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Analista da XP espera alta de 34% na Bolsa até fim de 2020: "100 mil é só o começo"

Conjugando cenário de reformas no Brasil, incertezas em outros emergentes e múltiplos descontados nas ações do País, Karel Luketic vê uma caminhada provável do índice até 140 mil pontos 

Karel Luketic, analista-chefe da XP Investimentos
(InfoMoneyTV)

SÃO PAULO - Os 100 mil pontos do Ibovespa não devem ser motivo para o investidor se assustar e ficar de fora da Bolsa, segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic.

Para ele, o rali da reforma da Previdência apenas começou e quem entrar em ações agora ainda poderá pegar carona em um forte movimento de valorização dos ativos brasileiros. 

A previsão de Luketic é de que a Bolsa encerre o ano de 2020 cotada a 140 mil pontos, o que corresponde a uma alta de 34,6% sobre o patamar atual. 

O principal motivo para essa visão mais otimista do estrategista é que hoje o Brasil ainda é visto como um "patinho feio" dentre os emergentes por conta da evolução da proporção dívida/Produto Interno Bruto (PIB) do País.

Atualmente, este indicador está em 78,8%, e deve subir ainda por algum tempo.

As projeções de crescimento da economia em 2019 seguem sendo revisadas para baixo de acordo com o relatório Focus do Banco Central. Já foram de avanço de 2,53% no início do ano para 0,85% na última estimativa. 

Enquanto isso, o governo espera um déficit primário nas contas públicas de R$ 139 bilhões este ano e de R$ 124 bilhões para 2020. 

Luketic entende que os investidores estrangeiros se assustam com esses dados e ficam receosos de aplicar dinheiro aqui. Preferem alocar capital no México, onde a situação do gasto público está melhor equacionada. No entanto, as coisas estão mudando. 

Para o analista, o Brasil está em uma trajetória de solucionar seus problemas fiscais, especialmente depois que for aprovada a reforma da Previdência.

Ao mesmo tempo, o México teria boas chances de entrar em um ciclo negativo neste campo fiscal, já que seu presidente eleito em 2018, Manuel López Obrador, possui um viés mais populista de esquerda. 

"O Brasil não está com uma foto bonita, mas após a reforma nosso Risco País tem tudo para ser menor que o do México", avalia. 

Outro ponto importante para embasar a visão otimista da XP é que hoje apenas 1% da população brasileira investe em ações e somente 7% do dinheiro dos fundos de investimento está alocado em Bolsa, contra uma média histórica de 8,5%.

Estes dados, conjugados ao fato de que a taxa básica de juros do Brasil, Selic, está em seu menor patamar histórico de 6,5%, e com grandes chances de já ser reduzida na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mostrariam que quem quiser ganhar dinheiro com investimentos no País hoje terá que fatalmente recorrer ao mercado de ações. 

Luketic lembra ainda que o múltiplo preço das ações sobre lucro líquido das empresas entre as companhias de capital aberto brasileiras está em 10,5 vezes, um patamar bem menor do que estava em 2007. 

Por fim, mesmo o cenário externo traz perspectivas boas, uma vez que o Federal Reserve está sinalizando um corte de juros nos Estados Unidos em 2019.

Com menos rentabilidade nos títulos da dívida norte-americana – considerados os ativos mais seguros do mundo – é esperado um maior fluxo de investimentos para ações de países emergentes. 

"O horizonte para Bolsa é muito positivo e devemos chegar em 140 mil pontos no fim de 2020", comemora o analista. 

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