo Mercado estava sendo lançado e não havia nenhuma empresa listada ainda.

Nos sentimos muito honrados com o prêmio, mas, estamos sempre buscando contínua evolução. Se fomos merecedores de um prêmio como esse, o peso da responsabilidade aumenta cada vez mais no sentido de termos uma governança bastante elevada dentro da companhia.

 

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