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Otimismo com o futuro de B3 e Magazine Luiza, decepção com a Oi: as recomendações que movimentam esta 4ª

Relatórios estão mexendo no mercado nesta quarta, confira quais são as ações que estão com boas perspectivas agora

magazine luiza
(divulgação)

SÃO PAULO - Uma série de relatórios de analistas divulgados entre terça-feira e esta quarta estão movimentando o mercado. Além do Bradesco BBI, que colocou o preço-alvo das ações de Magazine Luiza (MGLU3) em R$ 320,00, impulsionando a alta de mais de 6% nos papéis, diversos outros researchs revisaram recomendações. 

Confira o que foi falado:   

B3

Os analistas Marcelo Telles, Daniel Federle, Otavio Tanganelli, Alonso Garcia e Felipe Cheng, do Credit Suisse, elevaram na última terça o preço-alvo da ação da B3 (B3SA3) de R$ 35,00 para R$ 48,00, mantendo a recomendação como outperform (desempenho acima da média do mercado).

O valor corresponde a uma alta de 20,8% sobre o preço de fechamento das ações na segunda-feira (15).

A elevação, segundo a equipe de análise, está relacionada às melhores perspectivas para o setor financeiro não bancário em geral, e às taxas de juros menores no Brasil (que incentivam o investidor a comprar ações). 

O Credit Suisse destaca que a Bolsa deve ter volumes maiores de negociação, o que leva a melhores perspectivas de rentabilidade do negócio.

"Depois de incorporarmos os dados de junho, ajustamos as nossas projeções na esteira de um maior volume médio diário de operações no segmento Bovespa, assim como receitas mais altas que o esperado na Bolsa de Mercadorias e Futuros", diz o relatório. 

Para os analistas, a aprovação da reforma da Previdência deve sustentar os volumes de negociação na B3. Como consequência, o Credit aumentou sua expectativa de ADTV (volume médio diário de operações, na sigla em inglês) de R$ 15,1 bilhões para R$ 16,2 bilhões. 

Às 13h17 (horário de Brasília), as ações da B3 subiam 1,59% a R$ 41,65, seguindo a alta de quase 4% na véspera. 

Magazine Luiza

O Bradesco BBI elevou a recomendação de Magazine Luiza de neutro para outperform, com o preço-alvo passando de R$ 170 para R$ 320, um potencial de valorização de 37% em relação ao fechamento da última terça-feira. 

Entre os argumentos para a posição assertiva, além da logística, está na compra da Netshoes.

Além disso, no curto prazo, a expansão da empresa deverá ser apoiada ainda pela aceleração dos downloads de aplicativos e do tráfego do site, assim como pela extensão da Logbee, startup de tecnologia de logística para entregas urbanas adquirida pela empresa em dezembro, para 150 cidades.

“As estimativas mais altas para o GMV [volume total de vendas em reais] são o principal responsável pelo aumento do nosso preço-alvo”, acrescentaram os analistas. 

Os papéis MGLU3 disparam 6,4% a R$ 249,00. 

Ourofino

No caso das ações da fabricante de produtos veterinários Ourofino (OFSA3), os analistas Antonio Barreto e Gustavo Troyano, do Itaú BBA, elevaram a recomendação de market perform (desempenho dentro da média do mercado) para outperform

O preço-alvo do papel foi revisado de R$ 32,00 para R$ 50,00, o que significa uma valorização de 25% em relação ao valor de fechamento dos OFSA3 na segunda-feira. 

Para explicar esse forte reajuste nas projeções, a equipe do Itaú BBA cita o maior ganho de faturamento da indústria de proteína animal na década.

Os analistas estimam que a indústria de carne bovina terá um aumento de 9,9% nas receitas este ano em comparação com 2018.

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A de carne suína, por sua vez, deve vivenciar um crescimento de 41,6% em 2019, principalmente por conta da menor oferta de porcos da China em meio ao surto de gripe suína africana que atingiu o país. 

Por fim, a venda de carne de frango deve crescer em 22,7% este ano. 

Como há uma correlação relevante (92% para bois, 91% para porcos e 70% para frangos) entre produção de carne no Brasil e venda de produtos veterinários, a Ourofino se beneficiará do cenário atual. 

Além disso, a nova fábrica biológica da empresa está pronta e produzindo linhas para suínos com vendas de aproximadamente R$ 5 milhões por ano, o que representa menos de 1% da receita da Ourofino hoje, porém pode chegar a 4% em 2022 e 16% em 2024, de acordo com o research

As ações da Ourofino disparam 4,03% a R$ 41,61. 

Oi

O "patinho feio" das recomendações hoje, foi a Oi (OIBR3OIBR4), que anunciou um novo plano estratégico visto como negativo pelos analistas Daniel Federle e Felipe Cheng, do Credit Suisse. "Representa uma redução substancial nas nossas estimativas e não trouxe nenhuma noticia nova em termos de fusões e aquisições", avaliam. 

A consequência foi uma redução nas projeções de 2019 e 2020 em 3% em média, considerando um cenário desafiador na telefonia residencial e para o comércio. "A projeção de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, na sigla em inglês) de 2019 foi reduzida em 19%", aponta o relatório. 

Os analistas também consideraram agressiva a estimativa de crescimento entre 15% e 20% para 2020 e 2021, dado as tendencias de uma receita líquida mais fraca e um aumento de custos com fibra óptica como foi visto no primeiro trimestre de 2019. 

Diante desse quadro, os analistas do Credit reduziram o preço-alvo dos ADRs (na prática as ações brasileiras negociadas nas bolsas dos Estados Unidos) da Oi para US$ 1 por ação de US$ 1,20.  

As ações da Oi apresentam queda de 3,18% a R$ 1,52 neste pregão. 

O Bradesco BBI, por sua vez, reduziu a recomendação das ações para neutro, com o preço-alvo sendo reduzido de R$ 2,10 para R$ 1,80, avaliando que o Projeto de Lei Complementar (PLC) 79 segue sendo o principal catalisador para as ações, mas não há sinais de processo claro esse ano. 

A proposta altera o regime de concessão da telefonia fixa, permitindo que seja feita por autorização à iniciativa privada. O projeto também transfere a infraestrutura de telecomunicações da União para as concessionárias que exploram o serviço desde a privatização do setor, em 1998.

Além disso, os resultados continuam mostrando deterioração em um ritmo maior do que o esperado, enquanto os catalisadores positivos foram adiados, elevando os riscos. O novo plano estratégico ajuda, afirmam os analistas, mas os detalhes sobre a execução são limitados para justificar o valuation. 

 

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