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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta sexta-feira

Após o Ibovespa retomar os 97 mil pontos, receio global com recessão se eleva com nova escalada tarifária dos EUA, dessa vez contra o México  

Donald Trump
(Agência Brasil)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou ontem com alta de 0,92%, engatando sua quarta alta consecutiva, diante da expectativa de tramitações mais rápidas na pauta do Congresso, sobretudo à relacionada à reforma da Previdência. Hoje, entretanto, o mercado local deverá se guiar pelo mau-humor global, com as bolsas operando em queda, assim como os futuros de Nova York, diante da maior perspectiva de uma recessão mundial.

Não bastasse o efeito da guerra comercial com a China, com impactos inegáveis sobre a atividade global, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem que o país irá impor uma tarifa de 5% sobre todos os bens importados do México até que o fluxo migratório ilegal de imigrantes cesse. As tarifas, porém, poderão subir cinco pontos percentuais, por mês, se a "crise" de imigração ilegal persistir, podendo chegar a 25% em 1º de outubro.

Enquanto isso, a atividade manufatureira da China dá mais sinais de desaquecimento, com os dados de maio do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) indicando contração, impactados, segundo analistas, pela guerra comercial com os Estados Unidos, que afetou o sentimento dos consumidores e das empresas chinesas.

No Brasil, com a confirmação de uma retração do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, de 0,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a possibilidade de liberação de aproximadamente R$ 22 bilhões de recursos de contas inativas do FGTS pode trazer algum alento à economia ainda em 2019.

1. Bolsas Internacionais

As bolsas europeias operam em queda e os índices asiáticos fecharam em baixa após mais um movimento do presidente Donald Trump de retaliação comercial, ampliando os temores de uma recessão global.

Trump anunciou ontem vai impor uma tarifa de 5% sobre todos os bens importados do México até que imigrantes ilegais vindos através do país vizinho para dentro de território americano "parem". "A tarifa vai aumentar gradualmente até que o problema da imigração ilegal esteja remediado, ponto no qual as tarifas serão removidas”, afirmou, em sua conte no Twitter.

Em um comunicado, divulgado após os tuítes de Trump, a Casa Branca informou que o aumento das tarifas valem a partir de 10 de junho, reforçando que a alíquota cobrada subirá cinco pontos percentuais por mês se a "crise" de imigração ilegal persistir, podendo chegar a 25% em 1º de outubro.

"As tarifas ficarão permanentemente no nível de 25% a não ser e até que o México pare substancialmente o fluxo ilegal de imigrantes entrando por meio do seu território", afirma o republicano. "Se o México não agir, as tarifas permanecerão em um nível elevado, e as companhias localizadas no México podem começar a retornar aos Estados Unidos para fabricar seus produtos e bens."

Na China, o PMI do setor industrial recuou de 50,1 em abril para 49,4 em maio, segundo dados oficiais do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês). O resultado abaixo de 50 indica que o setor manufatureiro se contraiu neste mês, à medida que os pedidos de exportações diminuíram em meio à crescente tensão comercial entre China e Estados Unidos. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam redução menor do PMI industrial chinês em maio, a 49,9.

Na Europa, o PIB italiano avançou 0,1% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, mas recuou 0,1% na comparação anual. Já na Alemanha, as vendas no varejo sofreram queda de 2% em abril ante março, no cálculo com ajustes sazonais, segundo dados divulgados hoje pela agência de estatísticas do país, a Destatis.

Entre as commodities, o preço do petróleo tem forte desvalorização, seguindo rumo à sua maior queda mensal em seis meses, com o aumento das tensões comerciais pesando sobre a perspectiva da demanda. O minério de ferro também recua nesta sexta-feira.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 06h59 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -1,21%
*Dow Jones Futuro (EUA), -1,56%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,10%
*DAX (Alemanha), -1,86%
*FTSE (Reino Unido), -0,98%
*CAC-40 (França), -1,39%
*FTSE MIB (Itália), -1,57%
*Hang Seng (Hong Kong), -0,79 (fechado)
*Xangai (China), -0,24% (Fechado)
*Nikkei (Japão), -1,63% (fechado)
*Petróleo WTI, -2,31%, a US$ 59,17 o barril
*Petróleo Brent, -3,13%, a US$ 69,38 o barril
*Bitcoin, US$ 8.335,38, -4,45%
R$ 34.046, -2,59% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian caiam 1,62%, a 727,00 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, o destaque é a publicação, às 9h00, da PNAD Contínua pelo IBGE. Já as 10h30, está programada a publicação pelo Banco Central do resultado fiscal consolidado e a dívida líquida do setor público.
Nos Estados Unidos, às 9h30, serão publicados dados de renda pessoal, gastos com consumo e índice de preços de abril. Às 10h45, o ISM/Chicago divulga o índice de atividade industrial de maio e, às 11h00, a Universidade de Michigan publica o índice de sentimento do consumidor, as condições atuais e as expectativas de maio.

3. Noticiário Político e Econômico

O destaque político fica por conta da apresentação de um texto alternativo à reforma da Previdência, pelo Partido Liberal, antigo PR, endossado por 180 deputados. A legenda abriga o deputado Marcelo Ramos, que é presidente da comissão especial da reforma da Previdência. As emendas apresentadas modificam pontos centrais da proposta do ministro da Economia Paulo Guedes, mantendo as aposentadorias rurais e o BPC inalterados, além de mexer no regime de capitalização. Caso seja aprovado, a economia do governo recuariam de R$ 1,2 trilhão para R$ 700 bilhões em uma década.

Ainda na política, o jornal O Estado de S.Paulo destaca que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, pode sofrer um novo revés no Congresso, diante da possibilidade de o grupo de trabalho que analisa o seu pacote anticrime excluir dois itens da proposta. A maioria dos parlamentares é contra manter, no texto, o chamado excludente de ilicitude – que isenta policiais de punição em caso de homicídios em serviço – e o cumprimento de pena em condenação em segunda instância. Dos dez deputados que integram o grupo, seis disseram ao Estadão ser contrários aos dois pontos.

Manifestações contra o contingenciamento de verbas para a Educação ocorreram ontem em cerca de 100 cidades de 25 Estados e no Distrito Federal, diz o Estadão, enquanto a Folha estima que os protestos ocorreram em 95 cidades. Já o Valor Econômico cita que os protestos ocorreram em 131 cidades. Os atos foram convocados por entidades de estudantis e reuniram menos gente em comparação às manifestações do último dia 15, quando haviam sido organizados por sindicatos de professores. Os protestos acontecem cinco dias após os atos pró-governo do presidente Jair Bolsonaro.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, acusou professores de coagir alunos a participar dos atos e conclamou pais a denunciá-los. Ele ameaçou, ainda, cortar o ponto dos professores. Segundo a Coluna Painel da Folha, a nota do MEC desautorizando pais, alunos e professores a estimularem e divulgarem os protestos contra sua política foi visto como um declaração de guerra ao setor por políticos experientes, que antes apostavam no arrefecimento dos atos. A medida do MEC poderá ser questionada e para o vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e outros dispositivos legais.

Na economia, o destaque é a confirmação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que recuou 0,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, e com o anúncio, por parte do ministro Paulo Guedes, de que o governo estuda a liberação de aproximadamente R$ 22 bilhões de recursos de contas inativas do FGTS, após a aprovação da reforma da Previdência. Segundo o Estadão, o pacote incluiria a possibilidade de saque das contas do PIS/Pasep e seria um fôlego para o consumo e para a redução do endividamento das famílias.

Diante do resultado do PIB do primeiro trimestre e as perspectivas desanimadoras para o segundo trimestre, analistas e economias já passaram a cortar suas projeções de expansão do PIB deste ano para um patamar inferior a 1%. Cresce no mercado ainda as apostas de que o Banco Central possa retomar o seu processo de corte dos juros. A fraca atividade econômica poderia levar a revisões para baixo nas próximas semanas das taxas de inflação para o ano que vem.

4. IMTV

O programa Conexão Brasília desta semana recebe João Villaverde, analista sênior de Brasil na Medley Global Advisors. Na pauta, a bateria de medidas provisórias em debate no Congresso Nacional, os significados políticos das manifestações a favor e contra o presidente Jair Bolsonaro e os desafios para o governo aprovar o primeiro texto do pacote da reforma previdenciária.

Também são assunto a tentativa de pacto firmado entre os representantes dos Três Poderes e a quinta edição do Barômetro do Poder, um levantamento feito pelo InfoMoney com algumas das principais casas de análise política em atividade no país sobre os principais temas nacionais.

O programa é transmitido ao vivo, a partir das 14h (horário de Brasília) pela IMTV e pelo canal do InfoMoney no YouTube.

5. Noticiário corporativo

O destaque corporativo fica por conta do anúncio de ontem à noite de que a BRF e a Marfrig avaliam uma combinação dos negócios entre as duas companhias. As empresas assinaram um memorando de entendimentos vinculante, estabelecendo regras e condições de acesso a informações que permitam a análise da possível viabilização da transação. O valor de mercado combinado das duas empresas é de cerca de R$ 28 bilhões, com faturamento anual na casa de R$ 76 bilhões.

O memorando prevê um período de exclusividade de 90 dias, prorrogáveis por 30 dias, durante o qual nenhuma das partes poderá iniciar negociações com terceiros. No âmbito dessa análise, a BRF e a Marfrig deverão avaliar, junto aos seus respectivos assessores financeiros, legais, contábeis e outros, os efetivos benefícios econômicos que possam advir de eventual transação, e, ainda, a estrutura societária mais eficiente a ser adotada.

A BRF diz que a transação, se ocorrer, irá "reduzir a exposição da empresa aos riscos setoriais e gere sinergias, em virtude do equilíbrio e complementariedade de produtos, serviços e diversificação geográfica com relevância no Brasil, Estados Unidos, América Latina, Oriente Médio e Ásia". A companhia espera ainda que isso ajude na redução da alavancagem financeira e adequação da estrutura de capital.

O comunicado destaca ainda que não existe uma estrutura societária definida para a fusão, que pode "incluir a consolidação dos ativos das duas companhias e de suas bases acionárias em uma nova sociedade". Pelo acordo, os acionistas da BRF terão 84,98% da nova empresa, enquanto os da Marfrig ficarão com 15,02%.

Ainda no noticiário de empresas, o juiz do Foro Central Criminal da Barra Funda, Fabio Pando de Matos, determinou a condução coercitiva contra o presidente do Banco Santander, Sérgio Rial, para que ele preste depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito da Sonegação Tributária, na Câmara Municipal de São Paulo. O depoimento está marcado para a próxima quinta, 6, às 11h, no Palácio Anchieta. A decisão se estende a outros executivos do banco. Segundo o magistrado, eles serão ouvidos na condição de testemunha e terão direito ao silêncio.

O Santander afirma que "está em situação de regularidade fiscal com o município de São Paulo, e que a convocação de 15 executivos da instituição pela CPI ocorre mesmo após todos os esclarecimentos já terem sido prestados anteriormente, e sem que novas informações possam ser acrescentadas - portanto, o Banco recorrerá da decisão". “Em 2018, o Santander e suas coligadas recolheram ao município de São Paulo cerca de R$ 430 milhões em ISS, o equivalente a 60% do que é recolhido em todo o País pelo grupo, e R$ 36 milhões em IPTU”, afirma o banco.

(Agência Estado)

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