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Ibovespa cai, mas não apaga alta de 4% na 2ª melhor semana do ano; dólar volta a R$ 4,02

Mercado teve semana de muito otimismo depois que o centrão decidiu assumir as rédeas da Previdência

Ações bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (24), mas isso não impediu o índice de ter forte alta de 4,04% na segunda melhor semana do ano, que ficou marcada pela aprovação da Medida Provisória 870 na Câmara dos Deputados. A melhor semana do ano continua sendo a primeira, quando o índice registrou ganhos de 4,5% em meio à posse do presidente Jair Bolsonaro. 

Hoje, as preocupações políticas internas, principalmente em torno das manifestações de domingo, ofuscaram o bom desempenho do exterior. Lá fora, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está "esperançoso" com o encontro que terá com o presidente da China, Xi Jinping, na cúpula do G-20 em junho. Fora isso, a principal notícia do dia é a renúncia da primeira-ministra britânica, Theresa May, que deixará o cargo no dia 7 de junho.

O principal índice da B3 teve leve desvalorização de 0,3% a 93.628 pontos, enquanto o dólar comercial recuou 0,78% a R$ 4,0142 na compra e a R$ 4,016 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em junho tinha queda de 0,54% a R$ 4,0225, revertendo a alta registrada mais cedo após o dado de bens duráveis americano frustrar as expectativas. 

Segundo o sócio da Novus Capital, Luiz Eduardo Portella, caiu bem aos investidores a mudança no tom de Trump, que se seguiu às fortes quedas das bolsas norte-americanas ontem. Depois que foi divulgada a informação de que não está programada ainda a viagem de uma delegação de Washington a Pequim, os principais índices dos EUA caíram mais de 1,5%. 

Portella explica ainda que não está impactando tanto o mercado a renúncia de May, pois há muitas incertezas sobre o que ocorrerá a seguir. "Não sabemos quem irá entrar no lugar. O principal candidato, o [membro do partido Conservador] Boris Johnson, é um defensor do hard Brexit [saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo], que os investidores não desejam", avalia.  

Por outro lado, o analista não descarta a hipótese de que Johnson tenha mais força que May e possa agregar a política, podendo até mesmo conseguir um acordo com a UE. 

Por aqui, as manifestações de domingo (26) preocuparam os investidores, pois ainda não se sabe se o tom será de apoio às reformas ou se nos cartazes que aparecerão na mídia no fim de semana predominarão pedidos de fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Sobre as manifestações, Portella aponta que não se sabe o que esperar, se será bom uma adesão pequena, porque faria o Executivo recuar do embate no Legislativo ou se enfraqueceria demais Bolsonaro. Pode ser ainda que um protesto grande aprofunde as desavenças entre os dois poderes. "O importante é que o enfoque seja a defesa das reformas. Porém, todos estão na dúvida."

Em entrevista, à Veja, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que se houver uma mudança muito radical na proposta original da reforma, ele renunciará ao cargo

"Eu não sou irresponsável. Eu não sou inconsequente. Ah, não aprovou a reforma, vou embora no dia seguinte. Não existe isso. Agora, posso perfeitamente dizer assim: ‘Olha, já fiz o que tinha de ter sido feito. Não estou com vontade de ficar, vou dar uns meses, justamente para não criar problemas, mas não dá para permanecer no cargo’. Se só eu quero a reforma, vou embora para casa. Se eu sentir que o presidente não quer a reforma, a mídia está a fim só de bagunçar, a oposição quer tumultuar, explodir e correr o risco de ter um confronto sério… pego o avião e vou morar lá fora", afirmou o ministro. 

Também na política, a pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta sexta mostrou pela primeira vez uma avaliação negativa numericamente superior às opiniões positivas sobre a gestão do presidente Jair Bolsonaro. 

Segundo o levantamento, o grupo de entrevistados que classifica a atuação do governo como ruim ou péssima chegou a 36%, uma alta de 5 pontos percentuais em comparação com o resultado observado na primeira semana de maio. Já o nível de ótimo ou bom oscilou 1 p.p. para baixo no mesmo intervalo, passando a 34%. Apesar do viés negativo, o saldo de avaliação está dentro da margem de erro da pesquisa, de 3,2 p.p. para cima ou para baixo.

Entre os indicadores, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) teve alta de 0,35% em maio, resultado bem inferior ao avanço de 0,72% registrado em abril. Apesar disso, foi a maior variação para um mês de maio desde 2016, quando o indicador subiu 0,86% no período. 

O acumulado em 12 meses foi de 4,93%, acima dos 4,71% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2018, a taxa foi de 0,14%.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 avança dois pontos-base a 6,80%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 subiu três pontos-base a 7,98%. 

Noticiário corporativo

Controladora do grupo Casino, dono do GPA (PCAR4), a holding Rallye obteve ontem da Justiça francesa a aprovação de um plano de proteção contra credores. Segundo o jornal Valor Econômico, a medida, semelhante à recuperação judicial brasileira, deve durar seis meses. A reestruturação pode enfraquecer o chefe da companhia Jean-Charles Naouri. As dívidas da holding chegam a 2,9 bilhões de euros. A dívida do Casino, que está fora do plano, somava 2,7 bilhões ao fim de 2018.

O pedido foi feito após a Rallye ter suspendido a negociação de suas ações e as do Casino na bolsa de Paris. Embora não atinja o GPA, que controla as redes Extra, Pão de Açúcar, Assai e indiretamente a Via Varejo (VVAR3), o pedido de proteção gera preocupações quanto a possíveis decisões que possam envolver as operações brasileiras do grupo francês.

O Estadão destaca que a situação do Grupo Odebrecht, um dos pivôs da Operação Lava Jato, deve complicar a venda da Braskem (BRKM5), que está sendo negociada com a holandesa LyondellBasell. Segundo a publicação, as negociações, que podem trazer cerca de R$ 20 bilhões ao grupo, esfriaram na esteira de uma série de más notícias envolvendo a Braskem. O fator número um para a reticência da Lyondell em comprar a Braskem seria a incerteza gerada pelo projeto de extração de sal-gema em Alagoas.

O Ministério Público de Alagoas pediu bloqueio de R$ 6,7 bilhões da empresa. A Justiça Estadual contingenciou R$ 100 milhões e impediu a distribuição de R$ 2,7 bilhões aos acionistas da Braskem - o que tirou mais de R$ 1 bilhão da holding Odebrecht em momento de dificuldade de caixa. O Estadão diz que a Lyondell não quer se arriscar em comprar a Braskem enquanto essa conta não for definida. O caso seguiu para a Justiça Federal.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 34,09 -7,39 -9,50 667,68M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 15,32 -4,43 -2,28 79,08M
 BRKM5 BRASKEM PNA 41,15 -3,90 -13,15 104,97M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 30,43 -3,40 -27,58 108,78M
 CSAN3 COSAN ON 44,50 -2,94 +35,90 73,69M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOLL4 GOL PN N2 24,86 +5,16 -0,96 196,45M
 JBSS3 JBS ON 23,22 +4,27 +100,37 282,74M
 NATU3 NATURA ON 58,38 +3,79 +30,45 194,77M
 MRFG3 MARFRIG ON 7,01 +3,24 +28,39 27,63M
 BRFS3 BRF SA ON 31,85 +3,07 +45,23 165,95M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 48,31 +1,02 1,21B 890,20M 54.933 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N2 26,09 +0,97 934,48M 1,23B 42.986 
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 34,09 -7,39 667,68M n/d 47.129 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 49,62 +1,47 457,12M 514,69M 27.318 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 33,03 -1,49 381,91M 576,78M 32.027 
 BBDC4 BRADESCO PN 34,26 -0,98 331,79M 541,09M 25.362 
 JBSS3 JBS ON 23,22 +4,27 282,74M 322,97M 34.261 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,06 -0,87 264,90M 408,02M 24.832 
 B3SA3 B3 ON 34,20 -0,41 258,14M 289,37M 21.403 
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 83,00 -1,27 212,28M 199,70M 13.984 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Noticiário Político

Em sua transmissão pelo Facebook, o presidente Jair Bolsonaro pediu ontem que o Senado aprove o texto da Medida Provisória 870 que reduziu o número de ministérios sem alterações. Segundo Bolsonaro, era preciso “tocar o barco” e manter o texto aprovado pela Câmara. O Senado seria a última chance do ministro da Justiça, Sérgio Moro, reverter a votação da Câmara que lhe tirou o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo o jornal Valor Econômico, mesmo com o risco de a MP perder sua validade, alguns senadores da base aliada ainda vão tentar devolver o Coaf a Moro. Entretanto, com a modificação, o texto teria que voltar à Câmara e teria grandes chances de caducar, já que vende em 3 de junho. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, disse que trabalharia no retorno do Coaf à Justiça, o que foi defendido pelo PSL.

Bolsonaro afirmou ontem ainda que o governo irá anunciar hoje, no Recife, o plano estratégico para o Nordeste. Segundo o presidente, apesar de ser uma questão "antiga", também será anunciado durante a viagem o 13º salário do programa Bolsa Família. Ele afirmou que a medida irá levar aproximadamente mais R$ 2,2 bilhões em dezembro de "extra" para a região Nordeste.

Enquanto isso, o governo Bolsonaro tem, pela primeira vez desde o início do mandato, uma avaliação negativa numericamente superior às opiniões positivas, segundo edição especial da pesquisa XP/Ipespe, realizada entre os dias 20 e 21 de maio, com 1.000 entrevistas telefônicas com eleitores de todas as regiões do País.

Segundo o levantamento, o grupo de entrevistados que classifica a atuação do governo como ruim ou péssima chegou a 36%, uma alta de 5 pontos percentuais em comparação com o resultado observado na primeira semana de maio. Já o nível de ótimo ou bom oscilou 1 p.p. para baixo no mesmo intervalo, passando a 34%. Apesar do viés negativo, o saldo de avaliação está dentro da margem de erro da pesquisa, de 3,2 p.p. para cima ou para baixo.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem estar confiante na aprovação da Reforma da Previdência, entre "60 e 90 dias". Guedes afirmou que o Brasil tem instituições "vigorosas" e que os poderes no Brasil são "realmente independentes". O ministro disse que a eleição de Bolsonaro visava a mudança do sistema em vigor há anos, em uma direção mais conservadora na política e liberal na economia. 

Em relação ao protestos previstos para este domingo, Bolsonaro criticou a inclusão de pautas contra o Congresso e o Judiciário nas manifestações a favor de seu governo. “Quem defende o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional está na manifestação errada”, afirmou ele, segundo a Rádio BandNews, de acordo com o Estadão.

O Instituto Brasil 200, movimento de empresários liderado por Flávio Rocha, dono da varejista Riachuelo, decidiu apoiar publicamente as manifestações programadas para o domingo. O grupo, que reúne nomes do empresariado como Luciano Hang (dono da Havan) e João Appolinário (Polishop) estava reticente em incentivar a adesão aos atos no início, mas mudou de posição, afirmou Gabriel Rocha Kanner, que é presidente do Brasil 200.

O governador do Estado de São Paulo, João Doria, se manifestou contrariamente às manifestações pró-governo Jair Bolsonaro, que classificou como “desnecessárias”. Doria afirmou que o País necessita de "paz, harmonia e entendimento" entre o povo e os poderes e que é preciso concentrar energia na aprovação da Reforma da Previdência.

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