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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

Após STF confirmar venda de subsidiárias de estatais, mercado fica de olho em indicadores locais de inflação e de emprego nos EUA

STF
(José Cruz/Agência Brasil/)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou o pregão de ontem com alta de 1,26% puxado pela Petrobras em meio ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que confirmou a permissão para a privatização de subsidiárias de empresas estatais sem aval do Congresso. Hoje, os destaques ficam por conta da agendas de indicadores do mês de maio, com o resultado do relatório de empregos nos EUA (payroll) e os índices de inflação IGP-DI e IPCA, no Brasil.

Ainda sobre o julgamento do STF, ontem à noite, o ministro Edson Fachin decidiu liberar a venda pela Petrobras de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG), por US$ 8,6 bilhões. O negócio havia sido suspenso pelo próprio Fachin por meio de liminar, derrubada agora, após novo entendimento da corte sobre a alienação de ativos de empresas públicas.

No exterior, as bolsas operam de forma positiva, em meio à evolução positiva das negociações entre os Estados Unidos e México, enquanto os investidores digeriram comentários recentes dos principais chefes dos bancos centrais e ficam à espera dos resultados do payroll, às 9h30.

1. Bolsas Internacionais

Na Europa, os principais índices operam em alta na manhã nesta sexta-feira, em meio à notícias nas esferas comerciais e monetárias. Os índices europeus ficam no aguardo da divulgação dos dados de emprego nos Estados Unidos, o que poderá interferir nas perspectivas de condução da política de juros norte-americana.

No Reino Unido, Theresa May renunciou oficialmente ao cargo de líder do Partido Conservador na sexta-feira, marcando o fim de três anos tumultuados à frente da política no País. May permanecerá em seu posto de primeira-ministra somente até que uma substituição seja eleita e a falha em entregar o Brexit já esteja sendo roteirizada como seu legado.

Entre os indicadores, a produção industrial da Alemanha diminuiu 1,9% em abril ante março, segundo dados com ajustes sazonais publicados hoje pela Destatis, a agência de estatísticas do país. A queda, que veio após dois meses seguidos de crescimento, foi maior do que o declínio de 0,5% previsto por analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Já a balança comercial alemã registrou superávit comercial de 17 bilhões de euros em abril, diz a Destatis. Também no cálculo ajustado, as exportações alemãs caíram 3,7% em abril ante março, enquanto as importações tiveram queda menor, de 1,3%, no mesmo período, informou a Destatis.

Com os mercados da China e de Hong Kong fechados por conta de um feriado, as demais bolsas asiáticas tiveram alta, com destaque para o índice de Tóquio, com ganhos de 0,53%.

Entre as commodities, os preços do petróleo sobem após a sinalização dos Estados Unidos de que poderia adiar as tarifas do México e em meio a sinais de que a Opep e outros produtores podem estender seus cortes de oferta. O mercado futuro do minério de ferro está fechado por conta de feriado na China.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07:12 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,29%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,40%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,29%
*DAX (Alemanha), +0,82%
*FTSE (Reino Unido), +0,68%
*CAC-40 (França), +1,49%
*FTSE MIB (Itália), +0,87%
*Hang Seng (Hong Kong), (fechado por feriado)
*Xangai (China), (Fechado por feriado)
*Nikkei (Japão), -0,01% (fechado)
*Petróleo WTI, +1,10%, a US$ 53,17 o barril
*Petróleo Brent, +1,10%, a US$ 62,35 o barril
*Bitcoin, US$ 7.990,34, +1,68%
R$ 30.900, +0,19% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

Na agenda brasileira de indicadores destaque para as publicações do Índice Geral de Preços (IGP-DI), pela FGV, às 8h, e ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pelo IBGE, às 9h.

Nos Estados Unidos, às 9h30, serão publicados os dados de números de postos de trabalho criados, taxa de desemprego e salário médio por hora referentes a maio. Às 11h00, será a vez da divulgação de dados sobre estoques no atacado e, às 16h00, de crédito ao consumidor.

4. Bolsonaro na Argentina

O Estadão destaca que os governos de Mauricio Macri e Jair Bolsonaro discutiram ontem a criação de uma moeda comum entre Brasil e Argentina, que se chamaria “peso real”. A moeda seria resultado natural da intensificação do processo de integração de dois países que adotam políticas econômicas semelhantes.

Desde o início do Mercosul, no início dos anos 90, existe a intenção de se criar uma moeda única. No entanto, choques econômicos, como a desvalorização do real, em 1999, impediram a concretização do plano. A discrepância entre as inflações de Brasil e Argentina, porém, seria um grande desafio.

A questão da moeda comum foi apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, aos argentinos, e, de acordo com ele, a ideia foi bem recebida. "A reação dos empresários argentinos foi de que isso deve ser feito logo", afirmou.

Sobre a iniciativa de moeda única, o Banco Central do Brasil (BCB) afirmou que não tem projetos ou estudos sobre o assunto. Guedes, por sua vez, informou que o BCB não tem projeto em relação ao tema por que a “ideia” era dele.

A divulgação da informação de que Bolsonaro estava disposto a fazer parte de uma união monetária seria uma ferramenta para impulsionar a popularidade de Macri, que tenta a reeleição neste ano e teve sua imagem golpeada pela recente crise no País vizinho.

Ontem, o presidente brasileiro quebrou protocolos diplomáticos e anunciou apoio à reeleição de Macri. Mesmo não citando nomes, Bolsonaro afirmou que “pedia a Deus” que iluminasse os argentinos para que “votassem com a razão e não com a emoção” nas próximas eleições.

Ainda sobre as relações Brasil-Argentina, Guedes afirmou que os países estão unindo esforços para se tornarem "a maior potência agroindustrial do mundo", mencionando um "choque de energia barata", com produção de petróleo e gás nas reservas do pré-Sal, no Brasil, e de Vaca Muerta, na Argentina.

O ministro também comentou brevemente sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, dizendo que "estamos a três semanas de fazer algo que não se fez em 30 anos".

4. Noticiário político

Durante transmissão ontem à noite no Facebook, Bolsonaro disse ser necessário “fazer um casamento de meio ambiente e progresso”. Acompanhado dos ministros Paulo Guedes, Tereza Cristina (Agricultura) e Bento Albuquerque (Minas e Energia), o presidente afirmou que Roraima, Acre e Amapá estão “quase inviabilizados” em razão de demarcações de reservas indígenas e quilombolas. Albuquerque disse esperar que a licença para instalação do linhão do Tucuruí, em Roraima, saia no fim de julho e as obras comecem em agosto.

Em relação à reforma da Previdência, governadores divulgaram ontem duas cartas com apelo ao Congresso para que Estados e municípios sejam mantidos na proposta, em tramitação na Câmara. Uma das cartas, divulgada pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), coordenador nacional do Fórum de Governadores, apresentou a assinatura de 25 governadores, mas mandatários do Nordeste negaram, por meio de suas assessorias, terem ratificado o documento. Horas depois, eles divulgaram outra carta assinada apenas por eles.

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O Senado pode votar nos próximos dias medida que propõe restringir a atuação de ministros do STF, diz o Estadão. Um projeto que está pronto para análise no plenário da Casa proíbe as chamadas decisões monocráticas - tomadas individualmente - em ações que questionam leis aprovadas no Congresso e atos do Executivo. O texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ganhou caráter de urgência, o que garante uma tramitação acelerada.

Ontem, a 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília aceitou denúncia por corrupção apresentada contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Marcelo Odebrecht e os ex-ministros Antonio Palocci e Paulo Bernardo de Souza. Lula e Palocci são acusados de terem acertado o recebimento, entre 2009 e 2010, de US$ 40 milhões (R$ 64 milhões em valores da época) em troca do aumento do limite da linha de crédito para exportação de bens e serviços entre Brasil e Angola, em benefício da Construtora Odebrecht.

5. Noticiário corporativo

Entre as notícias corporativas o destaque fica com a decisão do STF de que apenas as chamadas “empresa-mãe” possam ser vendidas pelo governo sem passar pelo aval legislativo. Na prática, o STF sinaliza positivamente ao plano de venda de ativos da Petrobrás, que espera colocar em seu caixa US$ 26,9 bilhões por meio da venda de ativos. Já uma eventual decisão de venda da empresa petrolífera, por exemplo, precisaria passar pelo Congresso.

A Petrobras conta 36 subsidiárias, como a Transpetro e a BR Distribuidora, mas, segundo o Ministério da Economia, existem 134 empresas estatais, das quais 88 são subsidiárias. Dessa forma, Fachin revogou a liminar que travou a venda da Transportadora Associada de Gás (TAG) pela Petrobrás para o grupo francês Engie, um negócio de US$ 8,6 bilhões.

A Aliansce e a Sonae Sierra Brasil anunciaram ontem que fecharam um acordo para fusão entre as duas empresas. A união resultará na maior empresa do país em número de shopping centers, com o nome de Aliansce Sonae Shopping Centers S/A. A nova companhia terá um portfólio de 40 shoppings, sendo 29 próprios e outros 11 administrados, sendo o segundo maior do setor de shopping centers no Brasil em Área Bruta Locável (ABL), com total administrado de aproximadamente 1,4 milhão de m² e cerca de 7 mil lojas.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou que avançou em discussões com o governo do Estado de São Paulo, com o objetivo de viabilizar a construção de uma nova unidade de galvanização de aço, com investimentos estimados de R$ 1,5 bilhão. A empresa ressalta que a realização desses investimentos está sujeita a condições adequadas de financiamento e às aprovações societárias.

(Agência Estado)

 

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