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Ações de elétricas sobem o dobro do Ibovespa no ano, mas XP ainda vê oportunidades no setor

Bom desempenho do setor, causado pela queda na curva de juros, agenda de privatizações e consolidações, a princípio, poderia afastar alguns investidores, que temem já terem perdido o bonde, mas ainda há boa oportunidades

Energia
(shutterstock)

SÃO PAULO - O setor elétrico é um dos melhores da Bolsa este ano, com o Índice IEE registrando ganhos de 31%, ante 14% do Ibovespa. Alguns papéis se destacam mais ainda: na sessão da véspera, a ação da Eletrobras (ELET6) atingiu sua máxima histórica, disparando 66% desde o início do ano.

Esse desempenho do setor, causado pela queda na curva de juros (boa para renda variável), agenda de privatizações e consolidações, a princípio, poderia afastar alguns investidores, que temem já terem perdido o bonde. Contudo, a XP Investimentos ainda vê oportunidades para papéis de diversas companhias.

Gabriel Fonseca, analista da XP, possui recomendação de compra para Energias do Brasil (ENBR3), Copel (CPLE6), Omega Geração (OMGE3), AES Tietê (TIET11), Equatorial Energia (EQTL3). Para Cemig (CMIG4), Engie (EGIE3), Taesa (TAEE11) e CTEEP (TRPL4), ele estabeleceu recomendação neutra. 

A tese de Fonseca em torno de elétricas se baseia na evolução da Taxa Interna de Retorno (TIR) delas. "Quando analisamos a evolução das TIRs das ações na nossa cobertura, verificamos que mesmo após a alta significativa com a queda da curva de juros, o setor em média negocia apenas a um desvio padrão da média histórica", avalia.

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No mercado de eletricidade, serão movimentados R$ 393 bilhões nos próximos dez anos, de acordo com projeção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). 

Para a Energias do Brasil, Fonseca vê desconto no atual preço das ações da empresa, que opera com uma TIR de 13% contra 10% do setor.

"Vemos isso como injusto em face da sólida execução do seu portfólio de linhas de transmissão, potenciais catalisadores com as revisões tarifárias da EDP Espírito Santo e EDP São Paulo e um bem gerido portfólio de ativos de geração de energia", explica.

Fonseca estabeleceu um preço-alvo para os papéis da companhia de R$ 27,00, contra os R$ 19,27 nos quais a ação operava às 12h53 (horário de Brasília) desta quinta-feira (18).  

Já a Omega Geração teria um perfil de risco menor do que outras geradoras hidrelétricas e um caminho livre para crescimento futuro baseado na incorporação das Deltas 7 e 8 este ano.

O preço-alvo da XP para as ações da empresa é de R$ 31,00 ante os R$ 26,40 em que o papel opera nesta segunda-feira (17). 

Por outro lado, Fonseca vê a Cemig com maior ceticismo, pois apesar dos avanços na venda de participações, a possibilidade de privatização da companhia ainda é longínqua. 

"O motivo é que há muita incerteza sobre as negociações entre os poderes Executivo e Legislativo de Minas Gerais, processo que é fundamental para viabilizar uma eventual aprovação do projeto de lei que libera privatizações no Estado".

O preço-alvo da Cemig é de R$ 15,00 por ação, praticamente em linha com a cotação do papel nesta quinta, de R$ 14,98. A recomendação é neutra. 

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Para a Copel, por sua vez, o analista espera que haja uma redução do desconto com que seus papéis atuam em relação aos pares. Essa opinião se baseia nas iniciativas de cortes de custos promovidas pela empresa: a geração de caixa com o desinvestimento da Copel Telecom e um acelerado processo de desalavancagem. 

O analista da XP coloca o patamar de R$ 65,00 por ação como preço-alvo para a companhia, um valor 28% maior em comparação com o atual valor dos papéis, de R$ 50,71. 

Mais uma empresa do setor com recomendação de compra é a AES Tietê, para a qual o preço-alvo foi revisado de R$ 15,00 por unit para R$ 16,00. O valor atual de negociação é de R$ 12,80.

Para Fonseca, os papéis da companhia estão excessivamente descontados, com dividendos esperados de 10,3% entre 2019 e 2021, em comparação dos 6,2% das demais empresas do setor. 

"Esse desconto é ainda mais expressivo quando se leva em conta os esforços da empresa para melhorar o perfil de sua dívida para financiar a aquisição do complexo eólico Alto Sertão III, ativo para o qual esperamos TIRs reais de 9.9%", conclui o analista. 

A Equatorial, por sua vez, teve seu preço-alvo reajustado de R$ 91,00 para R$ 100,00 por ação. O papel opera a R$ 94,70. 

Embora a XP reconheça que os resultados de curto prazo da empresa devam ser impactados pela incorporação da Cepisa e da Ceal, as perspectivas ainda são otimistas para o potencial de criação de valor por meio de redução de custos e foco na distribuição de energia. 

"Notamos que a empresa já anunciou a criação de Programas de Demissão Voluntária na Cepisa e na Ceal, com adesão de 30% e 32% da força de trabalho de cada subsidiária, respectivamente", destaca. 

A Engie tem operações otimizadas de eletricidade que, para Fonseca, mitigam quase inteiramente os impactos da baixa hidrologia, ao mesmo tempo em que a aquisição da Transportadora Associada de Gás (TAG) é positiva dentro do plano de negócios. 

Contudo, o preço do papel já estaria em um patamar justo. O preço-alvo foi colocado em R$ 45,00, contra R$ 46,68 atuais. 

Para Taesa, o que pesou na recomendação neutra foi o fato do dividend yield estar estimado em 8,9%, contra 10% do restante do setor.

A aquisição de quatro ativos de transmissão da Âmbar Energia foi bem vista, assim como a oferta vencedora pelo lote 12 no leilão de transmissão 004/18, mas o analista não acredita que uma eventual venda da participação de 21,68% da Cemig da empresa ocorreria a valores em muito superiores aos atuais. 

O preço-alvo ficou em R$ 30,00 por unit. Opera hoje a R$ 28,08. 

Por fim, a CTEEP (antiga Transmissão Paulista), foi colocada com preço-alvo de R$ 22 por ação. 

Os papéis da empresa estão "mais do que precificados" de acordo com o analista, já que os dividendos de 6,9% para o triênio 2019-2021 estão abaixo dos 10% do setor e até mesmo dos 8,9% da Taesa. 

"Tendo em vista a maior competição em leilões de transmissão recentes, vemos poucas oportunidades de crescimento para a CTEEP além de investimentos em projetos de reforço e melhorias e ativos já operacionais, razão pela qual a empresa apresenta o menor crescimento de resultados na nossa cobertura."

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