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Ibovespa tem leve baixa e dá o tom de semana antes da temporada de resultados

Mercado comemora o fim da primeira etapa de votação da reforma no plenário da Câmara, mas lamenta que o segundo turno tenha ficado para agosto

ações

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou praticamente estável nesta segunda-feira (15), e essa deve ser a tônica da semana, segundo analistas consultados pelo InfoMoney. Os próximos cinco dias estarão espremidos entre o rali da reforma da Previdência e a temporada de resultados do segundo trimestre, que começa na próxima semana. 

Diante da escassez de grandes notícias, o principal índice da B3 teve leve baixa de 0,1% a 103.802 pontos nesta segunda. O volume foi inflado pelo vencimento de opções, fechando em R$ 19,518 bilhões. 

Enquanto isso, o dólar comercial teve alta de 0,46% a R$ 3,755 na compra e a R$ 3,7563 na venda. O dólar futuro com vencimento em agosto registra ganhos de 0,56% a R$ 3,7625. 

Para Ari Santos, gerente de renda variável da H.Commcor DTVM, a Bolsa subiu muito na expectativa da aprovação da reforma, mas o adiamento da votação em segundo turno na Câmara dos Deputados para o dia 6 de agosto fez com que muitos investidores aproveitassem o dia para embolsar lucros.  

"A tendência é ficar de lado até sair algum fato novo. Não tem notícia tanto aqui quanto lá fora que traga uma volatilidade maior", afirma. "A divulgação de resultados trimestrais começa na semana que vem, e isso deve trazer mais movimento."

No exterior, Santos espera que os movimentos mais fortes das bolsas venham a partir da decisão de juros do Federal Reserve, que ocorre no dia 31 de julho. 

De acordo com o analista da XP Investimentos, Gabriel Fonseca, por mais que ainda haja uma perspectiva positiva para a Previdência, o adiamento para agosto foi um banho de água fria em quem esperava que a Câmara já tivesse despachado a matéria ao Senado antes do recesso parlamentar. 

"É um movimento de acomodação depois do rali da Previdência. São naturais esses ciclos no mercado de renda variável", aponta.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 caía três pontos-base a 5,57%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 recua na mesma magnitude a 6,32%. 

Dados da China

Impactaram os mercados hoje os dados da China, que puxaram as bolsas asiáticas moderadamente para cima apesar da alta do Produto Interno Bruto (PIB) no menor ritmo em 27 anos. 

O PIB chinês cresceu 6,2% no segundo trimestre de 2019, ante previsão de avanço de 6,3%. Já a produção industrial de junho subiu 6,3%, superando as expectativas de 5,3%. As vendas no varejo, por sua vez, tiveram alta de 9,8% no mês passado, contra projeções de 8,4%. 

Indicadores brasileiros

Saiu por aqui pela manhã o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que avançou 0,54% em maio, contra abril. Foi o primeiro resultado positivo depois de 4 meses seguidos de queda. No trimestre encerrado em maio, o índice acumulou queda de 0,99%.

Já o Relatório Focus do Banco Central mostrou mais uma revisão para baixo na previsão do PIB em 2019, que caiu de 0,82% na semana passada para 0,81% na atual. A projeção para o crescimento econômico em 2020 foi cortada de 2,2% para 2,1%. 

Já para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), houve uma revisão de 3,8% para 3,82% para 2019. 

Noticiário Corporativo

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça na última sexta-feira que a mineradora Vale (VALE3) seja obrigada a adotar medidas urgentes para garantir a segurança de duas barragens localizadas em Parauapebas, no sudeste do Pará.

Segundo informações do site do MPF, as barragens não têm sistemas eficientes de escoamento de água, o que pode afetar a estabilidade das estruturas em eventual período muito chuvoso. Por isso, estão classificadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) entre as dez mais perigosas do país.

A Petrobras (PETR3; PETR4) informou hoje pela manhã que, no âmbito do processo competitivo de desinvestimento da totalidade de sua participação no campo de Baúna (área de concessão BM-S-40), localizado em águas rasas na Bacia de Santos, a empresa Karoon Petróleo & Gás apresentou a melhor proposta.

A Via Varejo (VVAR3) contratou o executivo Helisson Lemos para o cargo de Chief Digital Officer (CDO). Lemos será responsável por acelerar e consolidar a transformação digital da Companhia, com a incumbência de transformá-la em uma plataforma 100% multicanal.

O executivo assumirá o cargo em agosto e irá liderar as áreas de TI e Recursos Humanos. Com uma carreira consolidada no mercado digital, Helisson Lemos trabalhou por 17 anos no Mercado Livre, sendo os últimos sete anos na função de presidente.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET3 ELETROBRAS ON 37,50 -4,82 +54,77 144,68M
 SMLS3 SMILES ON 38,53 -4,61 -5,47 78,04M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 38,23 -4,43 +35,71 64,02M
 CVCB3 CVC BRASIL ON 51,07 -3,59 -16,49 82,21M
 CCRO3 CCR SA ON 14,56 -3,26 +33,24 193,94M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VVAR3 VIAVAREJO ON 7,03 +7,82 +60,14 408,91M
 JBSS3 JBS ON 24,61 +3,19 +112,36 210,13M
 VIVT4 TELEF BRASILPN 53,70 +3,09 +23,14 130,48M
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 32,90 +2,81 -12,66 226,22M
 TIMP3 TIM PART S/AON 12,38 +2,31 +5,84 145,52M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 52,69 +1,70 1,05B 965,43M 39.266 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 28,18 -1,23 1,03B 1,06B 59.721 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 36,36 -0,27 602,23M 674,11M 28.572 
 BBAS3 BRASIL ON 51,69 -0,60 551,30M 549,84M 30.095 
 BBDC4 BRADESCO PN 37,84 -0,42 441,76M 537,62M 21.192 
 VVAR3 VIAVAREJO ON 7,03 +7,82 408,91M 322,23M 46.317 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,25 +0,27 294,48M 339,65M 19.050 
 B3SA3 B3 ON ED 39,74 +0,10 249,87M 493,15M 14.480 
 ITSA4 ITAUSA PN 12,95 -0,38 241,30M 279,99M 17.809 
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 32,90 +2,81 226,22M n/d 22.507 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Previdência

A Câmara dos Deputados concluiu a votação do primeiro turno da reforma da Previdência na sexta-feira. Mesmo com as mudanças, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho estima que a economia com a reforma nas regras de aposentadoria e pensão deve ficar em torno de R$ 900 bilhões em dez anos.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que quer entregar a reforma da Previdência para o Senado até o dia 9 de agosto. "O segundo turno deve ir de terça (6) a quinta (8) de agosto", disse, reiterando, em seguida, que pretende entregar aos senadores entre 8 ou 9 de agosto.

Ele minimizou o fato de a votação em segundo turno ter ficado para depois do recesso parlamentar, acrescentando que trabalhou de acordo com o tempo da Casa, para evitar um adiamento maior.

"Se tivesse iniciado segundo turno (na próxima semana), oposição teria feito obstrução hoje e não teríamos terminado destaques", disse.

Ao comentar o atraso da votação ao longo da semana, Maia aproveitou para criticar mais uma vez a articulação do governo de Jair Bolsonaro. "Não ter governo organizado atrapalha muito", disse.

Ele também ressaltou o protagonismo dos deputados na reforma e negou que o objetivo da Câmara seja reduzir o poder do presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada no domingo, Maia afirmou que, após a conclusão da reforma da Previdência, as prioridades da Câmara serão a reorganização do sistema tributário, a reestruturação das carreiras do funcionalismo e uma “reforma social” para atender os mais pobres e melhorar o gasto público.

Maia cobrou do governo uma agenda de combate à pobreza e ao desemprego, afirmando que o Executivo, durante a tramitação da reforma, somente tratou dos interesses das corporações.

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Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, após a aprovação da reforma e com a falta de previsão de quando os R$ 2,5 bilhões empenhados em emendas serão liberados, o governo deverá iniciar o destravamento de nomeações, acelerando a distribuição de cargos para partidos que votaram favoravelmente às mudanças nas aposentadorias.

Também ao O Globo, Tasso Jereissati, que será relator da reforma no Senado, disse ver clima favorável à inclusão de Estados e municípios no texto final. Ele diz que o Congresso assumiu a agenda econômica – numa espécie de “semiparlamentarismo” em meio à dificuldade de articulação do Governo – e avaliou ser possível aprovar a proposta até setembro.

Já o Placar da Previdência do Estadão mostra que, antes mesmo da chegada da reforma da Previdência, o Senado já tem 42 parlamentares favoráveis ao texto aprovado em primeiro turno na Câmara. Serão necessários o voto de 49 senadores para a proposta ser aceita definitivamente no Congresso.

 

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