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Mercados não deveriam comemorar corte de juros do Fed, diz Jupiter Asset

"Os mercados estão erroneamente lendo a mudança de política do Fed como algo positivo", disse Alejandro Arévalo, responsável de estratégia de dívida de mercados emergentes da asset

Jerome Powell

Para o responsável de estratégia de dívida de mercados emergentes da Jupiter Asset Management, a possibilidade do primeiro corte da taxa de juros pelo Federal Reserve em mais de uma década não deveria ser comemorada.

"Os mercados estão erroneamente lendo a mudança de política do Fed como algo positivo", disse Alejandro Arévalo, que está ajustando o perfil de sua carteira de títulos de países emergentes, com a inclusão de mais dívida com grau de investimento e menor exposição aos títulos junk nos últimos dois meses. “Se estão reduzindo os juros, é porque há um problema subjacente em suas economias. Estamos mais defensivos no que acho que deve ser um segundo semestre mais instável.”

Arévalo, que ajuda a administrar US$ 51 bilhões em ativos da Jupiter, disse que vendeu títulos de empresas financeiras em países com desaceleração significativa. Por outro lado, o gestor aumentou suas posições em exportadoras brasileiras de papel e celulose diante da demanda mais forte da China, bem como em exportadores de carne bovina, que devem se beneficiar com a peste suína que afeta o setor no mercado chinês. A Jupiter não quis divulgar o fundo específico relacionado à estratégia.

A inclinação dovish dos maiores bancos centrais do mundo, liderada pelo Fed, levou a um aumento da quantidade de títulos de dívida com rendimento negativo, o que torna a dívida de mercados emergentes mais atraente. O retorno médio dos títulos de alto rendimento denominados em dólar de mercados emergentes estava em 7,19% na terça-feira, cerca do dobro do retorno oferecido por títulos com grau de investimento, segundo os índices Bloomberg Barclays. O rendimento no início de julho havia caído para 7,09%, o menor nível em mais de um ano.

"Em muitos casos, os spreads não refletem corretamente os fundamentos de muitas empresas e países de alto rendimento", disse Arévalo. "Com a demanda significativa de investidores em busca de retorno, é um ótimo momento para realizar lucros."

 

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