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Cyrela, MRV e Eztec: o que as prévias operacionais mostraram sobre as 3 construtoras?

Empresas reportaram números fortes, mas analistas recomendam cautela diante dos múltiplos em que as ações operam atualmente

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(Thinkstock)

SÃO PAULO - Três das principais construtoras do Brasil, Cyrela, MRV e EzTec divulgaram prévias operacionais do segundo trimestre de 2019 na noite da última segunda-feira e, apesar das ações de todas registrarem alta na sessão desta terça, as avaliações dos analistas sobre elas foram distintas. 

Cyrela foi vista pela maior parte dos analistas como o destaque positivo, mas também foi a empresa cuja ação registrou o desempenho mais tímido entre as companhias, com alta de apenas 0,87%. MRV, que teve análises distintas de grandes bancos, viu seus papéis subirem 1,45%, enquanto o papel da EzTec subiu 2,07%. 

Porém, cabe ressaltar que as ações CYRE3 já saltam 48% no ano, enquanto as MRVE3 sobem 61% e os ativos EZTC3 têm um desempenho mais modesto, de 18,31%, este último mais em linha com o Ibovespa, que tem alta de 18% no acumulado de 2019. 

Assim, mesmo com a apresentação de bons números, a avaliação é de que os ativos, principalmente no caso de Cyrela, podem estar mais esticados. De qualquer forma, os dados divulgados na véspera mostraram que as companhias estão registrando uma recuperação mais rápida, sendo um bom sinal após anos complicados para as construtoras em meio à crise econômica. 

Confira o que se falou sobre cada uma: 

Cyrela (CYRE3)

Considerada o principal destaque positivo, a Cyrela teve R$ 1,7 bilhão em lançamentos no segundo trimestre de 2019 contra R$ 0,6 bilhão no mesmo período do ano passado.

O resultado, de acordo com os analistas Luiz Mauricio Garcia, Victor Tapia e Roberto Waissmann, do Bradesco BBI, foi puxado principalmente pelo segmento de média a alta renda. 

Já a receita líquida de vendas total chegou a R$ 1,4 bilhão no trimestre passado, em alta de 104% na comparação anual. Embora as receitas com lançamentos tenham respondido por 62% desse total, apenas 26% de todas as vendas veio do segmento de baixa renda. 

O lado negativo é que os analistas do Bradesco BBI já acreditam que os fortes números operacionais já estão precificados. "Os dados melhores são em larga escala baseados em vendas sólidas de unidades recém lançadas (um ritmo que deve se reduzir nos próximos trimestres)."

No banco, a Cyrela tem preço-alvo de R$ 22, contra um valor de fechamento de R$ 22,20 no último pregão, o que corresponde a uma desvalorização de 1%. A recomendação é neutra. 

Para Enrico Trotta, analista do Itaú BBA, a Cyrela reportou um forte trimestre operacional e a velocidade de vendas foi o destaque. Os analistas Dan McGoey e Andre Mazini, do Citi, mantiveram recomendação de compra com preço-alvo de R$ 23,25. 

O analista Luis Stacchini, do Credit Suisse, destaca que as vendas sobre a oferta (VSO) consolidadas chegaram a 27%, um número "significativo". "A venda dos estoques também indicam uma forte geração de Fluxo de Caixa Livre no trimestre", avalia o banco.

No entanto, o Credit Suisse entende que esse ritmo de lançamentos não deve continuar ao longo do ano, implicando em uma desaceleração nos próximos trimestres.

MRV (MRVE3)

A MRV se beneficiou de mais um lançamento para o segmento de renda média no segundo trimestre com entrega de 272 unidades. "O projeto adotou o modelo de crédito associativo e usa financiamento da Poupança, o que explica por que o preço médio por unidade inaugurada aumentou em 7,5% na base anual", avalia a equipe do Bradesco BBI. 

Os lançamentos da empresa atingiram R$ 1,8 bilhão no período, alta de 6% ano a ano, mas as vendas líquidas vieram abaixo do esperado. "A MRV conseguiu aumentar seu faturamento líquido em apenas 3% na comparação anual no segundo trimestre de 2019, o que significa que os estoques estão aumentando."

Para a MRV, os analistas do Bradesco BBI dão recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 18,00, contra os R$ 19,27 do fechamento do pregão da segunda-feira. Isso significa uma queda de 7%. 

O Itaú entende que os lançamentos do segundo trimestre da MRV foram mais fortes que o esperado e que as vendas vieram em linha com as expectativas. 

Para o Credit Suisse, a MRV apresentou um desempenho fraco na velocidade de vendas e Fluxo de Caixa Livre. "O VSO de 14.5% foi o menor dos pares (Direcional de 16% e Tenda de 29%), o que pode indicar uma demanda mais fraca, já que o distrato ficou baixo", argumentam os analistas do banco. 

Eztec (EZTC3)

A Eztec, por sua vez, fez lançamentos de R$ 313 milhões no trimestre passado ante R$ 24 milhões no segundo trimestre de 2018 concentrando-se principalmente nos projetos para pessoas de renda média e alta em São Paulo.

Isso garante, na visão dos analistas do Bradesco BBI, que a companhia entregará o que foi previsto no guidance (projeções) para 2019. O projeto Pátrio Ibirapuera, em Moema (SP) foi o que impulsionou o resultado, respondendo por 30% de tudo o que foi vendido.

Apesar disso, o banco brasileiro não tem boas previsões para o fluxo de caixa livre no período.

"Após registrarem R$ 51 milhões de queima de caixa no primeiro trimestre de 2019 – principalmente por causa da aquisição de uma fatia de 30% no projeto 'Jardim do Brasil' –, nós esperamos que a Eztec tenha ainda mais queima de caixa no segundo trimestre devido aos desembolsos de capital para a construção do Parque da Cidade e da Esther Tower". 

O preço-alvo da Eztec é de R$ 25,00 pelo Bradesco BBI, o que dá uma queda de 14% em relação ao preço do fechamento de referência, que foi de R$ 28,98. A recomendação é neutra. 

Segundo o Credit Suisse, a empresa apresentou um bom desempenho de lançamento e vendas, com velocidade de venda de estoque de 16%, o maior nível desde o segundo trimestre de 2013. "É o nosso pick no setor de renda média."

Por fim, o Citi deu recomendação neutra à Eztec, destacando que os números confirmam que o mercado de renda média-alta está se recuperando rapidamente. 

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