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Os 5 assuntos que devem movimentar o mercado nesta quinta-feira

Bolsas internacionais operam em queda em meio à piora nas negociações comerciais entre EUA e China; no Brasil, mercado aguarda detalhes da liberação de recursos do FGTS

Bolsonaro e Paulo Guedes
(Marcos Corrêa/PR)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com leve alta de 0,08%, aos 103.856 pontos, em seu terceiro pregão consecutivo de estabilidade. Hoje, a bolsa brasileira poderá refletir o mau humor externo, com os mercados internacionais operando em queda generalizada, em meio às renovações das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, após o Wall Street Journal informar que as negociações estão em um impasse sobre as restrições à Huawei.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro participa, às 16h00, no Palácio do Planalto, da cerimônia alusiva aos seus 200 dias de governo, quando poderá anunciar oficialmente e detalhar a proposta de liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de contas ativas e inativas – medida que poderá ajudar no processo de retomada da atividade econômica.

A previsão do montante a ser liberado, porém, deve cair dos R$ 42 bilhões, previstos inicialmente, para algo em torno de R$ 30 bilhões, por determinação do ministro da Economia Paulo Guedes, para evitar a retirada de recursos destinados à habitação, após críticas de empresários do setor da construção, que enxergaram na proposta riscos ao orçamento da área.

Ontem, na bolsa, enquanto as empresas do setor varejista tiveram valorização, por conta do impacto positivo da medida sobre o consumo e, consequentemente, às vendas, as construtoras sofrem desvalorização, pelo risco que a medida traria em termos de redução do funding destinado ao financiamento de crédito aos mutuários e à produção de obras.

1. Bolsas Internacionais

A piora nas expectativas quanto a um acordo entre Estados Unidos e China vem na esteira das últimas declarações do presidente Donald Trump, que ameaçou o país do oriente com novas tarifas. O Wall Street Journal informou que as negociações comerciais entre os EUA e a China haviam fracassado devido às restrições sobre a gigante de telecomunicações chinesa Huawei, citando fontes familiarizadas com as negociações.

“As novas ameaças comerciais de Donald Trump nesta semana prejudicam a retomada das negociações comerciais entre EUA e China aprovadas pelos presidentes Trump e Xi, na reunião de junho do G20”, disse Vishnu Varathan, chefe de economia e estratégia do Mizuho Bank, à CNBC.

Ainda na Ásia, as exportações do Japão caíram 6,7% em junho em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com dados divulgados na quinta-feira. O resultado ficou acima das projeções de economistas consultados pela Reuters, segundo a CNBC, que previam uma queda de 5,6% de economistas em uma pesquisa da Reuters.

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As bolsas europeias operam em queda, com os investidores digerindo novos resultados corporativos e acompanhando os desenvolvimentos do comércio global. Os futuros das bolsas de NY também cedem com resultados de Netflix e SAP.

Entre as commodities, o petróleo sobe depois que o Irã confirmou
a apreensão de um petroleiro estrangeiro no Golfo Pérsico. Na véspera, a commodity caiu com aumento acima do esperado de estoques de gasolina e destilados nos EUA, elevando a apreensão sobre demanda enfraquecida. Já o minério de ferro e os futuros de vergalhões caem, após principais mineradoras elevaram embarques em 15% no segundo trimestre, segundo analistas da Bernstein.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h30 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,15%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,28%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,19%
*DAX (Alemanha), -0,89%
*FTSE (Reino Unido), -0,52%
*CAC-40 (França), -0,53%
*FTSE MIB (Itália), -0,22%
*Hang Seng (Hong Kong), -0,46% (fechado)
*Xangai (China), -1,04% (fechado)
*Nikkei (Japão), -1,97% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,49%, a US$ 57,06 o barril
*Petróleo Brent, +0,72%, a US$ 64,12 o barril
*Bitcoin, US$ 9.858,68, +4,58%
R$ 36.778, +1,28% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 0,56%, cotados a 899,00 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV divulga, às 8h00, a segunda prévia do IGP-M. Já às 10h00 a Confederação Nacional da Indústria publica o Índice de Confiança do Empresariado Industrial (ICEI).

Nos Estados Unidos, às 9h30, serão publicados o índice de atividade regional do Fed Filadélfia de julho e os pedidos de auxílio-desemprego. Às 11h00, o Conference Board informa os indicadores antecedentes de junho.

Entre os resultados corporativos, destaque para as publicações, antes da abertura dos mercados, dos balanços do Morgan Stanley e UnitedHealth. Após o fechamento, saem os resultados da Microsoft.

À noite, o Japão publica o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho.

3. Noticiário Econômico

A liberação dos recursos de contas ativas e inativas do FGTS pode contribuir para que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça cerca de 1,1%, informa o jornal O Estado de S.Paulo. A previsão atual, sem essa medida, é de alta de 0,8%. Para analistas, o impacto sobre o consumo deverá ser maior agora na comparação com 2017, quando o governo do presidente Michel Temer liberou R$ 44 bilhões de contas inativas. Na ocasião, cerca de 40% dos recursos foram usados para o pagamento de dívidas.

O Globo ressalta que o volume de empréstimos para o financiamento da casa própria não deve ser afetado, segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins. “Eles disseram (integrantes do governo) que vão liberar recursos de um lado, mas compensar de outro. Ainda não sei detalhes, mas tivemos o compromisso de que os recursos para o financiamento da casa própria não serão afetados”, afirmou, ressaltando que do total de R$ 78 bilhões do orçamento do FGTS, R$ 69 bilhões serão destinados ao setor da habitação.

Os R$ 42 bilhões – previstos inicialmente - de recursos que podem ser sacados do FGTS seriam suficientes para a construção de aproximadamente 420 mil moradias populares no País, ao custo de R$ 100 mil cada. Esse montante equivale a aproximadamente um ano de Minha Casa Minha Vida (MCMV), de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). "Com menos recursos, serão construídas menos casas e não vamos conseguir reduzir o déficit habitacional”, diz o presidente da Abrainc, Luiz França.

O jornal Valor Econômico pontua que o governo estuda duas alternativas para os saques. Uma atingiria igualmente contas ativas e inativas, com porcentuais escalonáveis, conforme o saldo da conta do trabalhador, mas que implicaria na retenção dos recursos em caso de demissão sem justa causa. Segundo a publicação, o acesso parcial ao dinheiro das contas ativas poderia ser uma espécie de 14º salário e permanente, repetindo-se uma vez por ano. A outra proposta contemplaria apenas as contas inativas.

O Valor destaca ainda que o Ministério da Economia vai propor, na tramitação da reforma tributária a recriação do Imposto sobre transações financeiras (ITF), com alíquota de 0,60%. A ideia é que o novo impostos substitua todos os tributos federais, com exceção do imposto de renda. A porcentagem é superior à da antiga CPMF, de 0,38%, que incidia sobre transações financeiras até o final de 2007, e cuja prorrogação foi rejeitada pelo Congresso em 2007.

Segundo o Valor, o ministro Paulo Guedes rechaça a comparação com a CPMF, argumentando que o novo imposto não eleva a carga tributária, mas simplifica as regras de funcionamento do regime. O tributo substituiria os encargos previdenciários na folha de pagamento, por isso seria necessária a alíquota de 0,3% nas duas pontas da transação. No entanto, o novo imposto poderia subir e ficar com alíquota de 0,84%, para extinguir também a CSLL. Guedes é favorável também a um imposto único federal, no lugar do IPI, PIS e Cofins.

4. Noticiário Político

O jornal Folha de S.Paulo publica novos diálogos de mensagens privadas trocadas por procuradores da Lava Jato, mostrando que, em 2015, o então juiz Sergio Moro interferiu nas negociações de delação de dois executivos da construtora Camargo Corrêa. As mensagens revelam que Moro avisou aos procuradores que só homologaria as delações se a pena proposta aos executivos incluísse ao menos um ano de prisão em regime fechado. A interferência de Moro teria causado incômodo aos integrantes da força tarefa.

A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de condicionar o compartilhamento de dados de órgãos do governo à prévia autorização judicial já provoca efeito em casos em andamento. Procuradores da República também falam em prejuízo para a investigação de crimes envolvendo ao tráfico de drogas e ao crime organizado, se sobrepondo aos casos ligados apenas à corrupção. A decisão do ministro está relacionado à uma investigação que envolve o filho do presidente Bolsonaro, Flávio.

Em entrevista à GloboNews, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que é preciso compreender “direito qual foi a decisão que o ministro (Toffoli) tomou”. Segundo Maia, Toffoli tomou a decisão baseado na Constituição, porém avaliou ser necessário que “solte uma nota para esclarecer e não fique a impressão que ele tomou uma decisão para frear todas as investigações”. “Eu duvido que esse seja o objetivo do ministro Toffoli”, disse Maia à Globones.

Sobre o governo Bolsonaro, Maia afirmou que “segue faltando ideia” e disse que o parlamento “tem agenda”, com “foco”. “Quem gera instabilidade, às vezes é o Poder Executivo, que tem agendas diversas e que geram às vezes perplexidade de parte da sociedade”, declarou à GloboNews.

5. Noticiário Corporativo

A Vale informou que sua subsidiária Mineração Rio do Norte (MRN) teve emitidas as Declarações de Condição de Estabilidade de todas as suas estruturas operacionais em março de 2019, conforme novos parâmetros e seguindo as novas regulamentações do poder público, em especial da Agência Nacional de Mineração (ANM). Em junho de 2019, 11 estruturas localizadas em Oriximiná (Pará, Brasil) foram reclassificadas como de maior dano potencial associado.

O Valor destaca que o governo poderá manter uma “Golden share” na Eletrobras, dentro do processo de privatização da companhia. A ação especial, que possibilita poderes especiais ao seu detentor, poderia facilitar a tramitação do projeto de lei de venda do controle da elétrica no Congresso, a partir da sua capitalização.

O Estadão traz que a China inspecionará quatro frigoríficos brasileiros de aves e suínos na próxima sexta-feira, 19, por meio de videoconferência. Funcionários do Ministério da Agricultura brasileiro farão transmissões, a partir das fábricas, para a China. O Brasil enviou à China uma lista de 30 unidades frigoríficas para serem habilitadas a exportar para o país - entre unidades de abate de bovinos, suínos e frangos.

A China escolheu uma dessas unidades e associações brasileiras ligadas ao setor de proteína animal, outras três. Espera-se que a resposta do país asiático - em forma de liberação para exportação ou não - seja rápida. A China está ampliando as importações de carnes por causa da peste suína africana, que vem assolando seus plantéis.

(Agência Estado)

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