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Ibovespa zera ganhos com bancos mais fracos e sinaliza correção após bater 102 mil pontos

Acirramento nas relações entre Estados Unidos e Irã preocupa investidores, mas não impede nova sessão de otimismo no mercado brasileiro

Mesa operações XP
(Flavio Santana/Biofoto)

SÃO PAULO - O Ibovespa zera ganhos nesta segunda-feira (24) após bancos perderem força. O índice sinaliza um movimento de correção após atingir 102.100 pontos. Às 13h32 (horário de Brasília), o índice tinha leve variação positiva de 0,03%, a 102.038 pontos, renovando sua máxima histórica minutos antes, ao bater 102.617 pontos. 

No radar dos investidores, destaque para o otimismo com o andamento da reforma da Previdência no Congresso Nacional e a perspectiva de queda de juros por parte de bancos centrais pelo mundo, que contrastam com um ambiente de preocupações geopolíticas.

O dólar comercial tem queda de 0,78% a R$ 3,8181 na compra e a R$ 3,8199 na venda. O contrato futuro de dólar para julho registra leves perdas de 0,04% a R$ 3,8235. 

Nesta sessão, investidores seguem monitorando os desdobramentos das tensões entre Estados Unidos e Irã após a derrubada, na quinta-feira (20), de um drone norte-americano em região próxima ao Estreito de Ormuz, importante rota de petroleiros que saem do Oriente Médio.

Após o episódio, Washington estuda impor novas sanções a Teerã. Como consequência, os preços do petróleo sofreram forte valorização nas últimas sessões.

O jornal Washington Post e o site Yahoo News noticiaram que o presidente norte-americano, Donald Trump, autorizou um ataque cibernético que derrubou computadores militares iranianos ocorrido na última quinta-feira. O ciberataque teria atingido lançadores de mísseis do país. O Pentágono não confirmou as informações.

No Brasil, os destaques ficam por conta das expectativas em relação à reforma da Previdência. O governo já contaria com algo entre 318 e 335 votos, segundo contagem de veículos de imprensa. A Comissão Especial da reforma será retomada amanhã (25).

Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2020 recuavam 2 pontos-base, a 5,965%. Já os papéis com vencimento em janeiro de 2022 operavam em queda de 1 ponto-base, a 6,28%. A queda dos DIs nos últimos dias reforça apostas crescentes do mercado de que o Banco Central deverá cortar a Selic em breve, sobretudo se a reforma previdenciária caminhar conforme esperado no parlamento.

Confira os destaques deste pregão:

Destaques da Bolsa

Das 66 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, nenhuma apresenta queda superior a 1% nesta sessão. Do lado negativo, ganham destaque os papéis das companhias do setor aéreo e da varejista Magazine Luíza (MGLU3).

Já na ponta positiva, cerca de 20 papéis operavam com alta superior a 1%. Neste grupo, o destaque fica com BB Seguridade (BBSE3), que recebeu recomendação de compra pela equipe de análise da XP Investimentos. O preço-alvo para as ações é de R$ 39, o que indicaria a um potencial de alta de 21%.

Outro destaque do lado corporativo é a Petrobras (PETR3; PETR4), que vê seus papéis operarem perto da estabilidade, em meio ao dia de realização do petróleo no mercado internacional e após derrota na Justiça dos EUA.

A companhia realizou, na última sexta-feira, o pagamento, por meio de subsidiárias, o valor aproximado de US$ 700 milhões relacionado à sentença proferida pela Corte Federal do Texas, nos Estados Unidos, que julgou improcedente a ação proposta pela companhia com o objetivo de anular a sentença proferida na arbitragem movida por Vantage Deepwater Company e Vantage Deepwater Drilling Inc.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 34,46 +2,07 -8,51 141,27M
 BRFS3 BRF SA ON 29,22 +1,95 +33,24 78,17M
 EMBR3 EMBRAER ON 19,48 +1,83 -10,15 36,21M
 IRBR3 IRBBRASIL REON 101,26 +1,79 +24,48 77,72M
 SANB11 SANTANDER BRUNT 46,40 +1,53 +12,31 27,83M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 33,92 -1,82 -19,28 61,93M
 AZUL4 AZUL PN N2 43,59 -1,51 +21,08 44,97M
 CCRO3 CCR SA ON 14,32 -1,38 +31,05 68,42M
 NATU3 NATURA ON 58,36 -1,37 +30,40 26,58M
 CSNA3 SID NACIONALON 16,28 -1,33 +93,22 85,62M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Relatório Focus

A estimativa do mercado financeiro para o crescimento da economia segue em queda. É o que mostra o boletim Focus, resultado de pesquisa semanal a instituições financeiras, feita pelo Banco Central. A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano foi reduzida pela 17ª vez consecutiva: desta vez, de 0,93% para 0,87%.

A expectativa das instituições financeiras consultadas é que a economia apresente melhor desempenho em 2020. Neste caso, a mediana das projeções aponta para um crescimento de 2,20%, mesma marca da semana passada. A previsão para 2021 e 2022 permanece em 2,50%.

Já a estimativa de inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), caiu de 3,84% para 3,82% este ano, na quarta redução seguida. A meta de inflação de 2019, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%.

A projeção para 2020 caiu de 4% para 3,95%. A meta para o próximo ano é de 4%, com intervalo de tolerância 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Para 2021, o centro da meta é 3,75%, também com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. O CMN ainda não definiu a meta de inflação para 2022. A previsão do mercado financeiro para a inflação em 2021 e 2022 permanece em 3,75%.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, mantida em 6,5% ao ano, na última semana pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ao final de 2019, as instituições financeiras esperam que a Selic esteja em 5,75% ao ano, a mesma perspectiva da semana passada. Para o fim de 2020, a expectativa para a taxa básica volte para 6,5% ao ano, e, no fim de 2021, chegue a 7,5% ao ano.

Bolsonaro e Previdência

O presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a avaliar, ontem, que os juros estão altos no Brasil. Em um post no Twitter, acompanhado de um vídeo com elogios e detalhes do Plano Agrícola e Pecuário 2019/2020, anunciado terça-feira, 18, Bolsonaro escreveu: "Boas notícias para o campo, mas reconhecemos que os juros ainda estão altos no Brasil". É pelo menos a segunda vez que o presidente usa o crédito agrícola para criticar juros praticados no País.

O presidente afirmou ainda no final de semana que a "reforma" da Previdência virou uma "palavra mágica" para os investidores interessados em colocar recursos no País. Segundo ele, há um grande números de empresários interessados em investir no Brasil e com a reforma aprovada a confiança será retomada. "E os investimentos virão. E atrás disso, vem emprego", disse o presidente.

Bolsonaro comparou a necessidade de aprovação da reforma da Previdência como uma "emboscada", já que o País não tem outras alternativas. O presidente disse ainda que o ministro da Economia, Paulo Guedes, está confiante de que, com a aprovação da reforma, a economia vai deslanchar. Ele defendeu que é preciso fazer a reforma, porque a expectativa de vida da população está crescendo. "O que acontece se não tomar esta medida agora? Em 2021 e 2022, não tem como pagar mais", disse.

O presidente deu ainda indiretas ao Congresso no final de semana, se comparando à “Rainha da Inglaterra”, que reina, mas não governa, por conta dos “superpoderes” do Legislativo. A reclamação do presidente foi feita após tomar conhecimento de um projeto que transfere à Câmara o poder de indicação a cargos nas agências reguladoras.

Por sua vez, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, rebateu as declarações de Bolsonaro, afirmando que o projeto “não tira poderes do presidente e não delega nada de novo ao Parlamento”.

Enquanto isso, o Painel da Folha informa que Bolsonaro não pretende ajudar na articulação para recolocar Estados e Municípios na reforma. A declaração teria sido dada na última terça-feira, em reunião com a bancada do Podemos. A intenção do presidente vai no sentido oposto do desejo de Maia, pontua a coluna.

Ainda sobre a reforma, o jornal Valor Econômico estimou que, se fosse votada hoje, a reforma teria entre 325 e 335 votos, caso o relator Samuel Moreira (PSDB) fizesse os ajustes solicitados pelos líderes partidários e mantivesse o diálogo aberto até o momento da votação.

O Painel da Folha destacou que o grupo de deputados que trabalha pela aprovação das reforma da Previdência começou a mapear o apoio na Câmara e apurou poderia ter cerca de 325 votos favoráveis às mudanças nas regras das aposentadorias.

Já a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, trouxe que, pelas contas do Planalto, a reforma da Previdência já teria, segundo dados do monitoramento online, 318 votos a favor na Câmara – dez a mais do que o necessário.

A Comissão Especial da reforma será retomada amanhã (25), a partir das 9h00. Segundo o presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), nada impede que a votação da proposta comece no mesmo dia em que for encerrada a discussão.

Sérgio Moro

O jornal Folha de S. Paulo trouxe como destaque no domingo novos diálogos entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores da Lava Jato. Segundo a publicação, a troca de mensagens sugere que o ex-juiz discutiu com Deltan Dallagnol maneiras para evitar maiores desgastes pela divulgação, pela Polícia Federal, de planilhas com nomes de políticos com foro privilegiado envolvidos na operação Lava Jato.

A reportagem aponta que o objetivo seria proteger Moro de eventuais tensões com o Supremo Tribunal Federal, que pudessem paralisar as investigações num momento crítico à operação, em 2016. Os nomes de políticos, obtidos durante investigação à Odebrecht, contavam com foro privilegiado, só podendo ser julgados pela Corte superior. Em nota, Moro voltou a afirmar que não reconhece a autenticidade dos diálogos.

Moro adiou para a primeira semana de julho sua ida à Câmara dos Deputados, após ter sido convidado por quatro comissões para prestar esclarecimentos sobre as trocas de mensagens com procuradores. Ele estará em viagem aos EUA até quarta-feira (26).

O jornal O Estado de S. Paulo destaca ainda que está nas mãos do ministro Celso de Mello a decisão sobre o julgamento, que deverá ser retomado amanhã, no STF, do pedido da defesa do ex-presidente Lula por suposta imparcialidade do ex-juiz na sua condenação no caso do tríplex no Guarujá (SP).

(com Agência Estado)

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